domingo, 29 de setembro de 2013

Eu vou te repetir mil vezes: estar só que é o que me incomoda, juro.
Eu estou ficando velha demais para curtir festas sozinhas, meus joelhos estão cansados, provavelmente por sua culpa, porque já ajoelhei tanto e fiz tanta promessa pra ficar contigo que por um tempo eu não sabia mais o que era estar de pé. Eu estou ficando velha demais para ir ao cinema sozinha e comprar uma pipoca pequena, quando todo mundo lá dentro está com aqueles super baldes cheios e uma pessoa ao lado.
Mas isso não significa que não me parte o coração te ver com ela, mas é só um pouquinho, porque eu não entendo como você pode ser feliz com ela se eu te faria ser pelo menos o homem mais amado do mundo, nada seria entediante com a gente... Aí eu me freio, porque eu fico enfiando na cabeça que eu preciso aceitar que você preferiu ela à mim.
Não sou obrigada a ter que te ver feliz acompanhado, por isso não estranha se eu passar por você no corredor e te der um oi sem olhar nos seus olhos.
Porque na maioria das vezes eu acho que não é você estar com ela que me incomoda e eu vou te repetir mil vezes: estar só é o que me incomoda, juro.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Durante todo esse tempo que você ficou ao meu lado me ensinando como ser sozinha, tudo indica que fiquei boa nisso.
Essa não é minha vida mesmo, essa alegria é emprestada, esse sorriso é postiço. No meu rosto decorado com pó diluível, a maquiagem é à prova de decepção - especial pra quem vaga pela noite sem o retornável desejo de quebrar a cara.
Cara, eu só queria te ver mostrando que precisa de mim, vez que outra. Que me amasse com ênfase nas vezes que não mereci ser amada. Que fizesse alguma coisa ao ver outro alguém fazendo isso tudo que você não faz, por mim.
Porque, entre me sentir inútil só pra você e me sentir inútil pro resto do mundo, optei pela diversidade.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Toda Vez

Toda vez que eu encosto minha cabeça no seu colo, eu perco um pouco o juízo. Meu coração é tomado por uma paz inexplicável e eu, com minha pose de fera, viro uma gata domesticada e dengosa. Te olho com a cara mais pateta do mundo e o sorriso se alastra pelo meu rosto. Ah, é você de novo. E eu até me esqueço que tem uma semana inteira pela frente. E naquele último segundo em que teus olhos se despedem do meu, eu me estilhaço, frágil, fragmentada. Você é a melhor parte dos meus dias e a dor que toma meu peito é angustiante naquele segundo suspenso em que te vejo ir embora ou a porta do elevador se fecha. Esperar é uma coisa que eu nunca soube fazer muito bem.
Com você só piorou, meu peito urge por você, pela tua pele na minha, pela tua voz e teu cheiro.
Ai, meu amor, toda vez que você chega, meu corpo vira saudade.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Segurei sua mão quando o ar ficou repleto das palavras que eu havia acabado de vomitar, fria e cínica, nosso fim.
Mas não há porque, não, não havia porque te confortar do meu próprio sofrimento. Essa dor é minha, não sua.
Você me olhou, como se fosse a última vez que você iria me olhar com sentimento, pegou no meus cabelos e deixou essa lembrança comigo, como você sempre mexia nos meus fios e na minha cabeça e em toda a minha vida.
E eu fui embora, sem olhar pra trás, com pressa pelo que podia me esperar agora, com pressa pelo que eu esperava que a partir daquele momento você pudesse fazer, com pressa.
O rubor no meu rosto exteriorizava a raiva que assumia lugar em meu coração, cada passo meu dado com o peso de 1, 2, 3, talvez 4, talvez 6 meses passados, pesados demais para serem carregados sozinha.
E dessa vez não olhei pra trás, depois da batida da porta; ali pensei que seria a última vez que bateria a porta do seu carro; mas dessa vez, daquela vez, não fui eu quem olhou pra trás.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

In: Paciência

Não tenho estado
Em meu estado
Normal
Ausentar-se
Abstrair-se
Perder-se
Num canto qualquer
Não adianta
Continuar
Só pra juntar poeira
Nesse amor de armazém
Estocado
Pra se houver alguma emergência
Fazer com que nós
Em nosso Estado
Sobrevivamos
Nesse castelo
Nessa fortaleza
Nessa prisão.
Céus
Queria que o teto
Fosse de vidro
Não pra que atirassem pedras
Mas pra que pudessémos olhar pra cima
E lembrar o que é paraíso
Para isso
Seria preciso
Mostrar imperfeição
E como temos medo disso
E como temos medo
E como somos medo
E amor armazenado.

domingo, 8 de setembro de 2013

Poema dos dizeres pra um garçom após doses de tequila no fundo de um bar esquisito

Não sei como escapo do meu corpo
Que urge em lembrar do seu
E do peso dele
E da minha escolha
Aqui
De novo
Óvni
Ovo
É preciso renascer
Ou crescer
E você não cresce
E a gente nem renasce
Nem ressurges tu num cavalo branco
Branco deveria
Ser a cor da utopia
Mas quem é que lembraria
Que branco nem é cor
Branco é a soma
E você não some
E fica aqui dentro de mim, insone,
Igual
Estático
O mesmo gosto
O mesmo desgosto
O mesmo desgaste
Não sei como escapo do teu corpo
Agora deixe-me achar
O fundo do copo
Que o do poço
Eu já achei tem tempo.

Ave Verso

Ave Verso!
Vinde avesso
Que na pressa
Ás vezes
Ás avessas
O destino aparece
Inverso
Num universo
Singular de infinitos

Brinde pelas vezes
Que em teus olhos me desconcentro
perdido no azul-mar de amar
Que me afunila pra dentro

Ave-verso
Vinde e me permita voar
E poder partir
Sem me partir de ti
Desengaiolar

Pra virar verso-passarinho
Liberdade te pedi
E troquei o céu azul
Pela verde grama
Ave Verso de Mau Agouro
Virei perdiz
E os pés andam
Bem fincados no chão
E nem sei mais
Ser feliz.

sábado, 7 de setembro de 2013

Três verdades

Eu já chorei 3 vezes esse ano, por 3 pessoas diferentes, e por 3 motivos diferentes. Mas no fim das contas, é sempre porque elas vão embora. Elas sempre vão embora.
Eu podia ter fingido em cada um que eu não me importava, como nunca me importei muito com ninguém. Mas a partir do momento que minhas lágrimas caíram incessantes de meus olhos, percorrendo todo meu rosto enquanto eu cuspia qualquer coisa entalada dentro de mim, cada um deles soube. Eu me importava.
Mais do que eu podia fingir.
Me importo tanto que antes mesmo que eu pudesse pensar em mentir sobre meus sentimentos eu jorrei e derramei verdade.
Talvez eu tenha me tornado mais fraca a medida que fico mais velha. Ou mais corajosa, ou mais inconsequente ou menos incomodada com o que os outros vão pensar de mim.



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Ah, foi bom

E eu que pensava que te esquecer era difícil, mal sabia que te tirar da minha vida ia ser cem vezes mais doloroso. Na realidade, as duas coisas estão bem associadas, não é?
Resolvi te tirar da minha rede social favorita, dos meus planos e pensamentos, da minha rodinha de amigos, de todos os lugares e se eu te visse, imediatamente olhava pra baixo, só pra evitar ser sugada de novo pra dentro dos seus olhos que me chamam incessantemente. E todo dia eu lutava contra mim mesma pra não investigar como andava sua vida só pra ver se eu fazia parte minimamente dela.
Mas aí eu percebi seu descaso comigo e me veio uma epifania, me veio que talvez um dia a gente talvez tenha sentido a mesma coisa, ou só eu tenha sentido e fantasiado tanto que você sentia também, que pra mim era verdade. Mas a verdade é que eu nunca quis saber o que você sentia por mim, porque era muito mais fácil ficar no escuro do que tomar um não (inevitável) na cara.
Doeu quando eu te tirei da minha vida, doeu quando eu parei de reconhecer sua presença nos corredores, parei de te ver comendo sozinho na cantina e sentindo vontade de sentar do seu lado e saber da sua vida. Doeu muito, doeu como uma facada em todos os órgãos vitais, doeu porque eu vi que a minha sentença foi uma vida que você não faria parte nunca e, lentamente, a sua foto no porta retrato do nosso casamento foi desaparecendo.
Hoje, depois que eu já te esqueci e, por isso, te tirei da minha vida, eu vejo você tá feliz e no fim das contas, foi bom que eu tenha aniquilado toda e qualquer esperança sobre a gente. Mas isso não significa que eu estou feliz por você, só que eu agradeço não ter que ser parte integrante mínima da sua vida.

"Só pra você saber
Eu esqueci você
Um mês depois de você me esquecer de vez"

domingo, 1 de setembro de 2013

We can't be friends

Eu quero começar uma discussão.
Eu quero gritar com toda a força que meus pulmões puderem me dar.
Quero conter o impulso de socar sua bochecha.
Quero dificultar as coisas.
Eu quero brigar.
Brigar feio.
Quero falar coisas que eu nem sabia que queria falar.
E falar outras que eu sabia que deveria esconder.
Quero pegar outra bebida e derramar na sua camisa. De novo.
Eu quero que você me odeie e depois vá atrás de mim quando eu sair descontrolada.
Eu quero cuspir no seu rosto e nas suas desculpas.
Eu quero fazer você se arrepender.
[Quero você]
Quero você louco de raiva.
Eu quero consertar tudo depois de quebrar, pedaço por pedaço, quase invisíveis.
Quase reais.


Eu não quero ser mais uma das suas garotinhas idiotas que gostou do que teve e chora sozinha no carro numa sexta à noite enquanto você sai sem olhar pra trás.

Pra Minha Borboletinha

Deixa a dor passar
E esse sentimento, põe num casulo
Deixa ele lá seguro
Até que consigas sozinha
Preencher todo o espaço
Transformar isso em memória
E abandoná-lo no passado
Entrar pra história
E seguir em frente
Que a vida é presente
Que um dia você acordará
Teu corpo não doerá tanto assim
Tuas costas não cederão
Ao peso da angústia
Que hoje parece sem fim
Segue em frente
Vira borboleta
E aprende a rir mais
Das suas incertezas
E aprende a pousar
Nos lugares certos
E aprende a voar
Com boas pessoas por perto
E voe, voe, voe
Pra longe de tanta dor
E ria ao olhar pra trás
E nem lembrar-se mais do tempo
Em que não eras só amor.
Você é meu eterno agosto, rapaz. Louco e amargo.
Seu sarcasmo sempre foi o diabo da nossa comunicação, então eu ordeno: tira esse riso sórdido do rosto, não vá pensando que essas palavras jorram da minha boca como placebo pro meu desconforto.

A dor é meramente ilustrativa, e psicológica também.