sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Carta #53

Eu tô olhando pra esse papel há 1 hora e não sei como te (d)escrever o tanto que a minha vida estava bagunçada antes de você aparecer e como você cuidadosamente arrumou tudo, do seu jeito, pra depois fazer um caos ainda maior. Porque a partir do momento que você arrumou tudo do seu jeito, tudo tem a sua cara, o seu cheiro e o seu gosto, então me diz como eu posso prosseguir com essa vida que você fez o favor de deixar com a sua cara, me lembrando a cada passo que eu dou da sua existência miserável nesse planeta? Eu já pensei em mil maneiras de te dizer como esse seu sorriso ainda me atinge. E não, cara, não é no meu coração. É no meu ego. Esse seu sorriso é uma afronta à todas as minhas noites mal dormidas por apenas querer ser de novo o motivo que você o exibia pelas ruas dessa cidade. A vida se tornou esse dilema entre ficar reclusa dentro de um quarto tentando não receber qualquer tipo de notícias suas e sair e ter certeza que no fundo de um bar qualquer eu vou te encontrar, mais bem resolvido impossível. Sem contar como é complicado escolher as palavras adequadas pra não dar uma dimensão imensamente maior de drama nessa história do que ela realmente tem. E antes que eu me esqueça, muito obrigada mesmo por ter destruído minha banda preferida aos meus ouvidos. Não consigo mais escutar uma música sequer sem lembrar de você e de todo o ano que passou especialmente embalado por essa trilha sonora sensacional. Tomara que um dia a gente, eu, consiga se cumprimentar sem o peso de 12 meses passados nas palavras secas, tomara que não passemos um dia de meros conhecidos e, quem sabe assim, começar do zero, "oi, tudo bom?".

 T.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A Visão da Raposa



Hoje sonhei
Sonhei com um pequeno príncipe
De sonhos tortos
De letras frágeis
Mas era a rosa
A rosa que ele queria
Não eu
Não eu que ele queria
Mas cativou
Hoje sonhei
Sonhei com um pequeno príncipe
E seu rosto bobo
De sorrisos incansáveis que só ele tem
E seu corpo todo
Jardim do Éden
E ele olhava a rosa, ai.
E ele nem me olhava.
Hoje sonhei
Sonhei com um pequeno príncipe
A rosa tinha espinhos
E ele não via
E se cortou, meu príncipe
Desde o príncipio eu sabia
A rosa murchou
O príncipe tombou
E o que sobrou pra mim?
E o que sobrou?

Drinking Habits

A gente começa com uns dois copos de vinho, quando a gente é adolescente idiota e quer quebrar as regras só pra dizer que somos adultos. Mas depois de um tempo, a sensação de embriaguez para e só vem os efeitos colaterais do dia seguinte que não são nada agradáveis.
É a primeira vez que a gente jura que nunca mais faz uma coisa que com certeza vai se repetir.
Aí depois a gente cresce, mas só na idade mesmo, porque a cabeça pouco muda, aí a gente começa a beber com os amigos, treinar responsabilidade - e autocontrole - quando é a vez de ser o motorista da vez e a bebida vira uma companheira amável e necessária, só pra dar aquela soltada na galera e a conversa fluir bem mesmo.
Aí começa o jeitinho social de beber, aquela coisa amena, de sexta feira a noite, sábado ou só no domingo, depois de uma semana cão.
Mas aí chega um dia fatídico que alguém, por alguma razão, quebra você e te larga sozinho apertando o replay da história todinha de vocês, pra saber exatamente quando o fim começou e de quem foi a culpa, se você é o único lascado ou se foi uma coisa mútua. Aí isso pega a gente pelo pé e derruba pra gente sentir que não levanta mais.
Aí que começa o hábito - mesmo que um passageiro - porque aquela velha companheira dos happy hours parece que te seda, te pega no colo e diz que tudo vai ficar bem daqui pra frente. Aí, claro, depois de parar, a gente sente aquela dor batendo na gente com um baque e vem efeitos colaterais diferentes: a gente chora, ri, até vomita pra lembrar um pouco de quando a gente era jovem e idiota e depois vem uma sensação de vazio que só quem sente sabe. E o hábito parece algo tentador quando a gente quer largar um problema sem ter que lidar com ele sóbrio, consciente, racional, então a gente bebe até esvaziar tudo que a gente sente de uma maneira esdrúxula que acaba dando certo.
Engraçado como a gente é covarde, né?

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Meu personagem preferido

Pensar em você é me conduzir a um futuro distópico e distante.
Uma realidade onde eu tenho os cabelos enormes e coloridos, porque se é uma realidade alternativa você me amaria do jeito que eu fosse.
Pensar em você é me entregar sem restrições a possibilidade de ter sido o mais feliz que algum ser humano pode ser. 
É pensar em acordar com o cheiro da farofa de ovo com um copo de café, nada de bacon e suco de laranja, que além de ser muito estadunidense, é muito mais elaborado do que o amor que a gente sentiria. 
Pensar em você, é abrir mão do que eu sou agora. Me permitir cogitar uma vida com você é renunciar a vida que eu tenho. Absorta nesses devaneios é o meu mundo que pouco a pouco desmorona.
Você pertence a um alto pedestal, feito pro homem que eu inventei. E eu te inventei inteiro. Do franzir de testa a cor dos cabelos. Dos traços ás traças que te consomem. 
Tudo é trabalho da minha inventiva imaginação.
Você é o meu botão de auto-destruição mais bonito. E a possibilidade disso ter dado certo daria espaço a tantas histórias em quadrinhos... Tantas aventuras, porque enquanto você estava aqui eu me sentia feliz e completa.
Se eu soubesse, ah, se eu soubesse que te inventar seria tão doloroso, que eu não pudesse pensar em você sem sentir os olhos encharcarem de ódio ou de amor, eu juro que eu não teria te criado em nenhuma realidade.
E que ironia que eu só possa ser feliz se meu personagem preferido morrer de vez na minha história.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A doçura presente em dias como esse

Ele resolveu tirar fotos comigo. Naquele instante percebi que apesar do riso nervoso, eu confio a ele a minha vida. Que apesar das reclamações, eu não podia exigir mais amor de alguém. Que apesar das brigas, eu não saberia viver sem ele. Que apesar de não saber dançar e não me escrever, ele me lê com os olhos e traz nos lábios aquele frescor de poesia, sabe? Céus, eu poderia passar a vida inteira o beijando. Ele ri do quanto eu sou desajeitada, mas é desajeitado também. E lida comigo de uma forma tão doce, que tudo que eu queria era imortalizar em mim a doçura presente em dias como esse.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Amor Fraternal

É aquele amor quase tão poético quanto aqueles antigos, mas menos platônico (graças a Deus!).
A gente ama mesmo naqueles momentos que a pessoa te enfurece pra sempre, apóia quando sabe que tá fazendo merda só pra ela não se sentir sozinha, a gente fala umas verdades pesadas, que doem na alma e quebram o espírito, mas só pra que nunca se perca a noção da realidade.
Vocês são assim, mesmo quando estão longe, eu sinto tão perto que acabo não contando o que tá acontecendo na minha vida por achar que vocês praticamente sentem, aí eu conserto tudo e é impressionante a atenção, o amor, o carinho e os risos com os quais vocês me recebem. É muito difícil separar minha vida da de vocês à essa altura, então se acostumem com a minha presença porque eu pretendo ficar por aqui muito tempo e com vocês sempre do meu lado.
A gente mudou bastante ao longo desses anos todos e eu tenho certeza que muita mudança mais vai vir na nossa vida, mas tá tudo bem, porque também tenho certeza que eu vou ter vocês aqui do meu lado, no meu coração, de qualquer canto do globo... Vocês se transportam sempre pra dentro de mim para que eu não me sinta só, para serem minhas muletas, quando eu me sentir fraca.
Agradeço diariamente por fazer parte de um grupo tão diferente e distinto, que torna meus dias mais doces e felizes.

sábado, 4 de janeiro de 2014

A vista do outro lado

Tua voz ainda permeia meus sonhos mais restritos. E algumas das minhas noites de insônia.
Teu cheiro me lembra casa e intimidade. E é intimidante que talvez isso seja tudo o que eu mais preciso. Você partiu e acabou comigo.
Nos momentos de fraqueza em que eu me concedo a cortesia de pensar no que fomos, eu me lembro o quanto você era ideal pra mim e o quanto eu era ruim comigo mesmo. Sinto falta da sua presença, mas tem sido bom estar comigo mesmo por um tempo. Me encontrar nesses escritos, nessas imagens e nesses momentos. A verdade é que nada no mundo mexeu comigo tanto quanto você. Nada me irritou e foi tão profundo ao ponto de modificar minha existência, como você fez.
Mas a noite acaba. Eu agradeço por mais um dia.
Na esperança de que hoje seja um dia tão bom que eu nem lembre de você.