sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Cansei, e hoje é sério.

Você sempre me enrolou e eu sempre te vi como alguém melhor do que você era. Sempre pensei que você fosse diferente dos outros homens, ou pelo menos diferente comigo.
Então eu tô aqui pra dizer que eu cansei de me esforçar pra fazer isso funcionar se sou eu sempre quem tem que dar o primeiro passo, e que de tantos primeiros passos estou já cansada de andar; não faço mais questão de alimentar o teu ego, nem de  nutrir teu orgulho porque você perdeu seus direitos comigo, eu não te quero mais.
Eu cansei de construir desculpas pra você, pro teu descaso e pra tua falta de respeito comigo.
Se você me quiser de volta, vai ter que se colocar na minha mão, vai ter que sofrer, penar, tentar adivinhar o que eu estou pensando, pra variar.
E eu posso te dizer uma coisa, um segredo?
Você não vai conseguir.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

domingo, 26 de dezembro de 2010

Happy Christmas

Mais um Natal sem você, mas eu te digo:
Eu estou feliz, finalmente.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Bipolar

Ora me ama, ora me odeia.
Ora fala comigo, ora não quer nem saber...
E eu aqui pensando que eu era a bipolar, quando você não faz nem idéia do que está fazendo, então, para você decidir o que quer eu vou lhe contar tim-tim por tim-tim do que aconteceria se você me escolhesse: seria felicidade garantida, porque se você gosta de mim como eu gosto de você, a gente poderia dar um jeito de superar outros problemas; você chegaria em casa e eu lhe cumprimentaria com um beijo sutil e você ia perceber o quanto você sentiu saudades de casa; você criaria nossos filhos pra torcer pelo teu time, já que eu não gosto tanto assim de esportes; eu escolheria o nome dos nossos filhos, porque... bom, porque eu posso, né; você não ia mais se sentir vazio ou um impulso louco de fugir, porque você estaria exatamente onde deve estar: comigo.
Eu não estou suplicando, eu nunca faria isso, estou apenas te mostrando as consequências da sua escolha, querido, porque pode não parecer agora, mas o melhor dia da sua vida foi quando você me conheceu, acredite isso não é arrogância, só bom senso.
Porque eu conheço seus defeitos, seu jeito esquisito de lidar com as situações e como o seu beijo é puramente inesquecível, então, diferenças de lado, querido... Eu sou o melhor pra você e isso te assusta.
E então, senhor Bipolar... Prefere o Medo ou o Amor?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

ἴδιος (idiótes)

"O negativismo positivista sufoca a imaginação que é a alma de um pensamento em palavras sempre mal expresso, isto é, expresso sem o rigor que se exige da expressão científica. A imaginação é a faculdade, a capacidade, a virtualidade do imaginário; e o imaginário é o possesso tecedor de imagens; e as imagens são lugares, pontos de encontro, centros coloquiais de coisas afins e confins, que uma pseudo-realidade separou. Só nos sonhos elas se encontram e convivem por instantes que valem eternidades. Mas que importam os sonhos para quem já não pode crer em que os deuses no-los enviem, como sinais de via aberta para livre-trânsito? Presumivelmente o trânsito se fechará a poucos passos andados à superfície do que abusivamente se chama realidade. Que importa? Pior para a realidade! Muito pior ainda para uma realidade que é sempre a dos outros. Mas o pior de tudo, para os outros, pode ser o melhor de tudo para mim. Talvez mereça que me chamem de idiota, podem fazê-lo, no sentido etimológico do grego ou no sentido comum do vernáculo. Neste, sofro de loucura mansa; naquele, sou portador de características incomuns. Posso associar os dois, deixá-los associados, fundidos um no outro, até que me mostrem o que seja realmente real, mas não por sufrágio da maioria. Por enquanto, nada feito! Os outros que façam o que acho inútil fazer. Porque Realidade talvez seja o oposto da Objetividade, e muito bem se pode dar o caso de o idiota já se encontrar instalado na mais real das realidades, distraidamente, sem perseguir qualquer propósito definido, só por recusar a quintessência ou o refugo do pensamento sensato e ajuizado dos outros. Não estou pronunciando outro elogio da loucura, porque ninguém será louco por exortação alheia. Só sei, através de Platão, que o sair fora de si ou o banir-se de si próprio, é uma bênção divina, um inestimável dom dos deuses. Questão é só a de não ser louco por querer. Ou de não querer distinguir-se dos outros, por desafio ou acinte. Não sabem, os que assim fazem, quantos os verdadeiros loucos se riem deles. Loucura não é extravagância, porque esta só é o mais significativo sinal da imbecilidade de quem não pode achar o caminho de sua casa, de quem, não sofrendo de nostalgia, nem o quer achar. Se Ulisses fosse extravagante, em vão o esperaria Penélope; a Odisséia não teria chegado ao fim. Não quero que ninguém pense que orgulhosamente estou fazendo de insensato. Sou lucidamente lúcido e, como tal, prosseguirei."

Mitologia, de Eudoro de Souza (págs. 112 e 113).

sábado, 11 de dezembro de 2010

Laila and Theo

"você diz que eu não ligo pras coisas idiotas que você fala, que eu não presto atenção nos detalhes e eu realmente não presto, não vou mentir pra você, mas é porque tá tudo tão desgastado, Laila, tudo tão passado que eu não tenho mais força nem pra brigar contigo, nem pra dizer que você é a melhor coisa que me aconteceu... não sei o que isso significa, não me pergunte. Theo."

"eu sempre senti você distante de mim, eu sempre soube que você estava vagando em outro mundo enquanto eu compartilhava tudo, idiota, você acha que eu não tenho olhos pra ver o real cafajeste que você é, eu queria você todo pra mim, sabendo o que eu iria fazer, mas acho que isso é muito a pedir, mesmo que eu te ame o único impulso que eu sinto agora é de ir aí e te esganar ao invés de responder isso. Laila."

"se você tentasse saber tudo de mim também, né, Laila, fora que esse lance de conhecer por inteiro é coisa previsível, é isso que faz casais como seus pais se separarem, sinceramente, ninguém gosta de coisas lineares, tanto que quando a gente morre, aparece uma linha reta naquela maquininha lá, eu sei que você não tá morta, mas eu acho que é pedir demais... não que eu te escute, eu fiz e faço isso com prazer, a melodia da sua voz me faz ficar calmo... vê o que você faz, até melosinho eu fico, pelo amor de Deus, mas o que é pedir demais é que eu seja inteiramente seu se uma parte de mim se foi com tanta gente que se foi, então não me pede o inimaginável, eu te amo. Theo"

"idiota, idiota, idiota, idiota, se você acha que eu vou me derreter toda com esse mel aí, você tá redondamente enganado, eu tô pedindo pra te curar, pra te colar, mas você parece que vê o caos e se sente atraído por ele, sinceramente, tá tudo uma merda e eu te amo, não sei porque. Laila."

"você tá no caos... por isso que eu sempre volto... não dá mais, né? Theo, ainda te amando."

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Your fragile heart...

Hmm, não?

Não vou ouvir, não pedi, não perguntei, não tenho interesse em saber qual é tua banda favorita, muito menos tua música favorita deles?

Não vou compartilhar meu gosto contigo e se você tem mesmo esperanças de que algum desses teus papos-furados proporcione alguma situação propícia para uma possível interação, o mínimo que seja, faço questão de te avisar que você está enganado (como você costuma estar em tantas besteiras que fala sem saber do que está falando).

Engraçado que eu costumo ser muito agradável, costumo simpatizar com colegas e minha vontade de compartilhar frações de meu mundo com alguns deles surge naturalmente, mas você conseguiu a proeza de me fazer criar uma repulsa que eu nunca havia tido ainda.

Você escolheu sofrer pela garota certa. Você não me conhece e se depender de mim nem vai. E não adianta você insistir, bancar o simpático ou o educado (se você soubesse o quanto isso me enoja e feeds my contempt...). Eu evitei esse comportamento, essa “revelação da minha parte fria”, ao máximo. Porém, você conseguiu alcançar um patamar de intolerância em mim que eu mal consigo disfarçar; pois é, não me importo com os teus sentimentos – I don’t give a damn, at all.

É ridículo. Você pensa mesmo que eu não sei das tuas artimanhas (se é que podemos chamar essas tentativas fracassadas de artimanhas) ultrapassadas de tentar se aproximar de mim? Você se acha mesmo engraçado quando faz brincadeiras toscas? Você se acha mesmo interessante? Acha mesmo que sabe alguma coisa?

Você insistiu na garota errada. Nem para insuflar meu ego você me serve.

Cresça e me erra.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Down The Well

Eu queria falar que eu não te amo
Queria chegar e dizer na sua cara que se você voltar não vai ferrar meu mundo todo, queria dizer e realmente acreditar que dessa vez é sério
Mas não é… então vamos descer no poço como se não houvesse amanhã, vamos rever aquelas memórias idiotas e encapetadas que você proporcionou
Eu juro que dessa vez vai ser diferente, a gente cresceu, a gente cicatrizou o máximo que podia e agora não tem mais o que mostrar, nenhuma ferida aberta pra gente fingir que ainda dói se preocupar
Vou descendo esse poço com ou sem você… mas eu sei que você vai me acompanhar eventualmente.

Someone To Love

Você diz que está bem e que eu não devo me preocupar contigo, amor, mas eu não posso evitar se seu lado danificado fala muito alto com meu lado curandeiro. Você sempre foi bom pra mim e por isso que eu tenho essa necessidade tão grande de te ver feliz, você consegue ver isso também?
Eu sei que você não vai ficar tanto tempo sozinho quanto eu esperava, e eu sei que isso é normal principalmente quando você está superando uma pessoa e aqueles anos que você passou com ela praticamente não significaram nada no final além de palavras ocas e “eu te amo” forçados.
Eu quero que você encontre alguém que você ame com tanta intensidade que você mal possa respirar perto dela, eu quero que você encontre alguém que não te faça sentir tantos ciúmes e que seja gentil como você merece. E eu sei que você consegue encontrar alguem assim… Eu sei que você vai encontrar alguém assim…
Você diz que está bem e que eu não devo me preocupar contigo, amor… Mas hoje você voltou pra casa sozinho.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Carta para Benício

Caro Benício,

não foi preciso ler mais do que um texto seu para saber que você foi magoado no passado.
Suas duras palavras escondem uma mágoa interna que, pelo visto, ainda não foi curada, e você continua a escondendo usando meios tolos de contrariação.
Não se pode afirmar que "as pessoas não se amam, mas sim a um contrato que nada reflete ao verdadeiro amor".
Balela!
Vejo aí todo seu rancor e ódio querendo sobrepor, influenciando a opinião alheia, por conta dessa sua rejeição.
Posso até estar sendo precipitada, mas oras, você também foi.
Acredito que isso possa acontecer com uma parcela de pessoas, mas não generalizada. Se sua intenção era tratar desse caso específico, não fale como um todo! Jamais se pode generalizar nada, meu caro.
Existe sim, as pessoas que seguem as leis de relacionamento pré estabelecidas pela sociedade em que vivemos, em busca de somente status. Mas não são todos.
E não falo em nome da população que vive um lindo amor e que se sentiu ofendida pela sua colocação. Não, muito pelo contrário.
E se o seu caso não for de mágoa, só digo: não é porque você não ama ninguém que todo mundo não ame também.
Saia um pouco desse seu arquétipo de jovem revoltado pseudo intelectual que tenta usar palavras difíceis para ser mais um rebelde sem causa.

Com muito amor,
T.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Grr Heart

Vamos lá, amor, me veja aqui no canto da rua te mandando todos os sinais pra você se aproximar, vamos lá, amor, eu sei que nós temos o mesmo coração cinza da poluição que outros causaram e eu sei que hoje a gente nem liga pra isso.
Vamos lá, amor, hoje é dia de reprimir nossas mágoas para aquele canto obscuro do nosso poluído coração e de abraçar a oportunidade de deixá-lo pelo menos um pouco menos cinza (mesmo que seja temporariamente). Vamos, amor, que hoje a noite pode ser nossa se a gente deixar, ela é curtinha, então vamos aproveitar.
Eu largo meu cigarro e você larga teu álcool, por um segundo a gente deixa de ser tão autodestrutivo sozinho e passa a fazer isso juntos, você quer? Quer fingir que entre nós não haverá nada além de mais opacidade, então vamos logo que eu estou de braços abertos a te esperar, como "fogo e pólvora que num beijo se consomem"; como bombas-relógio prontas pra explodir, eu mal posso esperar pra gente se misturar ao ar e renascer no dia seguinte, vem?
Vamos lá, amor, vai ser lindo, assim como a noite que nos envolve nessa linda noite de dezembro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Inevitable

Eu estava realmente tentando banir esse pensamento sem sentido da minha cabeça.
Mas chegou a hora de pôr pra fora, assim quem sabe, como a maioria das vezes, quando o pensamento se projetar pra fora da minha cabeça ele realmente comece a não fazer sentido algum e eu pare de perder tempo da minha vida confabulando sobre tal.
Então lá vai...
Eu meio que não suporto mais gostar de você.
E esse tipo esquisito de raiva está tomando conta do sentimento bonito que eu achava que tinha.
É completamente exaustiva a rotina pela qual nós fomos submetidos, e eu não me acho mais no direito nem na vontade de conversar, sentir ciúmes e te esperar no meio do dia ou no meio da multidão.
Não sei se isso significa o fim próximo.

Mas agora que eu escrevi e começou a fazer algum sentido... Eu sei que significa alguma coisa.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

É isso.

Ele se levantou, pois até então estava sentado na cama. Perambulou de um lado ao outro do quarto, a mão fazendo um tour pelo queixo até se escorregar pelo cabelo, enquanto a outra repousava sobre a cintura. O casaco preto e desgastado ainda lhe caía bem; perto da gola estava desfiando. O quarto estava escuro também, as cortinas fechadas, um persistente raio solar tentando atravessar os entulhos empilhados no quarto.

Ele pôde ouvir o motor do carro, se aproximava. Estava um pouco distante da curva para adentrar o terreno, mas finalmente chegara ao local. Aquela tarde parecia não acabar, um desses dias ruins que o tempo pára justamente quando não há necessidade alguma para tal.

Ele abriu a porta, ela já prestes a bater. De cabelo bagunçado e expressão cansada, ele entregou-lhe um envelope.

“É isso? Vim de longe e não vai nem me oferecer um café?”, ela importunou sedutoramente sarcástica. Apoiando o antebraço direito sobre o vão da porta entreaberta, ele fitou-a por um momento equivalente ao dobro daquela tarde, indisposto e amargo. O casaco preto e desgastado ainda lhe caía bem, tanto quanto a amargura.

“É isso.”, afastou-se e fechou a porta. Voltou a rodear a cama, mas não se sentou. Parou diante da janela e entreolhou pela fresta, por uma das partes rasgadas da cortina, terreno afora. Ela dirigia-se até o carro, sob saltos finos e roupas elegantes, bem arrumada, bem penteada e maquiada. Entrou e, sem dar sinal de retorno, virou a curva do terreno, refazendo o caminho pelo qual viera.

Sabia que esse momento chegaria, só não sabia que demoraria tanto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pra Quando a Gente Se Encontrar

Quando eu te encontrar, vou te olhar disfarçadamente pra ver se você ainda me enxerga, quero saber se você conversaria comigo ou se virava a cara como se eu fosse alguém já perdida.
Se você vier falar comigo, garanto longos momentos de silêncios gritantes pra gente reconhecer o quão danificado ou recontruídos estamos e depois disso daremos risadas ao ver que não mudamos tanto assim e depois de uma longa conversa, a gente vai se perguntar como sobrevivemos um sem o outro.
Se a gente se encontrar, daremos abraços apertados e longos discursos emocionados, você vai dizer que sentiu minha falta e vai dizer que não se lembra porque brigamos (mesmo que a gente se lembre bem) e juraremos não nos separar mais.
Ah! Quando a gente se encontrar...
Queria dizer que eu vou ter coragem de olhar pra você e não ficar mexida; falar com você e não sentir nada, mas a verdade é: quando a gente se encontrar, a gente vai querer se falar e viver tudo de novo, mas a única garantia será o silêncio suplicante de dois orgulhosos que não querem dar o braço a torcer.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mas

Eu podia ter me apaixonado por você, mas você não é meio confuso, não tem um jeitinho subliminar, não é todo perdido, não vai ferrar a minha cabeça de artista e não vai me obrigar a ouvir jazz sábado de manhã pra curar a dor do meu coração de espírito livre.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu sou enjoada, toda errada, cheia de perguntas difíceis, palavras complexas, respostas prontas, músicas endereçadas, poesias distraídas e sou meio como o mar, que tem dias de calmaria e dias de muita intensidade.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu sempre faço questão de falar das minhas dúvidas, dos meus defeitos de menina mimada e dos meus questionamentos existenciais até perder totalmente o encanto, como a menina do filme, guardando só para os íntimos a doçura, as risadas, o carinho, o cuidado, a atenção, as confissões e o amor que não questiona.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas você cuidaria tão bem de mim que todo mundo odiaria a felicidade estampada no meu sorrisinho de canto de boca, que você levaria pra passear junto com o seu quando eu não estivesse estudando, escrevendo, dando risada ou ouvindo The Beatles na cama.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas às vezes eu tenho essa dor no peito quando respiro muito forte, e você merece muito mais do que uma bronquite crônica e sem cura que eu herdei de tantos desamores, de tantas palavras dolorosas e de tantas confissões de travesseiro.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas ultimamente eu sou do tipo que fica no seguro, e agora todo mundo tem que me ganhar nos primeiros sete segundos e depois me ganhar sempre um pouquinho, até eu ser inteira de novo e não mais uma grande cratera vazia que faz eco.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas poderia acabar me apaixonando demais, e depois poderia te querer só pra mim, e um dia você acordaria guardado dentro de uma caixinha, onde eu ia te ensinar a fazer música pra gente poder se alimentar só disso.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas comigo existe sempre um mas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bitterness and irony

Once you told me you could never love me. As much as I was disappointed and suffering, I never gave up of this, of finding someone that could love me for those little details that you would never be able to see, the smile you would be never able to stare, the kiss you would never be able to feel. I never stopped looking because I knew I was better than this, I always knew that I would find him. And I did. The truth is that he has his flaws and sometimes I feel like jumping into his neck, but when I look down deep his eyes all I see is myself.
I love him for all those things that reminds me of you and for those other things that you would never have. You can mess with my head, put me on fire, but you can't mess with my heart. You brought scars way too deep to be erased with a simple hello. And I really like you, I always did.
The irony is there. I am the one being loved. And how does it feel to you?
Once you told me you could never love me
And if what we say comes back three times stronger, then I guess you are the one that will end up here, stuck with anyone to understand you, to make you feel warm.
Now it's me the one that can't love you.

Settle

— Steph?
— Fala, Carol.
— Lembra do Ricardo?
— Seu Ricardão? —  Stephanie riu dobrando as cobertas.
— O próprio. —  Carol riu também — Sabe que eu quase casei com ele?
Stephanie arregalou os olhos, pôs a coberta na cama e colocou a mão na testa da amiga e depois na sua.
— Desculpa, Carolzinha, só queria saber se isso não era um momento de delírio e tal.
— Sério mesmo, Steph, eu sabia que você ia reagir assim, ninguém gostava dele.
— Nem você, Carol, fala a verdade.
— Não, eu não gostava dele. — Carol riu — Ele era extremamente irritante, não é?
— Amém, sister.
— Mas é porque depois de um tempo, quando a gente tá muito muito fucked up, a gente pensa que não pode mais sentir aquela coisa intensa de novo, como se ela fosse desgastando aos poucos. E seria bom pelo menos pra variar, ter alguém que quisesse me fazer feliz de um jeito pegajoso e possessivo, mas não menos apaixonado, porque tudo que eu via nele era realmente o que eu queria ser, o que eu queria sentir naquele momento...
Stephanie sentou-se ao lado da amiga, segurando-lhe a mão
— E seria bom... — Carol suspirou — Estar num relacionamento em que alguém me amasse mais do que eu a amava.
— Por que?
— Assim, se acabasse, como acabou, né... Como eu poderia sair ferida, se já tá tudo ferrado?

domingo, 21 de novembro de 2010

Te ver e não te querer...

... é improvável, é impossível.

Eu queria muito ser aquela pessoa superior que olharia pra você e não sentiria nada além de desprezo e um pouco de pena, mas ao invés disso eu fico pagando de idiota esperando que você olhe pra trás e tente se lembrar dos lindos momentos que passamos juntos, do quanto a gente já foi feliz num tempo em que conflitos não existiam no nosso dicionário.
Eu queria poder te olhar e falar, não coisas frívolas, e sim sobre a bagunça que você fez na minha vida, eu queria poder olhar nos teus olhos e te contar minhas frases feitas e minhas reações irônicas e excessivas ao seu comportamento quase previsível pra mim, eu acho que de tanto querer isso, já tive inúmeros diálogos contigo na minha cabeça.
Eu queria poder ver os seus olhos com um brilho quase como o sol e não sentir minhas entranhas quererem sair de mim até você, pra desfrutar do perfume natural que você tem e do jeito que seus cabelos ficam bagunçados quando você corre; eu queria mesmo que você não m afetasse tanto e que fosse na verdade o contrário, que você não pudesse articular as palavras quando estivesse perto de mim.
Essa seria a vingança perfeita.
"Te ver e ter que esquecer,
é insuportável, é dor incrível"

Aiai

Eu me afeiçoei a você quase que instantaneamente, não sei bem o porquê. Talvez seja o Àries, talvez fosse destino, ou desatino... Acho que foi por causa das coisas que a gente conversou e, antes de você, ninguém conseguia conversar comigo e me entender daquela forma. É, deve ter sido isso. Você sempre se mostrou sagaz e incrível. Como uma criatura advinda dos livros mais lindos que eu já li. Mesmo que por vezes eu soubesse que existia em você uma aura sombria e misteriosa, eu nunca senti medo de você, nunca quis me afastar, mesmo que no início eu soubesse que eu não podia ter você. Mesmo que eu não te conhecesse inteiramente e talvez nunca o faça, eu sei que é você a pessoa que mais bagunça a minha vida, que me espanta, que me enfurece, que me deixa indignada e me faz suspirar. Você encheu minha vida de música e de sonhos, de palavras bonitas e desilusões. Você me fez chorar tantas vezes, me fez perder a cabeça tantas vezes, mas só de imaginar seu sorriso é inevitável que um apareça iluminando meu rosto da forma mais genuína que eu conheço. Você é terrível, eu reconheço isso. Mas não me importa mais nada além disso que a gente tem. Queria que você soubesse disso.
Você me ama, eu amo você e eu nunca vou te esquecer por isso.

sábado, 20 de novembro de 2010

No reason to put a name on this.

Sim, eu estou perguntando como que eu devo me desviar dos seus olhos doce e delicadamente diabólicos se você está em tudo o que me cerca e é uma grande parte de quem eu sou. Sim, eu to pedindo pra me livrar dessa sina de te amar sem limites quando eu nem sei o que você se tornou. Sim, eu to levantando a bandeira branca e dizendo que eu tô cansada de tentar resistir, de tentar negar o que eu sinto quando só de te ver meu estômago dá um nó e minha alma sente como se ali houvesse a luz necessária para iluminar o resto dos meus dias. Sim, eu tô admitindo com uma vontade louca de gritar que não vai existir ninguém como você na minha vida. Com os seu jeito impiedoso de me fazer desejar ser sua e nada mais. Você me consome inteiramente e isso não é bom. Você não pode ter o controle, meu bem.
Mas sempre existe uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho existe uma pedra e ela se chama orgulho. Orgulhoso você, orgulhosa eu, acharemos amor em direções opostas, pois você nunca vai ser capaz de amar alguém como eu te amei, isso é verdade, você nunca vai ser capaz de me amar. Mas você continua lá, no meu andar mais alto, no meu pedestal, sem falhas, impecável, como sempre... E às vezes eu nem me lembro que você existe, é assim na maior parte o tempo que é pra doer um pouco menos, que é pra eu não me machucar, que é pra ninguém se machucar.
Mas aí você aparece.
E sempre causa um abalo em todas as minhas certezas.
Meu demônio tem nome, sobrenome e um sorriso hipnotizante.
E eu odeio te ver. E eu odeio ter que odiar você.

"Everything's falling
 and I am included in that

Oh, how I try to be just okay
Yeah, but all I ever really wanted

Was a little piece of you"

I only try to reach you, because you've always been unreachable.

I love them for their movie scenes.

 - Vá com os anjos. - Ela disse enquanto se inclinava pela janela dentro do carro e beijava a testa dele.
 - Quem disse que são anjos? - Ele disse, levantando a cabeça e a encarando.
 - Contanto que te proteja, não me importa o que são. - Ela o olhava com seus olhos de amor.
 - Gostei da resposta - Ele disse sorrindo com os olhos brilhando de fascínio ou desejo, não sei.

Ela sorriu de leve, o beijou com paixão e entrou, fingindo que quase não doía aquela saudade instantânea, desde o momento em que ele ameaçava partir.
E ele dirigindo se foi, fingindo que quase não doía aquela saudade instantânea, desde o momento em que ele tinha de de deixá-la em casa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Zombies

Quando eu mandei você ir embora, eu falei sério, mas penso que pra você não caiu a ficha ainda.
Eu lhe coloquei dentro da camada mais profunda e escura do meu coração usando todo suspiro, lágrima e fôlego que havia ainda em mim e como um asqueroso zumbi você emerge de todos os lugares pra me assombrar e me fazer lembrar que existe um pouco de você em todo lugar (até mesmo em mim) e só eu sei quão idiota  patético isso soa. Mas será que você já parou pra pensar o quanto eu tento te tirar da cabeça? Já parou pra pensar que toda vez que você aparece causa mais dano que felicidade?
Você chegou como o mais leal dos companheiros e saiu como um touro numa loja de porcelana
Para de achar que você pode consertar tudo
Para de tentar se redimir
Para de me assombrar
Só... Para...
Pra nossa vida como um só estar finalmente finalizada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cloudy Day

Hoje eu acordei e o céu estava incrivelmente cinza, e pela primeira vez eu não pensei que fosse pela chuva torrencial que havia caído na madrugada havia algo errado. Olhi pro lado e vi minha mãe dizer com olhos marejados: "Ele faleceu de madrugada"
Confesso que não sabia bem o que fazer com a informação, se chorava por perder ou se me alegrava por ele ter parado de sofrer de vez por ter se livrado daquilo que o consumia. Quer dizer, não sabia o que sentir até ouvir um côro a cantar: "segura na mão de Deus e vai" e nessa hora uma luz (não mais de lâmpadas e sim do Sol, que até então estava tímido) iluminou o lugar.
Vi tudo como se fosse um sinal e devesse contar: ele indo sozinho, com medo, chateado e um tanto perdido pela incerteza do que viria a seguir; até que aquela mesma luz o iluminou para o caminho certo, ele confiou e foi pra perto de quem também o amava e foi por isso que o Sol estava tão brilhante, para dar esperança e força, como um sinal de que ele estava bem agora e chuva só viria quando ele percebesse que tão impotentemente sentíamos a sua falta.
Só sei que hoje eu vi um muito de muita gente ir junto com ele...
Mas amanhã terá sol e saberemos que no fim das contas você segura na mão de qualquer deus que você acreditar e segue teu caminho em paz e caminha até a felicidade que emana até nos piores dias.
Posso dizer que o sol virá, desde que você tenha paciência para esperá-lo e o sinta em sua plenitude...

[in memorian, I really really liked you]

Elemento de controle

É mais fácil as pessoas julgarem outro grupo diferente e estranho e dizer: olha como são esquisitos, bizarros, olha como são diferentes. Muito mais que enfrentar a dificuldade real de tentar torná-los explicáveis, tentar fazê-los parecer humanos e compreensíveis em nossos próprios termos (GRAY, 1999).
As representações sobre supostas práticas degradantes de outros povos e culturas acabaram, na realidade, fortalecendo os próprios valores e crenças do grupo que criou as narrativas: "Imaginário é um sistema de imagens que exerce função catártica e construtora de identidade coletiva ao aflorar e historicizar sentimentos profundos do substrato psicológico de longuíssima duração" (FRANCO JR., 2003, P. 95-96). Do mesmo modo, o imaginário social funciona como importante elemento de controle entre os membros da sociedade, especialmente "do exercício da autoridade e do poder" (BACZKO, 1984, p. 310).

"Deuses, Monstros, Heróis - Ensaios de mitologia e religião viking", de Johnni Langer.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

18 and Life

Finally.




20 min.
Poxa, mas eu não quero que meu aniversário acabe!



Ass: A caçula da Alfatal.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A mão dele no meu queixo

Você sobrevive naquele momento em que eu estou com alguém e minha cabeça se distrai, deslizando meus olhos delicadamente para o lado esquerdo, enquanto a cabeça permanece imóvel, na tentativa de fingir acompanhar o que a outra pessoa está dizendo. O mesmo momento em que essa outra pessoa coloca a mão no meu queixo e pergunta, em uma caótica mistura de curiosidade e angústia, o que eu estou pensando, ao mesmo tempo em que tenta arrombar essa porta que eu coloquei entre ela e eu para finalmente entrar na minha cabeça, onde você está confortavelmente alojado. E isso viola minha liberdade de todas as maneiras que você conseguir imaginar. E essa pessoa não sabe, mas essa vai ser apenas a primeira das tantas vezes em que eu vou fazer isso, até encontrar alguém com quem eu queira passar mais do que meia hora em um restaurante ou até o dia em que você parar de sobreviver nesses segundos em que meus olhos procuram um ponto de fuga e ficam concentrados na sua estúpida e desnecessária existência dentro da minha vida. E, com sorte, um dia eu vou ficar parada na frente do microondas, vendo a comida girar, num balé interminável que me coloca em transe, e você não vai aparecer para me lembrar do quanto é um cara incrível, adorável e impossível. E a comida girando vai ser só mais uma comida girando durante cinco minutos na bandeja. E o timer vai alcançar a contagem de 3, 2, 1 e eu finalmente vou voltar a mim, sem sequer ter lembrado de você naquele espaço de tempo ocioso. E esses minutos preciosos vão ser de outro alguém, talvez daquela mesma pessoa que não vai mais precisar virar o meu queixo para me lembrar de que ela está logo ali, bem na minha frente, e não você, e não aquele lugar para onde eu fujo dentro da minha cabeça para encontrar você, rir das suas piadas tímidas, lembrar dos seus olhos, encarar a sua resignação ou para comparar você com os caras que eu conheço. Um dia isso ainda vai acontecer, eu espero, e a minha liberdade não vai ser mais violada pelos seus adjetivos e pela insegurança dos outros, que eu batizo de tempos em tempos com a minha falta de. Falta de vontade, falta de interesse, falta de atenção. Mas se nem assim, nem com o passar do tempo, nem depois de eu conhecer muita gente, você não fizer a gentileza de sair da minha cabeça, então eu quero sair dela, por favor.

sábado, 6 de novembro de 2010

Repromissão

De todas as pessoas na minha vida que eu jamais conseguiria decepcionar, você está no topo delas. Eu culpo os seus olhos piedosos e parciais por que eu nunca ousaria ferir você. Prefiro me arranhar toda do que sentir qualquer gota de suor deslizar na sua testa, do que te ver se sacrificar, do que te ver inundando em sofrimento. Tudo o que eu queria era que você percebesse que eu nunca vou te deixar. Você é minha alma gêmea e ninguém mais. Você me entende do início ao fim e não cobra nada por isso. E eu estou te observando definhar lentamente e isso é o pior. Então eu vim te prometer que eu jamais vou sair do seu lado, que nós é algo que não vai mudar. Não mesmo.
Sempre haverá espaço pra você na minha cama de casal.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Please Don't Leave Me

Você prometeu que estaria aqui, que não seria doloroso e que daqui a pouco a gente ia se ver; que daqui a pouco as coisas iam voltar ao normal se eu tivesse ao menos um pouco de paciência e tato pra saber lidar com sua ausência sem ausentar a parte de você que falta em mim.
Você disse que seria uma transição fácil, como brisa em vela de barco, como água deslizando de garrafa pra copo, algo natural... Mas com o tempo aprendi que suas promessas foram furadas e afundaram e agora pra eu conseguir voltar é como tentar nadar em gelo, ou seja, não está sendo fácil... E foda-se como está sendo pra você, porque nem me contar mais você me conta, nem faz mais questão, então eu só sei o quanto dói em mim sentir que agora, oficialmente, eu sou a "coitadinha" que eu nunca esperei ser...
Minhas metáforas pioraram, percebeu? Estão menos profundas, mais 'ordinary'...
"You wanna know what happened to me? You happened to me"
Odeio o monstro em quem você me transformou, e não odeio você ainda, então fique calmo.
Odeio ser a pessoa quem ajuda a destruir o que a gente construiu e odeio ainda mais ser a pessoa quem súplica, então em minúsculas e menor, pra você se ver diminuindo em mim:
i always say that I don't need you, but it's always gonna come right back to this, so please, please don't leave me.

Anger Management

A raiva vem de várias formas: num urro, numa briga, numa reclamação ou numa luta...
O que não te dizem é como curá-la, como tirar ela de dentro de você sem que alguém saia ferido
Porque a verdade é que a raiva destrói e reinventa: destrói o interior e reinventa através da vingança, que é a pior coisa que se pode vir da raiva, mas que ainda assim nos deixa tão satisfeitos que dá vontade de explodir.
A raiva é o pior, o melhor e com certeza... Com certeza, é inteiramente primitivo, porque desperta na gente o mais perigoso e incrível sentimento. E a gente sucumbe à raiva, a gente bate, grita, chora, urra e faz o diabo, porque naquela hora, não somos nós mesmos, naquela hora... somos humanos.

e isso assusta...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Esqueça

Ele me faz companhia na sexta-feira à noite e, quando já estou quase distraída, solta o clássico "ele não pensa em querer-te", frase construída de um jeito tão doce que parece até um carinho e não um tapa, como de fato é. Então minhas caras, desculpem dilacerar seus pequenos corações apaixonados, mas está na hora de admitir que ele, de fato, não pensa em querer-te.
Não pensa em querer-te naquele vestidinho matador, de salto alto, e cabelo arrumado, meio famme fatale, desejando que ele te escolha, enquanto dezenas de homens que você ignora te veem passar toda linda e perfumada. Não pensa em querer-te de sandália rasteira, short jeans e camiseta branca, daquele jeitinho meio desleixado, implorando pra ele te amar até naquelas horas em que você tá pouco se lixando pro circuito Paris-Tóquio-Milão. Não pensa em querer-te nas vírgulas e reticências de cada frase que você diz, mostrando todas as tentativas que deveriam ser derradeiras e não foram, porque você sempre insiste em tentar mais uma vez.
Não pensa em querer-te nas coisas que você diz e não diz, tentando soar meio misteriosa, querendo que ele deseje saber o que pensa uma mulher, digamos assim, tão subliminar. Não pensa em querer-te quando está sozinho, num domingo à noite, jogado no sofá de casa, assistindo um filme que não é de amor, como o seu. Não pensa em querer-te quando está na melhor festa, ignorando a hora em que você chegou, a hora em que foi embora e a hora em que seu braço foi puxado por outros dez homens, enquanto seu ombro empurrava as pessoas e as primeiras lágrimas manchavam seu rosto de rímel preto.
Não pensa em querer-te quando você, por raiva, aceita todos os homens que puxaram seu braço e morre em cada um deles. Não pensa em querer-te mesmo depois daquelas piscadinhas ordinárias e frases bobas que você revê mil vezes na cabeça durante a semana, achando que ele te amou naquele detalhe.
Não pensa em querer-te andando que nem uma louca, falando feito uma louca e agindo feito uma louca, último sintoma do amor quando não cabe mais no corpo. Não pensa em querer-te, meu bem, por mais que você queira muito, por mais que seu amor valha por dois. E se não confia e mim, pelo menos dê algum crédito ao Roberto.

domingo, 31 de outubro de 2010

Into You Like a Train

É como se tudo voltasse [repeat]
Oh, sim, existe um fardo dentro de mim, algo que me deixou em choque e agora eu não sei se eu consigo me recuperar... Fico lembrando dos passeios no sol, na chuva, os beijos lascivos atrás da porta e os abraços seguros no meio da violência.
Tem uma coisa que não é minha dentro de mim e eu não sei mais o que fazer pra tirar isso de dentro de mim, e eu me pergunto se alguém me ajudaria, mas não há quem fique ao meu lado por muito tempo, não atraio pessoas por muito tempo, se elas mexem comigo o dano interno é maior.
Isso me consome e me faz ficar pior e eu queria que houvesse algum outro jeito de me separar disso que mora mais em mim do que tudo e tenho medo de não me adaptar caso fique sem. Mas me consome, me destrói; como um vício em qualquer coisa frívola...
Mas eu sucumbo à tudo e deixo ficar aqui dentro por mais um tempo. Porque não sei se depois de tirar vou poder sair andando na rua como se nada tivesse acontecido, não espero uma recuperação rápida e milagrosa.
Só sei que se você souber de algo que seja suficiente pra me curar, pra me fazer sorrir ou chorar sem sentir algo errado dentro de mim, me avise por favor...
E enquanto isso, eu vou caminhando...
Como se não houvesse nada dentro de mim, como se você não vivesse dentro de mim e esperando que ninguém perceba...

Ego e identidade fictícia

Em termos psicológicos, as leis da materialização dão surgimento ao ego. O ego é uma identidade fictícia com um senso de medo, vulnerabilidade e uma necessidade de se proteger e se defender. O momento da personalidade/ego se identifica com qualquer estrutura de pensamento, ele busca manter esta identidade assim como uma pedra busca manter-se pedra.
A fim de manter sua identidade com a estrutura de pensamento escolhida, este imediatamente começa a definir sua identificação em relação às identificações dos outros egos. Assim, ele começa a produzir incontáveis sistemas de julgamento para dar suporte a tais identidades fictícias. Na medida em que a personalidade continua com suas definições, ela se esquece de sua verdadeira natureza e começa a viver no receio de perder sua identidade fictícia que ela na verdade nunca teve.

(...)

A realidade, tal como a personalidade a percebe desde as limitações auto-impostas do holograma de base nos cinco sentidos, é meramente um ponto de vista.


"O Retorno de Inanna", de V. S. Ferguson, pág. 214 e 215.

31-10

Feliz Halloween!

sábado, 30 de outubro de 2010

Às vezes...

Às vezes eu falo demais, você deveria me interromper. Reclamou.

Ponderou. Você se sente incomodada de ter me contado espontaneamente?

Talvez seja isso. Incomodou-se.

Por quê? Você acha que eu vou te julgar? Supôs.

O problema não é o teu julgamento, mas o meu próprio. Eu julgo minhas próprias ações, antes mesmo dos outros. É isso que me sufoca. Notou. Tá vendo? Estou fazendo de novo e você não me interrompeu. Zangou-se.

Por que eu interromperia se é justamente isso que eu quero? E você sabe disso. Defendeu-se.

Você é um egoísta. Pronunciou.

Você, sádica. Significou.

Ignorou. Nem deveria estar falando contigo.

Mas você não consegue, né? Esperançou-se.

Não, porque você é meu amigo.

Doeu.

Amigo mesmo, que eu conto sem me preocupar. Apesar de a consciência pesar um pouco em certas ocasiões...



(Photo: "I wish i were like you..." by TrixyPixie from DeviantArt)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Outubro

Era alva, quase avessa ao sol, a pele dela. Também não gostava de tomar sol. Tinha os olhos doces e profundos, do tipo que quando você olha dentro deles, a única resposta que obtém é: você não tem ideia do que eu tive que passar, você nunca vai me conhecer inteiramente. Ela tinha uns gostos estranhos pra sua época, pra sua idade, ela era muito irônica, mas poucos sentiam a sutileza das suas ironias.
Sentada na cadeira ela desenhava letras, flores, estrelas, o que viesse na cabeça. Preferia tudo no mundo do que estar ali naquela hora. Não sabia se falava com ele, se o procurava. Não sabia se aquilo era o que ela realmente queria. Se era o que todo mundo superestimava ou subestimava ou nenhum dos dois. Compenetrada, fechava o lábio um contra o outro de leve e franzia a testa sem entender porque não conseguia desviar sua mente daquilo naquele dia, já fazia algum tempo desde o fim.
Estava caminhando em um shopping e haviam muitos jovens em volta, vestidos de preto, com cabelos espetados ou escorridos, com seus alargadores e tatuagens. Sentiu um frio percorrer a espinha, viu a menina da sala, a menina da sala dela falando com ele. A menina acenara com a cabeça, ele a fitava, apenas a fitava. Entrou no shopping o mais rápido que pôde, o estomâgo embrulhado, pôs a mão na barriga que doía de nervosismo. Depois respirou fundo, riu de si mesma e como uma maluca disse pra si que aquela não era uma reação racional.
"Você superou isso, você superou".
Na segunda a amiga a pergunta:
"Você conhece ele?"
Na mente um milhão de imagens dele, de falas, de cenas...
E sem alterar o tom de voz ou tremer ela respondeu apenas:
"Não. Não o conheço mais."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Plano A: fail.

Não resta mais nada a ser feito.
Está na hora de um plano B.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Gum!

Querido C.

Eu estou com uma dor de cabeça enorme e o José Cuervo, meu novo melhor amigo, me aconselhou a pelo menos escrever pra você como eu estou me sentindo. E a verdade é que eu sentei aqui, no balcão desse bar pra te dizer que eu me sinto usada, mas eu acho melhor não, soa muito clichê, não é?
Vim aqui te falar com uma nova abordagem do que eu estou sentindo, acho que você é como um chiclete.
Você disse que me amava, que eu era tudo etc, e eu não acredito que eu não escutei minha mãe quando ela me disse que homens não prestam, porque eu acreditei mesmo que você pensava tudo isso, que você não queria me magoar, mas o que te torna um chiclete não é isso.
E também não é porque você é gostoso, ou doce ou apetitoso, porque dessas qualidades, só uma você tem, mas eu não te conto qual é. E sim porque você foi grudento, pegajoso e mais do que tudo: você perde o gosto muito rápido. Eu pensei que você fosse um daqueles que teriam gosto de tudo pra sempre e você perdeu o gosto com a mesma velocidade que me deixou partir.
E eu sei que daqui a uma semana, quando você ler isso, você vai pensar que eu sofro por você. E eu sofro mesmo, mas eu não vou te dar esse prazer por mais tempo. Eu sei que quando eu estiver melhor na vida, você vai voltar abanando seu rabo pra dizer que está feliz de estar de volta ao meu lado, mesmo que não me tenha.
Mas eu quero te dizer que minha paciência e tolerância acabaram e agora você deixou cair sua máscara.
   
Não faço questão de te querer de volta,
G.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dream of Me

Querido Rafael,



É bem ridículo estar te mandando essa carta, mas foda-se, eu tô mal e não tem nenhuma testemunha a não ser eu, e potencialmente você.
A verdade é que eu tive um sonho com você e eu não sei o que exatamente isso significa, só sei que eu estou sentindo muito a sua falta, isso soa hipócrita? Porque eu sei que eu transformei sua vida num inferno com minha imaturidade e meus ciúmes descontrolados, mas eu queria saber se isso ainda constitui como uma barreira pra gente não ter contato mais.
É claro que o fato de você ter mudado de cidade também influencia nessa decisão, mas nós crescemos não é mesmo? Crescemos separados, mas ainda assim, algum nível de amadurecimento veio e... Você sabe que eu estou enrolando, não é?
Eu queria dizer que nesse sonho você me dizia que eu ia ficar aqui sentindo sua falta e eu sou orgulhosa, e você sabe disso, poderia ficar aqui falando horas sobre como estar e não estar perto de você é indiferente. Mas hoje, e hoje exclusivamente, eu quero dizer que eu pisei na bola e errei grosseiramente contigo e por causa disso...
Não...
Não é isso ainda.
Eu amo, não, amar é forte demais, eu gosto de você. Como meninas gostam de meninos. E por isso que eu acho que eu sonhei com você, foi um jeito de me acordar, de mostrar que bem lá no fundo eu ainda gosto de você e ainda sinto sua falta.
Céus, eu sinto sua falta todo dia.
Não sei exatamente o que você vai fazer com essas informações, mas agradeço se você chegou até aqui dessa carta, se você leu esses breves momentos de bobagens.
Você dizia que meu problema era ser boba, lembra? Não sei... Acho que isso passou.
O que é bobagem ou loucura pra uns faz muito sentido pra outros e você faz sentido.

"Só" isso...
Sonhe comigo,

  Micaela

Dream a Little

Foi como se tudo voltasse à minha cabeça, o momento em que tudo desmoronou:
— Não, Micaela, eu não gosto mais de você e não quero te ver mais, por que você não entende isso de uma vez por todas? — ele suspirou amargamente — Eu já te amei, mas não mais, você não compreendeu ainda que eu quisesse, você fez o impensável, duvidou de mim e quis tornar minha vida um inferno, não dá. Eu não aguento mais.

E agora ele estava mais perfeito que nunca, parecia um príncipe e eu fiquei me perguntando porque eu não lutei mais, eu não expliquei. No meio dos meus pensamentos dispersos percebi que ele vinha na minha direção.
— Micaela — ele sorriu vampirescamente — Você por aqui...
— Rafael, você tá bonito.
Ele rodou lentamente, como se estivesse exibindo a roupa que usava.
— Vim de príncipe hoje, Micaela. — ele olhou para cima, o sol fez brilhar os olhos negros do rapaz e seu cabelo loiro — Estou querendo resgatar uma princesa.
Eu ri, não sabia mesmo o que fazer, estava vestida de diabinha (única fantasia que minha mãe havia encontrado de última hora).
— Nossa, então você não devia ficar muito perto de mim, eu posso te contaminar com a minha malevolência. — sorri, apenas pra indicar que era uma brincadeira, não queria dar brechas para brigas.
Ele olhou pra mim um tempo, esboçando um sorriso torto, virou a cabeça e me abraçou:
— Pois eu acho que essa fantasia faz jus à você. — ele parecia seco, mas eu senti a respiração dele, como se estivesse sorrindo.
— Claro que sim, porque eu fico linda de vermelho.
Ele me soltou, acenou que sim com a cabeça e pegou na minha mão, me puxando pra frente das escadas da casa da Manu (a dona da festa).
— Vem, Micaela, eu tenho um presente pra você.
Subi as escadas desconfiada, pensando no que ele poderia me dar. Um tapa, talvez? Ele podia me matar e fazer parecer um acidente? Me jogar do topo da escada como num filme mexicano bem brega?
Quando chegamos no andar de cima, tudo estava cuidadosamente preparado para aquele momento, tudo surreal e minunciosamente preparado para e eu só posso crer que fosse, um jantar à dois. Ele foi se aproximando da mesa, pegou com uma mão uma rosa e com a outra a câmera:
— Pegue esta flor, até combina com sua roupa. — ele apontou a câmera pra mim — Agora vem cá, Micaela, vamos gravar esse momento. Vamos nos gravar — ele estava assustadoramente entusiasmado, bailando de um lado para o outro até chegar na minha frente — Porque hoje é meu último dia te querendo, meu último dia te amando e eu acho que isso merece ficar bem gravado. — ele foi me conduzindo através do andar — Micaela... Eu amei você, isso não é maravilhoso?
— Não estou entendendo, Rafa.
— Hoje, eu vou te dar adeus, minha querida, eu vou te tirar da minha vida de uma vez... — ele sorriu, e dessa vez eu senti que ele não estava brincando — E você vai continuar aqui... Sentindo minha falta.

                                             Acordei com o coração acelerado e a barriga revirando. Se isso era uma peça do meu subconsciente, só quero deixar claro: eu não gostei...

domingo, 17 de outubro de 2010

Don't get me wrong (if I come and go like fashion, i might be great tomorrow but hopeless yesterday)

Pra quantas pessoas eu penso em ligar? Pra quanta gente eu quero escrever? De quanta gente eu sinto saudade? Quantas cartas eu escrevo mas nunca entrego? Alguns milhares. Daqui um ano serão mais alguns milhares. Mas de alguma forma você cria em mim algum senso de urgência com o qual eu não me acostumo.
Você aparece com músicas, fotos, palavras e eu não sei refrear meu impulso de tentar estabelecer algum tipo de comunicação com você. Sabe aquele reflexo imediato e insano que a gente tem quando ouve um alarme de incêndio ou uma sirene de ambulância? Qualquer sinal desses de emergência e alerta, é a mesma coisa com você.
Paro qualquer coisa que estou fazendo pra tentar fazer você entender alguma coisa que eu esteja te dizendo. Eu preciso te escrever, te falar, te alcançar do mesmo jeito que preciso comer, é instintivo e primário, não tenho escolha. E olha só, eu não me esforço pra fazer nada, nunca. Não vale a pena, eu não quero, não vejo objetivo nem necessidade. Eu espero um ano, dois anos, às vezes mais, cheia de projetos inacabados, idéias adormecidas, planos esboçados, coisas que nunca acontecem; eu estou esperando pelas coisas reais.
Alguma coisa que eu sinta borbulhando dentro de mim. Aquela coisa que muda tudo de repente. E agora minha prioridade é essa: reestruturar e reorganizar minha vida e minhas vontades de acordo com achados recentes. Coisas que eu posso fazer, pessoas que podem me mudar. Sei que é idiota, sei que não é saudável e sei que no fundo é pura preguiça de ir adiante, mas você ainda tem o melhor gosto de todos; por que eu sequer pensaria em não te ter completamente, em não te agarrar sem medo, guardar aqui comigo o pedaço seu que eu preciso pra passar o inverno?
Eu não sei, é irracional e indefinível, não existe nada que explique minhas vontades, a única explicação é que você cria em mim o que mais ninguém é capaz de alcançar.
Não tem jeito, eu não quero mais ter que esperar nem um único segundo, te quero agora enquanto a gente ainda respira no mesmo ritmo - a porta tá aqui aberta, ainda, por enquanto, e eu quero que você entre por ela e me permita ter o que eu quero. Ela está aberta mas pode fechar a qualquer minuto, e embora nada mais além disso importe muito, eu sou capaz de virar as costas pra essa porta assim que ela fechar e nunca mais dispensar um segundo pensando em você.

Entre por essa porta agora, e diga que me adora;
você tem meia hora pra mudar a minha vida.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E-Go!

Eu acredito na ciência.
Eu não acho que sentimentos ou emoções, por mais "essenciais" que sejam são solicitadas à todo minuto, eu vejo as coisas racionalmente, ou pelo menos na maioria das vezes.
Dizer que eu estou desiludida seria o eufemismo do ano. Mas também pudera... Nunca fui do tipo de pessoa que se envolveu com alguém por mais de um mês e quando eu me envolvi de verdade, só me lasquei.
Talvez o amor seja como fadas, você tem que acreditar pra ver. E eu sei que essa foi uma péssima analogia, mas eu ando meio num clima de Peter Pan esses dias.
Quando eu falo amor, eu digo como um todo. Como algo completo que seja completamente egoísta, mas que faça as pessoas envolvidas se sentirem muito bem, eu acredito no amor como a doação quase completa pra outra pessoa e eu amo com intensidade, mas na maioria das vezes eu amo o que é errado, só pra que alguém venha me resgatar de tanta desilusão, tanta merda que acontece e que se faz vista grossa.
Ultimamente eu venho guardando lágrimas, palavras e explosões dentro de mim, então tudo está fervilhando mais do que nunca e eu acho que o que me consolaria era justamente o relacionamento relâmpago que eu mencionei anteriormente, mas enquanto isso não acontece, eu me considero (e com uma parcela de orgulho) um ser humano inflamável, imprevisível.
E o Tom Hansen tinha razão, eu culpo a mídia pela minha desilusão. Porque ela faz a gente acreditar que isso existe, que o amor acontece e tudo termina bem no final, mas a verdade é que quando a gente descobre a verdade, torna-se insuportável ver que você não é a mocinha do filme e que elas existem de verdade.
Dá um nó na garganta só de pensar que esse tipo de amor é algo reservado para poucos ou pra trás das lentes
Dizem que pra toda regra existe uma exceção...
Nunca conheci uma alma excepcional assim.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Inferno

"Inferno é não haver lugar, é sentimento de não havê-lo onde estou, quando sou outro que não era. Inferno é ser obrigado a viver a vida alheia, em lugar que o não é, por sê-lo de todos e de ninguém. Não há lugar para os Infernos, nem acima, nem sobre, nem abaixo da terra. Inferno é o nome que se dá a uma das possíveis correlações entre o homem e o mundo, ou antes, à impossível relação de um com o outro, nos momentos privilegiados, em que homem deste mundo se desencontra com o mundo deste homem. É nome de uma situação liminar: eu já não sou o que fui, mas ainda não sou o que serei. Na liminaridade, já perdi o mundo em que vivia e ainda não ganhei o mundo em que vou viver."
Mitologia, de Eudoro de Sousa (p. 39-40).

sábado, 9 de outubro de 2010

Para-Frase-Ando

Eu fico me perguntando por que você não me ama.
Qual detalhe específico te incomoda tanto assim que eu não consigo ser no mínino desejável aos seus olhos. Será que eu sou tão feia assim? Ou burra?
Não, você gosta das burras. Daquelas que nunca questionariam seu gosto duvidoso e sua tendência a ser cafajeste. E eu gosto disso, mas não sou burra.
Eu procuro no mais íntimo de mim, até onde você não conhece, pra saber se o problema sou eu ou você. Se você não me enxerga ou eu não me enxergo.
Queria saber se você não vê quão boa eu posso ser
Queria saber se eu te assusto tanto quanto eu te adoro.
Mas talvez você só esteja brincando
Talvez você esteja bancando o burro
Ou talvez você só seja muito comum.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Conception

Ai, querido, eu tenho tanto pra te dizer que não sei ao certo por onde começar...
Eu gosto de você, isso é loucura?! Eu gostar de você mesmo com você longe e tão perto.
A gente se parece tanto, consigo sentir isso em todas as partes do meu corpo, eu estou realmente certa de que você foi a pessoa feita sob medida pra mim.
Seu sorriso é hipnotizante, você é lindo e parece sinceramente não ligar pra isso.
Parece que tudo que você é maravilhoso por dentro, você quer deixar apodrecer no interior, só pra deixar você menos deus e mais humano, só pra que todo mundo saiba que por trás de tudo existe um monstro extremamente desapegado e desesperançado.
Eu acho que eu gosto tanto assim de você porque eu te conheço tão bem, mas tão bem, que seria bem assustador pra você.
Nosso relacionamento nunca deve ser transposto por barreiras, nunca daria certo assim, meu bem, você é tão mau que me dá gosto, tão mau que eu preciso conhecer o seu monstro, devorá-lo, sentí-lo em minhas entranhas.
Eu te conheço tão bem porque você, amor, é a exata cópia de como eu soul, como eu me porto e tem tudo pra ser meu porto seguro e eu te adoro, só porque você não sabe disso ainda.
Mas sabe por que eu sei tanto de você? Sabe como eu te encontrei?
Igual procura igual.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Verdades

A verdade é que eu não reconheço mais aquela menina serelepe e ingênua que acreditou em cada palavra sua, eu não entendo como ela pôde ser tão idiota a ponto de se entregar tanto e não olhar pro mundo que estava à volta dela. Eu me arrependo de ter sido essa menina que te amou loucamente e quis montar o mundo em cima do que você representava.
Porque, convenhamos, você além de idiota, era patético e encantador, mas isso não vem ao caso. Hoje eu sou grata que eu te conheço, pra ver o quanto você mudou, o quanto você evoluiu e não reconhece aquele menino disposto a transpor barreiras pra estar com a mulher supostamente amada.
Nós éramos meninos e agora somos adultos, pessoas conscientes o bastante pra reconhecer que fomos idiotas, que evoluímos, meu querido.
Mas a verdade é que sua mudança foi superficial, mas isso é de se esperar, todas caíam aos seus pés e imploravam seu amor, então você destruiu mais do que foi destruído.
Mas a verdade é que você deixou uma menina ainda aqui dentro que não consegue superar o medo de se expor, se mostrar de verdade e acha ainda lindo segurar mãos.
A mulher nasceu naquele dia, mas não consegue superar todo o dano, querido, mas eu nunca te diria isso.
Não vou fazer doer em você também.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

C de cura.

Eu sei que eu tenho uma série de defeitos, que eu não sou o tempo todo uma pessoa alegre, mas que eu tenho meus machucados, minhas perdas e uma tendência a me diminuir. No seu lugar eu não me amaria. Eu sei que às vezes eu sou muito sensível e levo tudo muito a sério na maior parte do tempo e até quando eu não deveria. Mas eu poderia facilmente abandonar tudo pra estar contigo, eu enfrentaria o mundo se preciso fosse, eu me sacrificaria pra me inundar rotineiramente nos seus beijos, pra deslizar meus lábios na sua pele, pra fotografar teu corpo com minhas mãos, pra iluminar a escuridão do meu quarto com teu sorriso e isso faria os monstros irem embora. Os meus e os seus. Eu sou irritante, eu não conheço tudo o que você conhece, eu não sou linda e nem perfeita. Mas eu sei que tudo o que eu preciso pra curar qualquer tristeza ou indisposição são seus olhos mesmerizantes, intensos e meus... 
E o silêncio, o transe, o coração pulsando rápido, a leveza, o toque e o beijo. Faz o resto ficar pra trás e me faz ser agradecida por ter minha cura diária, meu milagre que assumiu forma humana, por ter ao meu lado o amor da minha vida. E eu acho que o resultado de dois corações partidos foi um inteiro e nosso.

"Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom
É ser fotografado
Mas pelas retinas
Dos seus olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez

Com essa disritmia..."

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Libra

Eu não sei porque, mas eu te sinto muito mais longe, praticamente inalcançável. Você se distancia cada vez que eu chego perto e estaria mentindo se não dissesse logo que isso me angustia mais do que tudo.
Por que então eu tento tanto encontrar você? Porque eu não me conformo com o resto que me vem? Por que eu não aceito de uma vez que isso DEVE ser difícil, pro caso de acontecer o contrário eu ficar mais grata.
Acho que o problema tá na gente que nunca se sincroniza por completo, você diz "oi" e eu quero dizer "tchau", você diz que tem esperança e eu te olho com a melhor cara cética do mundo pra dizer que o mundo está completamente perdido. Você parece aquele objetivo de vida que a gente passa por tudo pra alcançar e no final só esmagar e de nada vale ficar se torturando pra sofrer um pouco mais.
Confesso que essa tendência masoquista do meu psicológico de procurar justamente o que me machuca é extremamente danoso, mas confesso que a perspectiva de talvez ver você me curar (best case scenario), ver você perfeito e idealizado é como eu quero que você fique. É patético, mas eu acho que eu te odeio o tanto que eu te amo, e confesso que isso não me incomoda.
O amor e o ódio andam muito próximos e existe um certo equilíbrio em fazê-los com tanta intensidade, é quase poética minha devoção em te ter de vez.
E te odiar, e te amar... É a única conformação que eu consigo viver.
E quem sabe, pelo menos nisso eu consigo me equilibrar.

2.

Você não sabe mas eu sinto sua falta, rotineiramente, como um vício do qual eu não consigo me libertar... Ironicamente eu odiava isso em você, seus vícios, sua maneira de não se importar em me magoar desde o primeiro instante, mesmo que no começo parecesse que você era o único que se importava. Eu nunca vivi isso antes, esses meses que viraram anos, o laço e a união além dos pequenos símbolos disso que até hoje eu guardo.
Entalada, sufocada, arranhada, despedaçada, partida em milhões de pedaços espalhados pelo chão. Você não fez nada pra impedir isso. Pôs toda sua coragem à prova e se mostrou um covarde. A maneira como tudo terminou foi cruel e insanamente dolorosa.
Logo você partiu.
Logo você me partiu, fingindo querer ficar.
Se quisesse ficar, ficava, simples assim.
E só de sacanagem isso foi o mais perto de felicidade que eu alcancei, naqueles filmes que lembravam você, em andar na rua e te confundir com alguém com o mesmo cabelo, das músicas que a gente ouvia, dos segredos, das risadas, dos olhares furtivos e agora, das memórias.
Mas é, doeu.
E a verdade é que eu sinto sua falta agora mais do que nunca.
Por que eu nunca mais tive nada parecido com isso.

Todos temos nossos amados monstros invisíveis.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Protesto

Devemos deixar os mortos descansarem em paz.

Falicido

Tava olhando o orkut, fuçando e fuçando e quando achei você pensei logo: "meu Deus, não acredito que seja ele". Cliquei. Dedos curiosos. Scraps de amor, parece que você tá bem com ela. Parece que você tá bem, apesar desse alargador branco, essa tatuagem no braço e esse cabelo de banda gay que você tá agora. Você parecia em paz, mesmo que de um jeito junkie, você parece em paz...
E isso fez com que eu me indagasse se você não foi o mal pra gente, mas sim a gente o mal pra você. Porque eu lembro do seu sorriso tonto, das suas canções nada originais, mas não lembro de você feliz. Talvez seja melhor assim. Você de lá e a gente de cá. Talvez você fosse só uma ponte que a gente precisava atravessar, mas que ficou pra trás.


E como diria numa de suas canções, ô vocal do Fresno...
"E eu não sei se o que vi foi a cara da tristeza,
mas eu sei que não era assim, não foi bom e nem ruim,
eu tinha medo de sentir saudade de você
e algum dia conseguir entender porque."
Ainda não entendo porque eu sinto sua falta
Quando tudo o que você fez foi agir como um idiota.







R.I.P.

sábado, 2 de outubro de 2010

My love, where did we go wrong?

Tentei estupidamente arrumar qualquer desculpa, qualquer motivo, para usar como propósito de ele não se interessar mais por mim. Me agarrar a qualquer explicação aparente, porque devia ter uma.
Mas acabei por apenas me contentar que não é não. Pois apesar de sair perturbando a paz alheia, perguntando o que havia de errado comigo, não consegui respostas.
E sabe, acho que ele não me agüentaria. Não sou do tipo de garota simples sem gosto musical aparente, freqüentadora de academia, que bebe cerveja, tem longos cabelos escuros, se diverte com ele quando os pais não estão em casa, diz gostar de tudo que ele gosta e o chama de amor.
Meu gosto musical na maioria das vezes compete com o dele, não preciso fazer academia, acho o gosto de cerveja horrível, cortei meus cabelos há 2 meses e bem, o resto nós não fazemos. Não sou do tipo que demonstra.
Ironicamente, sou o tipo complexa que procura o simples.
Se fosse pra acabar com o tormento de uma vez por todas, eu diria a ele. Diria que eu gosto dele, gosto das pupilas dele quando me olham, gosto do timbre de sua voz e do seu jeito implicante.
Mas isso lhe daria algo que eu não tenho. Seria o mesmo que entregar meu coração para ser moído. Seria entregar algo que nem sei se existe. Pode ser tudo "fruto da minha imaginação" - uma confusão de sentimentos de ego. Algo dentro de mim grita “Porquê? Eu não entendo!”, e quer provar o contrário, quer ganhá-lo por orgulho... Talvez - Seria escolher entre duas coisas: sofrer e não ter mais absolutamente nada ou sofrer e me agarrar ao pingo de esperança que ousa brotar em mim, ao que nos resta. E eu sei que eu vou preferir a segunda opção, mantendo assim meu orgulho intacto.
A parte difícil é que ele se tornou mais que um objeto de desejo, é acima de tudo, meu amigo. Resultado do nosso contato diário. E veja bem, até isso mudou.
Nossas conversas não têm mais a mesma emoção e vontade. Sempre que o nosso lado romântico esfria, o lado da amizade esfria de maneira proporcional.
Foi estranho ouví-lo pronunciar meu nome esses últimos dias. Era como se não soasse certo na voz dele.
A indiferença comigo também vem me machucando aos poucos. Espero só não acordar mais tarde e pensar comigo mesma o quão idiota sou e que não vale a pena fazer tempestade em copo d’água, muito menos curtir fossa por isso e por ele.
Enfim, quero deixar claro que não estou cobrando nada. Reclamar é uma dádiva e um direito.
Tento o máximo não forçar a barra, não pedir demais e respeitar o que ele quer. Mas às vezes, os limites evaporam e cá estamos nós sendo somente dois desconhecidos para o resto do mundo.
Só escrevo porque sei (e espero) que isso jamais seja do conhecimento dele.

Cansei de jogar esse jogo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Setembro chove

É assim todo ano, ou pelo menos costumava ser. A impressão que tínhamos era que aquele era nosso mês, por causa das chuvas, dos passeios de carruagem, da primavera e todas a felicidade que emanava da gente. Sei que o ser humano é sinônimo de frustrações, de decepções consigo mesmo e com os outros, e é triste perceber que nossa carruagem está com as rodas soltas e algo não está normal.
Eu sei que você me ama porque dá pra ler nos seus olhos mesmo que eles sejam inconstantes que nem você. E você sabe que eu te amo porque eu te digo isso de maneira constante, assim como eu. É só esse o problema, é só essa diferença.Vai ver que o peso que a gente dá pra isso é o que está fazendo a carruagem bambear.
O engraçado é que ano passado as árvores estavam iguais as desse ano, eu tô olhando daqui da janela... Parece que elas nem se incomodaram com a falta de chuva ou, vai ver, o problema é comigo e tem muita coisa me incomodando.
Mas é esse calor, é, eu não nos culparia por tolas rusgas quando existe amor suficiente pra superá-las.
Eu culpo o calor porque em setembro chove e não choveu. E eu estou derretendo nesse vestido de madame...
Você, como homem, precisa consertar a carruagem.
Por que quando você não o foi, bem...
Foi quando ela começou a dar problemas.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Degenerative Damages

Arranhões, furos, alergias... Tudo isso melhora um hora, no nosso interior ou exterior, cicatriza.
E isso se deve graças à regeneração das nossas células, todo dia isso acontece e a gente nem percebe, nem vê que está acontecendo e é justamente o que nos cura.
Então hoje quero falar sobre isso para que você consiga entender exatamente como suas células se regeneram, como elas passam do nada pra algo que pode possibilitar a sua vida: divisão; ela pega aquela célula ainda viável, aquele pedaço de vida que você tem e parte no meio.
Você DEVE se partir no meio para poder se regenerar.
Você se parte e espera que copiem o que te interessa, você se agarra ao que te interessa e à nada mais. Afinal de contas, quando a gente se parte, sentimos que nada mais importa a não ser o que perdemos.
Sinceramente, o processo de regeneração é maravilhoso, quase perfeito, eu diria.
Porque na verdade, quando a gente acha que tá bem e não tá; quando a gente acha que tá cicatrizada e não está, entramos em pane.
Os danos são tão grandes e a gente se convence tão rápido e pensa: com a mesma velocidade que a gente foi partida, a gente vai se regenerar.
E a gente diz à nossa cabeça que estamos bem, que não precisamos mais daquilo e nosso corpo ainda está multiplicando as células pra gente se regenerar, então ela vai mais rápido pra atender a demanda de cura, para fazer a gente aceitar a cura por inteiro.
E quando isso acontece, quando as células se multiplicam mais rápido do que a gente consegue, nasce o câncer.
E aí, a dor além de nos assolar, ainda fica à mostra, como se dissesse: hoje, querida, e só hoje... você perdeu.

domingo, 26 de setembro de 2010

Is It Too Soon?

Eu tento manter você longe, não pensar ou reconhecer você.
Mas você fica perto, pensa em mim e me reconhece.
Você não consegue disfarçar?
Você me olha e eu acho que isso significa alguma coisa.
Você me olha como se fosse dizer alguma coisa... E nunca diz.
Às vezes eu fico me perguntando se você gosta mesmo de mim ou se é só minha imaginação te desejando tanto.
Você vê que eu te gosto? Você vê que eu te quero?
Acho que sim e faz tudo pra me provocar. E eu gosto disso porque mostra que você pode estar ganhando, mas pelo menos tá jogando meu jogo.
Eu quero te ver toda hora, eu quero te ver agora, eu quero você aqui agora. E isso pode soar mimado, mas as coisas são assim, meu bem, sabe por que?
Não se leva uma pessoa à loucura e se afasta.
Então, querido, eu vim aqui te dizer que eu não vou te ver (por mais que eu queira) hoje, ou amanhã.
Afinal de contas, você precisa sentir minha falta.


"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido"

sábado, 25 de setembro de 2010

Então Charlie Brown



- Então Charlie Brown, o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir… acho que isso é amor.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Contemplando peculiaridades

Era uma quarta-feira. Vinícius estava deitado sobre sua cama king-size enquanto mudava os canais de sua televisão com o controle remoto. Laura então surgiu com sacolas de compras; tinha acabado de chegar em casa e deitou-se transversalmente sobre ele, apoiando sua cabeça de modo que sua orelha ficasse exatamente sobre a barriga dele. Vinícius lançou um breve olhar sobre ela; notou seu sorriso jovial e em como seus cabelos alongavam-se belamente em volta deles dois. Voltou à procura de algo interessante na televisão e esperou que ela dissesse alguma coisa. Mas ela permaneceu calada. De novo, ele olhou-a rapidamente e ela não o olhava; ela parecia distante em seu próprio mundo de contemplação; perturbado, ele perguntou enquanto continuava a procura:

— Lá, quê que cê tá fazendo?

— Ouvindo os barulhos que a barriga faz — ela respondeu naturalmente, mantendo o sorriso e os olhos voltados para sua mão direita, repousada ao lado de seu rosto, sobre a barriga dele.

Esgueirou o olhar para ela mais uma vez; ela continuava na mesma posição, expressando uma mistura de concentração e encanto. De alguma forma, ela se interessava nos barulhos estomacais, ela se fascinava com isso.

— Amor... você é estranha.

O poeta Zeca

— Zeca, o que você acha dos meus olhos?

— Dizer que são lindos é pouco... a palavra 'lindo' não parece ser suficiente para descrevê-los, Ju. Eu teria que compará-los à magnitude da natureza, pois são verdes puros e intensos como a cor de uma esmeralda recém-formada dentro de uma gruta... que quando os primeiros raios solares a atingem, torna-se vivaz e pinta a paisagem ao redor com um pouco dessa tonalidade... apesar de, das... apesar das bordas serem mais claras, convidativas a se mergulhar na imensidão do interior obscuro... e misterioso... apesar disso, ainda são expressivos, e lembram a matiz de campos verdejantes sob a luz do sol matinal... como aqueles das fotos que você me mostrou da viagem, sabe?... e é interessante como as nuances deles, dos teus olhos, mudam dependendo da iluminação, ou do teu estado de espírito... em geral eles são essa mistura de verde-escuro e verde-claro, transmitem essa, uma... uma profundidade natural... isso, como estão agora. Mas eu me lembro de uma vez que você chorou e eles ficaram super claros, como se toda a força que eles emanam tivesse se misturado com o branco dos olhos de uma forma que... não é 'esvair' a palavra... como se... como se fosse tinta guache, compreende?

— Caramba, Zeca... que imaginação fértil você tem, são só verdes — replicou Ju, aos risos, sem desviar a atenção do antigo game-boy que estava jogando.

— Nossa, você me broxa assim.

Ela riu.

Caixa de memórias.

Resolvi mexer na caixa, sabe? Tudo isso porque eu tive um sonho com você. Mas nunca são só sonhos, são presságios, como sempre, desde o primeiro dia. E desde que eu te conheci eu não consigo parar de pensar em você, na forma como a gente briga, na forma como a gente pensa igual e em todos os momentos que passamos. Lembrei do teu sorriso, da tua voz, lembrei da curvinha que tem o teu nariz e do sotaque inebriante. Você sempre vai morar no meu corpo, em cada pedaço de mim. Tudo tem um pouco de você e esse peso eu tenho guardado pelos últimos tempos. Entre meu ódio e meu amor prevaleceu o amor.
Mas isso não quer dizer que você se importa.
É.
Talvez eu deva jogar essa caixa fora.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Friend's ship

É estranho perceber que mesmo depois de tanto tempo toda vez que eu falo contigo parece um retorno ao ponto que paramos, como se no espaço entre a gente, como se na nossa separação, o mundo se suspendesse. Eu sei que isso é errado em todos os níveis imagináveis, mas eu não me condeno por isso. Eu consigo pensar em milhões de motivos pra te tirar da minha vida e apenas um pra te fazer ficar: eu amo o nosso jogo. Amo por que ao seu lado eu me sinto imortal, inatingível, mais forte e poderosa...Sarcástica e impiedosa. Você é a única pessoa capaz de enxergar o que existe por baixo da carne, o que rasteja pela minha pele, sem vacilar. Nós não podemos ser um casal porque unidos não haveria sequer um local na galáxia pra caber o nosso ego. Eu consigo te mostrar tudo sem te afastar. Eu até pararia de te procurar se você parasse de me seguir em todos os cantos. Nas canções, nos olhares, nas frases e nos meus sonhos. Sempre essa ligação sobrenatural.
Ninguém que não tenha vivido isso entenderia porque o meu monstro, o devorador da minha alma é sempre quem me salva, quem me resgata e me deixa feliz. Céu ou inferno, o que eu tiver de enfrentar pra não deixar você partir eu enfrento.
Eu seguro sua mão e você a minha, numa cumplicidade secreta, proibida, para que ninguém perceba que também é amor.

Meu Santo John,

Só de pensar em te ver do outro lado da esquina meu corpo treme. Faz muito tempo desde a última vez e eu não sei se eu estou pronta pra isso. Eu sei que eu te fiz mal assim como você a mim. Acho que por isso as coisas se desenrolaram de uma maneira que não deveriam. Você sabe que eu nunca fui santa, você sabe que existe mal em mim porque você despertou isso. Eu te transformei e você resolveu se vingar...
Não adianta, meu amor, quando você sabe jogar o meu jogo. Eu preciso que você venha até mim, nem que pra isso eu vá até você. Vou te dar pistas, te enlouquecer, só pra ver você agonizando na minha teia.
E me desculpa por todo o mal que eu te causei, mas você só sabe de parte da história...
E se quiser me ter, meus braços vão estar abertos pra você.
Da sempre sua,
Coraline.


I wanted to feel life again, and maybe love can't exist without mortality.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Oh yeah... For C.

- Você é uma idiota, sabia, tá dispensando um partidão.
- E quem disse que eu estou te dispensando, hein? Eu disse que eu precisava de um tempo pra pensar.
- Dane-se, Ludmila, eu tô aqui te dizendo que eu não quero mais nada também.
Ela parou, desabou no chão com o rosto inchado e olhos marejados e disse, com o fôlego que restava:
- Eu só não posso responder isso pra você agora, entende? Não é minha culpa, tem uma pare...
- Tem uma parede no seu coração, porque você já foi partida antes - ele se abaixou e sacudiu ela, olhando-a nos olhos - TODO MUNDO JÁ SOFREU, GURIA.
- Eu sei, seu ignorante - ela chorava olhando pra baixo - Como eu posso dizer pra você que eu te amo?
- Você só toma fôlego e diz, Lud, não é uma equação, não é ciência de foguetes. É fácil, rápido, sem dor. Eu TE disse isso, eu ME expus e você faz pouco caso.
- Eu não fiz pouco caso. Eu só não respondi, eu só te olhei e você deveria entender melhor quando eu te olho.
- Eu não sei falar nem escutar "olhês", Ludmila, se toca.
- Meus olhos disseram o mesmo, se você quer saber. - ela levantou-se indo em direção à porta - Mas se eu admitir isso pra mim, Gabe, se eu admitir, você pode achar que me tem por inteiro
- Mas... - a voz dele ainda estava indiferente.
- Deixa eu terminar agora, seu babaca. - ele se calou olhando pras costas dela e enquanto ela pegava na maçaneta. - E você me tem, não como propriedade, mas como amante, amiga e todas aquelas coisas idiotas de casal. Mas eu fui ensinada a ver que dizer que ama só serve pra se ferrar, só serve pra você saber, com certeza, que você pode me quebrar, me partir mais.
- Mas - ele foi se aproximando.
- E eu tô colada, meio torta, mas colada e eu não preciso que você saiba que eu te amo, porque você pode ver que me ama mesmo ou que não me ama de jeito nenhum. - ela suspirou - É egoísta, mas quem disse que o amor era altruísta?
Ela girou a maçaneta e sentiu a mão dele na sua.
- Lud? - ele olhou pra ela como se estivesse tentando dizer alguma coisa.
- Gabe. - ela sorriu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Juventude

Ah! Estes passos que demos involuntariamente nos fizeram tão fortes. Nos fizeram tão fortes as dores escondidas nos travesseiros e aquela voz do outro lado da linha de madrugada. Nos fizeram tão doces essas memórias de tempos que para trás ficaram. E meses que foram anos, e dias que em vão passaram... Ainda existiam contos de fadas e palavras bonitas a serem trocadas. Existiam bilhetes de amor e cartas andavam em bolsos, amassadas. E as brigas, e os medos? Tudo tão infantil e sublime... Como se qualquer coisa mais dura que aquilo fosse genuínamente um crime. Tínhamos que trabalhar cedo, pra trazer alimento pra casa. Mas dava pra andar nas ruas sem medo de ser assaltada.
Então me desculpa se eu não entendo qual a graça... Nesses cabelos esvoaçantes e nessas calças coloridas, nessas simulações de suicídio e nessas síndromes de crianças perdidas. Mas é que a nossa juventude foi tão boa que não era preciso a cada dia tentar recuperar nossas vidas.

Ninguém mais percebe o quanto viver é um presente...

domingo, 19 de setembro de 2010

Estar e o Gosto

A gente adora o que está parado. Se o tempo para, é algo valioso; um objeto, o que for. Temos gosto e afeição pelo que não vive.
Porque o que é vivo, o animal, o vegetal, é efêmero como a pessoa que ama tudo isso, passa como a brisa, como a maré alta e etc.
Talvez o que esteja parado seja algo que vai perdurar, ele não tem coração, nem alma [acredita-se] e portanto, não sofre, não morre. Ele vai ainda estar aqui quando você não estiver mais então muito da gente pode ficar naquela coisa, naquele objeto. Ou tudo da gente, em alguns casos.
Acho que a gente ama o que a gente não pode ter, o inalcançável, só pra que durante nossa vida a gente possa dizer que amou algo/alguém até morrer. A gente ama o que dura, o que vê tudo e não se manifesta.
A gente amaria ter uma eternidade. Amaríamos a eternidade de um caderno, de uma casa.
Amariamos, invejaríamos e ao mesmo passo, odiariamos.
Não poder se manifestar? Não poder falar nada e só assistir seria exaustívo.
E é justamente desse amor, da inveja e do ódio que nós nos construímos, afinal de contas, o que é o ser humano senão uma combinação magistral de antíteses?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Amargura

Segundo Jung, no ser humano, a amargura raramente provém de um destino infeliz. Muita gente passou por agonias e situações de vida muito difíceis sem ter-se tornado amarga; a amargura, porém, emerge naqueles que lutam contra si mesmos, nos que vagamente percebem que são eles mesmos os culpados da própria infelicidade. Noutras palavras, os que se tornam amargurados são aqueles cuja mão esquerda trabalha contra sua direita e que, devido a uma contrapartida inconsciente no interior de si mesmos, estão sempre no "fogo", sem perceberem isso. A amargura é uma espécie de afeto oculto, ou de raiva, mas voltada para dentro exerce sufocante efeito sobre a personalidade.
"A individuação nos contos de fada", de Marie-Louise von Franz.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Someone like you and all you know and how you speak

Sabe, eu queria deixar de ser brega, deixar de citar músicas óbvias, deixar de dizer coisas previsíveis, mas pra certas coisas a gente tem que aceitar o tédio, a monotonia, os clichês.
Não posso me culpar se não sei dizer de jeitos diferentes e inovadores, ou se não consigo simplesmente ficar quieta já que é pra repetir as mesmas idéias do mesmo jeito infinitamente sem previsão de fim ou retorno. De qualquer jeito, toda essa idéia já é uma idéia conhecida e reformulada tantas e tantas vezes, a gente sempre acha que tudo a gente pensa sobre o amor que a gente sente é novo e desconhecido, mas no fim das contas é sempre igual ao amor que todo mundo tá sentindo por pessoas tão impossíveis quanto as nossas.
Todas essas pessoas tão distantes, tão alheias ao que a gente diz, ao quanto a gente chora; se existe alguma coisa que eu aprendi sobre amor é isso: se de um lado tem alguém sofrendo, do outro lado tem alguém não se importando. E não é questão de achar os culpados, já estive dos dois lados, é inevitável, uma das duas partes sempre deixa de amar e portanto deixa de se importar com o tamanho do amor do outro.
É impossível querer ser diferente. Vivi por muito tempo com medo de ser a pessoa que sofre, mas acabei sendo antes a pessoa que abandona, e vi que não tem saída mesmo, na vez seguinte eu fui a pessoa abandonada, as coisas acontecem em ciclos e a gente vai se curando e aprendendo a lidar melhor com a nossa dor e com a do outro, e a frieza de quem cumpre a ação do abandono sempre ajuda o objeto da ação a superar.
O problema real é quando os dois lados são incapazes de abrir mão de alguma coisa que eles nem sabem se tem. Isso é, quando existe um sendo abandonado e outro abandonando, por mais que pareça difícil, essa é a versão simples dos acontecimentos.
Difícil, dolorido, é ter que se ver longe de alguém, se obrigar e superar, mas não ter como suporte a distância do outro. Enquanto o outro nutrir esperanças, enquanto o outro não decidir soltar o laço, a gente continua sofrendo, teimando em amar, até que um dia uma das duas aconteça: ou o amor vira encontro, ou o amor vira esquecimento.
Mas até a gente saber a conclusão esses devem ser os tempos mais doloridos das nossas vidas.

Derrame uma lágrima na minha taça de vinho

Você podia ser terno dessa vez, terno como costumava ser, quando eu costumava crer que era eterno.
Derramada uma lágrima na minha taça de vinho, me fizestes derramá-la.
Me fazes feliz.
Me fazes meio feliz.
Pra quem lê com cuidado,
Isso significa que me fazes meio triste.
Mas e daí?
É só uma lágrima estúpida
E quando você volta pra mim
Pra mim e ternamente
Me envolve
Eu quase esqueço
Até beber o vinho contigo
E sentir o gosto salgado
E, por fim, amor
Te beijo com esse gosto na boca.

domingo, 12 de setembro de 2010

Santa Raiva

E aquela santa raiva bate toda vez que eu olho pra você.
Santa, porque na nossa cabeça estamos fazendo uma coisa altruísta. Algo bom, quando a gente não briga, não fala, nem cala.
Raiva, bom, você pode imaginar, que em meio ao silêncio todo existe muita conversa, muita raiva e muito ressentimento. Muito amor. ISSO dá raiva.
Você só me olha quando eu tô me afastando e você me chama pra voltar pra você, pros seus braços, que vai ser seguro. Vai ser tudo aquilo que a gente idealizou. Né? Eu só volto porque eu me sinto culpada... Eu devia amar você mais, devia ser mais, mas não dá, algo em mim pesa quando eu tento fazer as coisas voltarem pra estaca zero, porque eu odiava o começo.
Eu não sabia exatamente se você gostava de mim ou se forçou à isso.
Eu não sei se você sente que você "pensou tão pouco em mim e isso foi exatamente o quanto eu pensei em você". Na verdade, é exatamente isso, e mata a gente todo dia mais, saber que suas fotos agora só tem um vazio, alguém que eu costumava amar, que eu costumava conhecer, sabe?
Me mata saber que você me ama e não sabe exatamente como me mostrar.
Me mata não poder mais me abrir pra você, por medo.
Você me mata e tira um pedaço de mim todo dia.
E o que sobra é o peso no peito e um vazio no coração.

sábado, 11 de setembro de 2010

Too late to be too soon

Ela abriu a porta e se deparou com uma figura masculina um pouco mais alta do que ela, de jaqueta americana e mãos nos bolsos, carregando uma expressão distanciada, temerosa até, mas ainda rotineira.
— A Lu me disse que você estava...
— Seu maldito! Vá embora! — ela o interrompeu e, antes que fechasse a porta por completo, ele a barrou.
— Sua ingrata, eu vim aqui ver como você estava! — ele se inconformou com a reação agressiva dela. Eles ainda estavam emperrados na entrada da casa, ela do lado de dentro, ele do lado de fora.
— Pois bem, agora que já viu, pode ir! — apesar de fraca da gripe, fez força contra a porta a fim de fechá-la.
Ele então segurou seu pulso e, impedindo a porta com o pé entre o vão, fitou-a profundamente nos olhos. Estava quente, devia estar com febre. "Ou talvez seja o comportamento temperamental dela". Seus olhos marejavam e estavam avermelhados por causa da gripe, mas isso tornava a força que deles emanava mais perceptível ainda.
— Melody, chega disso, deixe-me ver como você está... — ele pediu.
— Eu estou cansada, Marcus. — ela baixou o olhar — Estou cansada e você me chama de ingrata. — ela desvencilhou o pulso da mão firme dele. Ele observou seus lábios. Estavam rachados — Marcus, a atriz era pra ser eu e não os outros... principalmente você, que é músico — ela o perfurou com o olhar obscuro.
— Melody, você está internalizando suas personagens. Acho que essa gripe veio em boa hora pra você dar um tempo no teatro, aquilo já está te afetando.
— Estou mesmo, Marcus? Estou mesmo? — ela enfatizou com impaciência — Então o problema é apenas eu, não é mesmo? Você e suas depressões repentinas nada tem a ver com todo esse teatro que vivemos, não é? Suas mudanças bruscas de comportamento não têm nada a ver, né? Oras, francamente... Eu pensava que você era diferente, eu pensava que você era verdadeiro, eu realmente pensava, mas você é só mais um deles! — ela vociferou.
— Melody, meça suas palavras ao falar comigo — fúria parecia repentinamente borbulhar dentro dele — Não sou um daqueles seus amiguinhos atores ou seja lá o que eles pensam ser.
— Justamente, Marcus! Você não é! — ela elevou a voz. A força de seus olhos pareciam ter se convertido em advertência.
Em seguida, uma crise de tosse a atacou. Marcus a observou em silêncio. Como consertar o inconsertável?
Em meio a tosse, Melody disse:
— Vá embora.
Cansado de insistir, Marcus a olhou insatisfeito. Deu às costas e encaminhou-se para as escadas, no seu rumo para ir embora. Melody mal esperou ele alcançar as escadas e já bateu a porta.

— Ué, mas já? — Lu estranhou ao ver Marcus se aproximar. Ela esperava sentada nas escadas da entrada do prédio, com um iPod na mão e apenas um fone no ouvido.
— Ela é impossível de lidar — ele resmungou sem parar de andar, quase bufando de raiva.

"Ele não percebe", Melody pensava ao observar Marcus se afastando e sendo seguido pela Lu pela janela da sala, os olhos marejando, "que toda vez que ele faz isso, ele me faz reviver o pesadelo que passei antes de ele aparecer".