terça-feira, 25 de junho de 2013

Pro texto

Por um pouco mais de educação
Por animais bem tratados
Por um pouco mais de saúde
Por um pouco mais de cuidados
Por um pouco mais de tolerância
Por um pouco mais de sabedoria
Por um pouco mais de escuta
Pra nos livrar da apatia
Por um pouco mais de crítica
Por menos extremismos
Por uma política que não interfira na mídia
E genuínos sorrisos
Por um pouco mais de música,
Cinema e um pouco mais de teatro
Que de pão e circo
Todo mundo já está farto
Por mais amor ao país
Por um pouco mais de carinho
Por menos sangue derramado
Pra se livrar do jeitinho
Por respeito
Pra deixar o rancor de lado
Pra não andar na cueca
O nosso dinheiro suado
Pra não ficar retido nos bolsos
De gente que não tá nem aí
Que não precisa disso
E da nossa cara põe-se a rir
Ora vamos, vamos
Que isso tudo é só pro texto
Mas no fim das contas mesmo
É que eu te testo
Sabemos o que é certo
Mas quantos vão fazer?
O que falta é unidade
Unidade é poder
E não adianta protestar
Cada um por uma razão
É tanta desumanidade
E tão pouco coração
Em qualquer canto
E em tanto lugar
Que eu cansei de querer e esperar
Ver meu país melhor, meu povo.
Agora tudo que eu quero mesmo
É um planeta novo.

Meia-noite

Nós crescemos com essa ideia tola de que só o amor romântico pode nos suprir a necessidade de ser feliz. Vivemos tão preocupados em amar outra pessoa, que não lidamos com as nossas próprias fraquezas e nem percebemos em que pedaço paramos de nos mergulhar no outro e viramos esse apanhado de medos, incertezas, mágoas e inseguranças. 
Eu tenho medo de ficar só, eu não sei se quero estar nessa posição em que há tanto rancor entre nós que não há mais espaço pra andar de mãos dadas e conversar. A vida vai, nós amadurecemos e seguimos caminhos cada vez mais distantes. Cada um preso nos seus afazeres e daqui a pouco se passaram vários anos e nós vamos nos olhar e pensar nas faltas mais do que nos acertos. Eu tenho medo de me arrepender e tenho medo de que você olhe pra mim e só veja arrependimento. Eu tenho medo de ter criado um mundo em cima de você e me transformado por você numa pessoa que eu não sou pra buscar sermos felizes. Tudo que eu preciso é que você me entenda, só dessa vez. Cada vez que eu me lasquei, eu me tornei um pouco mais amarga e insegura. Não sei se devo confiar em você de novo. Eu quero, mas não consigo. Eu olho pra você e me lembro das coisas bonitas guardadas num armário. Eu lembro de como as coisas eram doces e quentes e de uma finitude que tornava tudo perfeito. No fundo eu sei que eu sou histérica, doida, dramática e irracional. Mas no fundo eu só quero ser amada, você não vê? Mesmo que eu seja uma mulher independente e aparente ser segura, no fundo eu só quero que você me ame até o fim dos meus dias. Que eu não me torne uma lembrança que se esvaia com o passar dos dias ou da dor. A morte me assusta. Você me assusta. Mas no final do dia, apesar de toda a mágoa, de todo o ressentimento, da insegurança, do tempo...
Eu só quero ser tudo que te agrada. Ainda.

Como seria

Se eu pudesse, hoje mais do que nunca, eu te deitaria na minha cama e me encostaria no teu peito. Botaria uma música fofa no celular e botava um fone na sua orelha e o outro na minha. E nós ficaríamos quase suspensos, embalados no ritmo da música. Você não pensaria mais em revoltas, protestos, política e golpes de Estado. Eu deixaria pra lá a mania de me angustiar com decisões que eu não tomei ainda. E a gente ia ficar assim, deitados e abraçados, ouvindo alguma voz doce que agradasse a nós dois. E aí você acariciaria meu rosto e me diria o quanto eu sou linda. Eu te beijaria com meu jeito de te querer mais a cada instante e as coisas ficariam bem e o quarto ia se encher de balões, sabe? Pra mim o amor é um balão. É o sopro que enche o coração da gente até ele voar. E você, meu lobo mau, soprou até derrubar cada barreira que eu construí. E pronto, tava lá feito de cimento, uma casa com uma varanda cercando, as janelas de vidro dando pra rua. Dando prum futuro que a gente sempre soube que viria. Assim, de repente, você fez tua morada em mim. E eu fiz uma canção no teu peito, nos teus pelos, agradecendo por ter um amor que cura, que dura e que é seu e céu nos meus dias de inverno e de inferno.
A falta que você me faz ninguém nunca fez antes e nunca vai fazer depois. Tentar parar de ver você em tudo que eu sou e planejo é como tentar impedir minha respiração. Vão. Por que eu amo a vida e amo você na minha. E amo estar na sua e ser tão sua que nem sei.
Talvez eu nem esteja fazendo sentido, imperador. Talvez seja incoerência a minha marca registrada. Não sei parar de falar de amor, não sei parar de falar sobre você.
E mesmo que o caos num rompante se expanda lá fora, imperador, a gente saberia fugir de tudo isso. De toda angústia, de toda estupidez e desumanidade. E ia criar um império muito mais feliz em outro lugar que coubesse o amor que a gente tem e dá um pro outro.
Se eu pudesse, hoje mais do que nunca, eu te deitaria na minha cama e me encostaria no teu peito.
E a vida seria um pouco mais bonita, imperador... Ah! Como seria.