domingo, 19 de setembro de 2010

Estar e o Gosto

A gente adora o que está parado. Se o tempo para, é algo valioso; um objeto, o que for. Temos gosto e afeição pelo que não vive.
Porque o que é vivo, o animal, o vegetal, é efêmero como a pessoa que ama tudo isso, passa como a brisa, como a maré alta e etc.
Talvez o que esteja parado seja algo que vai perdurar, ele não tem coração, nem alma [acredita-se] e portanto, não sofre, não morre. Ele vai ainda estar aqui quando você não estiver mais então muito da gente pode ficar naquela coisa, naquele objeto. Ou tudo da gente, em alguns casos.
Acho que a gente ama o que a gente não pode ter, o inalcançável, só pra que durante nossa vida a gente possa dizer que amou algo/alguém até morrer. A gente ama o que dura, o que vê tudo e não se manifesta.
A gente amaria ter uma eternidade. Amaríamos a eternidade de um caderno, de uma casa.
Amariamos, invejaríamos e ao mesmo passo, odiariamos.
Não poder se manifestar? Não poder falar nada e só assistir seria exaustívo.
E é justamente desse amor, da inveja e do ódio que nós nos construímos, afinal de contas, o que é o ser humano senão uma combinação magistral de antíteses?

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