terça-feira, 21 de setembro de 2010

Oh yeah... For C.

- Você é uma idiota, sabia, tá dispensando um partidão.
- E quem disse que eu estou te dispensando, hein? Eu disse que eu precisava de um tempo pra pensar.
- Dane-se, Ludmila, eu tô aqui te dizendo que eu não quero mais nada também.
Ela parou, desabou no chão com o rosto inchado e olhos marejados e disse, com o fôlego que restava:
- Eu só não posso responder isso pra você agora, entende? Não é minha culpa, tem uma pare...
- Tem uma parede no seu coração, porque você já foi partida antes - ele se abaixou e sacudiu ela, olhando-a nos olhos - TODO MUNDO JÁ SOFREU, GURIA.
- Eu sei, seu ignorante - ela chorava olhando pra baixo - Como eu posso dizer pra você que eu te amo?
- Você só toma fôlego e diz, Lud, não é uma equação, não é ciência de foguetes. É fácil, rápido, sem dor. Eu TE disse isso, eu ME expus e você faz pouco caso.
- Eu não fiz pouco caso. Eu só não respondi, eu só te olhei e você deveria entender melhor quando eu te olho.
- Eu não sei falar nem escutar "olhês", Ludmila, se toca.
- Meus olhos disseram o mesmo, se você quer saber. - ela levantou-se indo em direção à porta - Mas se eu admitir isso pra mim, Gabe, se eu admitir, você pode achar que me tem por inteiro
- Mas... - a voz dele ainda estava indiferente.
- Deixa eu terminar agora, seu babaca. - ele se calou olhando pras costas dela e enquanto ela pegava na maçaneta. - E você me tem, não como propriedade, mas como amante, amiga e todas aquelas coisas idiotas de casal. Mas eu fui ensinada a ver que dizer que ama só serve pra se ferrar, só serve pra você saber, com certeza, que você pode me quebrar, me partir mais.
- Mas - ele foi se aproximando.
- E eu tô colada, meio torta, mas colada e eu não preciso que você saiba que eu te amo, porque você pode ver que me ama mesmo ou que não me ama de jeito nenhum. - ela suspirou - É egoísta, mas quem disse que o amor era altruísta?
Ela girou a maçaneta e sentiu a mão dele na sua.
- Lud? - ele olhou pra ela como se estivesse tentando dizer alguma coisa.
- Gabe. - ela sorriu.

3 comentários:

  1. Aah!
    Me identifiquei :~
    Que boba, me identifico com tudo. Tudo que é gay, cheio de orgulhinho e complicado [...]


    Lindo, lindo.

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  2. "Deixa eu terminar agora, seu babaca." foi ótimo! xDDD
    Tenho uma noção, mas não entendi perfeitamente por quê ela sorriu no final...

    Gostei do texto, apesar de ele parecer não encarar o amor no mesmo sentido (tão profundo) que ela encara... Mas nós mulheres temos mesmo essa mania de subjetividade e ir além, não é? xD

    {Devaneios particulares: acho que eles não ficarão juntos no final (digo, o relacionamento deles deve durar uns meses, mas não uma vida), mas isso não é lá tão ruim, porque ela merece alguém à altura dela; ele não corresponde a essa altura, apesar de amá-la também.}

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  3. Acho que ela tá ferida e gosta dele, mas tá ferida demais pra levá-lo a sério sem achar que relacionamentos não complicam tudo. A verdade é essa, quando a gente se machuca fica frágil e ela só tá se recuperando, mas que vai durar vai, ao meu ver. Ele a enxergou quando ela estava despedaçada e ela aprendeu a amá-lo mesmo não estando inteira. Logo os dois vão crescer juntos.
    Muito lindo, Bih.
    (:

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