sexta-feira, 30 de julho de 2010

Angel

Oi, amor. Queria dizer que eu ainda sinto sua falta, mesmo depois desse tempo todo.
Da sua falta de amor próprio, de discordar sempre comigo só pelo prazer de discutir e me ver extremamente brava.
Eu queria realmente lhe dizer que eu vou te mandar essa carta para que você leia ao menos um pouco do quanto eu sinto sua falta. E eu sei que isso tá parecendo meio repetitivo, mas é que faz tempo desde a última vez que eu reconheci pra valer sua existência e é estranho dizer que eu sinto sua falta em voz alta, ou em palavras escritas porque à primeira vista parece uma mentira descabida.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

(me acompanha ou morre)

- Olha, meu bem, nem quero mais saber das suas não-respostas, do seu jeito cínico de quem não entendeu mas é culpado, nem me importo com as outras que você traz pra casa enquanto eu saio pra te tirar da minha cabeça. Mas, por favor, não me abuse, não traga suas coisas, não pendure seus quadros; se for pra me machucar, me machuque de longe que é pra eu não ver. Não esfrega na minha cara minha inaptidão pra te segurar aqui comigo. Chora, maldito.

te adoro,
t.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Capítulo V - A Jovem Sem Mãos

Um traço característico do Animus é o de ter estatisticamente razão, o que explica por que sucumbimos ao seu atrativo; mas, sobretudo quando é negativo, a infelicidade faz com que não tenha razão na presente situação. Se, por exemplo, dissermos a uma mulher solitária que deveria voltar-se ainda mais para dentro de si mesma, mergulhar na solidão para nela colher suas forças, ela responderá que necessita de relações, de distrações, e que a introversão só agravaria as coisas, pois vive isolada demais. No plano abstrato e racional, isso é absolutamente correto, entretanto, não se aplica a esta determinada situação psíquica. O que é habitualmente verdadeiro, torna-se falso na circunstância, em seu caso individual. Mas não se deve dizer ao Animus que está enganado, porque ele sabe que, de certa forma, tem razão. Deve-se dizer: "Sim, é verdade, mas neste momento preciso a situação não é como você pensa."

O Feminino nos Contos de Fadas, de Marie-Louise Von Franz, p. 135.
(Coleção Psicologia Analítica, Editora Vozes)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Yppah Yad'b!

Parabéns, amor, por mais um dia vivendo sem mim.
Te desejo toda a felicidade existente no mundo e que você se sinta sempre completo.
Completo... e-completo.
Parabéns amor, por mais um ano vivendo separado, vivendo sem mim.
Desejo que você encontre nela o que não encontrou noutras.
Desejo que você encontre nelas o que você mais ama em mim
Parabéns, parabéns!
Parabéns, amor.
Te vi aqui de novo, no pé da minha janela suplicando uma segunda chance
E abri minha porta e meu coração pra te acolher, talvez só por hoje ou só o tempo suficiente para que a gente não se mate, não é?
Parabéns, amor... Você voltou.

sábado, 24 de julho de 2010

I don't mean to bother you, but I'm in distress

Sempre achei curioso as expectativas que a gente cria.
Quer dizer, dizer que a gente tem esperanças é uma expressão bem ínfima quando se considera o que realmente acontece dentro de cada um de nós quando confrontados com a possibilidade de algo novo ser criado. Eu digo isso porque sei muito bem, também, o que é se ver frente a uma possibilidade frustrada.
Principalmente quando não foi por falta de tentativa. Eu queria ser mais desapegada, eu inclusive gosto de criar essa imagem de menina à frente do meu tempo; a menina que não se importa, a menina auto-suficiente, a menina que carrega aquela parcela saudável de misantropia - a quantidade exata pra ela poder dizer que não precisa de pessoas, ao mesmo tempo que não renega amizades e carinho de gente especial.
Mas a verdade é que por mais que eu tente esconder e as pessoas finjam não ver, eu sou tão sozinha quanto qualquer um. Eu sinto saudade de contato e confidências como qualquer um. É aquele velho clichê, hm, smithniano, I am human and a need to be loved just like everybody else does.
E embora no geral eu viva a minha sem grandes desapontamentos, porque consegui me convencer que as tais expectativas são pra algo que nem sequer existe, de vez em quando é bem difícil evitar aquele suspiro charlie-brown-like, todos nós estamos sofrendo com as nossas próprias red-haired girls (que algumas vezes vivem só dentro das nossas cabeças - essas são as piores), não tem jeito.
Não tem saída.
E não tem escolha.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Butterflies

Eu preciso sentir que você ainda sente.
Eu preciso que o seu coração dê um choque no meu, eu preciso saber que seu peito ainda aperta um pouco quando eu vou embora e se espalha como borboletas nas veias quando eu chego.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Nobel

Quer saber? Dane-se o horário e meu cansaço para os afazeres de amanhã, eu preciso desabafar isso de dentro de mim.

Estou cansada desse mal-estar toda vez que entro em contato com alguma coisa que me transporta àqueles tempos. Estou cansada de ter que lidar com essa sensação frustrante de perda, porque, afinal, eu não perdi. Eu ganhei. Ganhei um dos momentos que tanto tinha vontade de vivenciar. Minha vontade foi realizada. Ainda assim, eu tenho essa sensação, como se eu tivesse ganhado o Prêmio Nobel e o perdido em algum lugar da minha estante, como se, de alguma maneira, tivessem batido a porta do recinto com tamanha força que, consequentemente, o prêmio tivesse caído por detrás da estante e eu não pudesse mais alcançá-lo para devolver à sua posição. Em seu lugar, ficou uma marca, uma marca empoeirada, que antes era delimitado justamente pelo formato desse prêmio. E eu tenho raiva, senão pura inconformação, quanto a isso, porque toda vez que eu olho para a estante, eu não vejo mais o prêmio, mas a sua marca deixada. E essa marca provoca tamanha nostalgia que toda vez que me deparo com alguma outra marca, idêntica ou que simplesmente remete ao prêmio, eu me sinto mal e me sinto culpada por ter deixado cair o tal prêmio. Sei que tudo vem e tudo vai. Sei que a culpa não é exclusivamente minha. Porém, por mais que eu vise e adquira outros prêmios, eu ainda olho para a marca deixada e ainda imagino como estaria se não tivesse caído da estante; se ele aparentaria como quando eu me lembro dele ou se ele não atingiria mais minha atenção.

No fim das contas, necessitamos de mudanças, mas me parece que, apesar de necessitarmos, não sabemos lidar com elas at all.

What?

Um quê de tristeza presente nos olhos que costumavam queimar nos meus com um fulgor juvenil. Um resquício de amor presente nesse sorriso que sempre me irritava e nas palavras que sempre me confortavam, mesmo quando não eram as que eu queria ouvir. Você e seu maldito sotaque, você e seu terrível bom gosto pra músicas e filmes me privando de sua convivência. Seu problema sou eu. Eu sou a razão pela qual você não consegue dormir mais, pela qual você me cita em conversas com estranhos como se eu fosse um passado inalcançável. Talvez assim seja mais bonito.
Eu nunca briguei tanto com alguém como eu brigava com você.
Ninguém nunca me irritou como você me irrita
E bem lá no fundo...

É por isso que eu sinto sua falta.
Sempre foi fácil te odiar.

terça-feira, 20 de julho de 2010

In. Love.

Eu estou apaixonada por você.


Perdidamente. Loucamente. Irrevogavelmente.
E eu queria poder gritar isso pro mundo escutar, minha explosão de felicidade por estar me sentindo assim novamente.
Eu me apaixonei por você e não tenho vergonha de assumir... Só de te contar.
O problema é que você se faz de tão difícil, inalcançável, inatingível que me intimida um pouco. E isso geralmente me deixa mais atraída por você, porque eu conheço seus dois lados e eu sei que por trás de tudo existe um lado obscuro que você não gosta de "acessar", mas que eu mergulharia de cabeça num segundo.
Num estalar dos seus dedos...
Eu seria sua.
Não gosto de ser assim, submissa. Odeio que você tenha esse poder. Só acho que eu estou apaixonada por você.
Taí, eu admiti...

Sua vez, agora.

domingo, 18 de julho de 2010

Mas será que passei?

É que eu acho que amor não é cursinho pré-vestibular.
Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados.

Execráveis lembranças

É como navalha afiada.

Manchou minhas músicas, marcou minha pele. Invade minha memória e transborda em desespero.


Expurga agora minhas lembranças.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Barco

Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.
Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou. Faz tempo que quero ingressar nessa viagem, mas pra isso preciso saber se você vai também. Porque sozinha, não vou. Não tem como remar sozinha, eu ficaria girando em torno de mim mesma. Mas olha, eu só entro nesse barco se você prometer remar também! Eu abandono tudo, história, passado, cicatrizes. Mudo o visual, deixo o cabelo crescer, começo a comer direito, vou todo dia pra academia. Mas você tem que prometer que vai remar também, com vontade! Eu começo a ler sobre política, futebol, ficção científica. Aprendo a pescar, se precisar. Mas você tem que remar também. Eu desisto fácil, você sabe. E talvez essa viagem não dure mais do que alguns minutos, mas eu entro nesse barco, é só me pedir. Perco o medo de dirigir só pra atravessar o mundo pra te ver todo dia. Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena. Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.
Re-amar.
Amar.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Só Resta Sorrir

    Às vezes eu olho pra você e eu me vejo completamente exposta. Minhas idéias, aflições, amores, desamores e tudo que se passa dentro de mim. Eu fico te olhando com esperança de sentir algum dia o que eu senti antes por você, todo aquele amor que transbordava de mim como um pequeno copo d'água num tsunami, aquela coisa que te agarra e não larga mais.
    É como se estívessemos completamente nus e nada acontecesse, nossa alma está crua, primitiva, instintiva, mas nada acontece. E talvez isso seja uma coisa boa. Porque eu olho pra trás e vejo o quanto a gente se magoou naquele vai-e-vem louco de amor, lúxuria e conflitos, eu olho pra trás e olho pra hoje pensando que somos almas gêmeas (nunca duvidei disso), mas talvez nosso amor seja aquele tipo de tragédia Shakespeariana que é melhor terminar sem o casal junto, se não eles não saberiam o que fazer com toda aquela felicidade.
    Relembrando, eu olho pra hoje e me pego pensando: não acredito que eu já gostei de você, amor.
    O que fazer se meu amor se desgastou no seu?
    Só resta sorrir e seguir em frente.

sábado, 10 de julho de 2010

Alone I Break

O dia estava lá. O sol tentava me consolar, mesmo eu tendo sido tão ingrata com ele durante tanto tempo. Dizia-lhe abertamente que eu não o desejava e virava-lhe as costas sem mais, nem menos. Dizia que, por mim, ele poderia explodir, ou simplesmente exilar-se, não faria falta - ledo engano, doce audácia. Apesar das blasfêmias, ele esteve ao meu lado quando eu mais precisei. O verde e as árvores me observavam em silêncio, dispostos a me ouvir. Em harmonia com o sol, tentavam me alegrar. Entretanto, por mais que se esforçassem, eu não conseguia. Não sentia-me em sintonia com eles. O celular parecia pesar exageradamente em minhas mãos. Pesava o dobro, o triplo. Disquei os números e apaguei-os em seguida. Respirei fundo. Era o começo de um longo e doloroso processo. Olhei ao redor em busca de uma fonte de força - ou intervenção. Encontrava-me sozinha, com o peso da decisão sobre mim. O verde me abraçava enquanto os raios solares me inquietavam. O vento tentava acalmar os ânimos envolvidos, e o céu, azul e mudo, apenas observava a situação à distância. Eu sentia um borbulhar terrível, ecoando dentro de mim, desejando implodir a cada instante. Olhava para a superfície do banco ao meu lado, à procura de algum controle. O banco estava manchado e indiferente, mas estava ali, me suportando. Os pensamentos, as lembranças e os sentimentos discutiam rigorosamente, alterados entre si. A decisão, por sua vez, ensurdeceu-se e aguardou o ato da sentença. Contendo a implosão na garganta, disquei o número novamente.

Ele atendeu, contente.

"Não venha hoje. E eu acho melhor não voltarmos.", parecia outra pessoa falando. A amargura das palavras agravou a implosão na garganta e a discrepância com a tarde.

Sem maiores explicações, senão conformações, desliguei.

Prossegui o caminho... enquanto morria por dentro.

Saudade, que assim seja.

— Eu sinto saudade de você.
Ela lançou-lhe um breve olhar de alerta antes de começar a guardar os livros na mochila. Ele, passivo, a observava fazer a arrumação, apoiado sobre as costas de uma cadeira à frente.
— Duanne, eu sinto saudade. — repetiu. Dessa vez, ela nem sequer encarou-o. Seu semblante estava sério, pensativo. Ao terminar, antes de fechar a mochila, repousou as mãos sobre a abertura da mesma e começou a falar, olhando-o atentamente.
— Cerneu, você sente saudade do quê? Porque eu, sinceramente, não acho que você sente saudade de mim. Você sente saudade do quê? Da minha aparência? Dos meus beijos, dos nossos abraços? Dos momentos que passamos juntos? Porque eu compreendo que você sinta saudade dessas coisas, mas uma coisa é certa: você não sente saudade de mim.
— Você tá falando do quê? — ele estranhou. Estava confuso, não entendia o que ela queria dizer.
— Estou falando que você não sabe diferenciar o que sente saudade de fato. — amarrou a corda que fechava a mochila e colocou uma das alças sobre o ombro direito, retirando-se em seguida. Cerneu seguiu-a.
— Será que dá pra você parar e me explicar o que está acontecendo?
Duanne parou e virou-se para ele, segurando a alça da mochila com a mão direita.
— O que está acontecendo, Cerneu, é que não tá dando mais pra mim. Cansei desse vai-e-vem, dessa nossa incompletude.
— Incompletude? Duanne, você tinha dito que me amava.
— E amo.
— E por que isso agora? Já não basta tudo o que temos que aguentar para ficarmos juntos, por que complicar mais ainda?
— Não estou complicando, eu decidi.
— Posso saber o quê você decidiu, exatamente?
— Cerneu...
— Duanne, independente do que nos aconteça, eu te amo. E você sabe disso. — ele segurou-lhe a mão. Contudo, ela desvencilhou.
— Eu sei, Cerneu. Acontece que eu não acho que devamos ficar juntos novamente. Vamos aprender a conviver com as lembranças que temos e deixar o que aconteceu no passado.
— Você ainda me ama? — ele descontinuou.
— É claro que sim.
— Então por que não ficamos juntos?!
— Cerneu — ela suspirou e continuou — Temos duas situações: uma de gostar e outra de ficar junto.
— Duanne...
— Não, me escuta primeiro. — impacientou-se e encarou-o de uma maneira afrontadora — Eu sou livre para te amar, e te amo. Mas, para ficar contigo, não sou eu quem decide, são as circunstâncias.
— Vão à merda essas circuntâncias! — interrompeu Cerneu, contestando o que ela dizia.
— Dessas circunstâncias, Cerneu, a principal que me fez tomar essa decisão foi você mesmo. — Duanne prosseguiu, ignorando o comentário dele. Ele silenciou-se para ouvi-la — Apesar de nossa sintonia, eu te sentia distante. Isso me assustava. Inúmeras vezes tentei nos aproximar, mas uma única pessoa não consegue manter a comunicação de um relacionamento, Cerneu. Eu já acho estranho nos amarmos sem nos conhecermos tão bem assim, mas eu aceito. E acredito. Porém, ficarmos juntos assim, do jeito que estamos, já é pedir demais.
— Cara, eu não acredito que depois de tudo o que passamos e aguentamos você vai fazer isso... Desistir assim, sem nem...
— Espera, como é que é? — incontendo-se, ela interrompeu-o rindo debochadamente — “Aguentamos”? “Desistir assim”? Cerneu, durante todo esse tempo, quem lutou pela nossa relação, quem aguentou tudo de todos os lados, além de ter tentado fortalecer o que já tínhamos, foi EU! Fui EU, Cerneu, que me privei de tudo e de todos por livre e espontânea vontade enquanto você “seguia seu rumo”, enquanto você apenas sentia “saudade”! Tudo o que passei e tudo o que sofri foi por você, por mim e por nós! Eu não sentia saudade apenas do que passamos, mas eu sentia FALTA de VOCÊ!

Calaram-se. A direção do olhar dele estava baixa, sem um foco de atenção. Parecia vasculhar aquele chão, porém procurava apenas situar-se. Mostrava-se soturno, da mesma maneira que Duanne o vira em outras ocasiões.
— Vejo que nossos pontos de vista divergem demais. — não levantara o olhar.
— Sempre divergiram, Cerneu.
— Assim como o reconhecimento.
Ela não respondeu. Sabia que ele discordava veementemente do que ela dissera.
— Devemos terminar mesmo então... — ouvi-lo dizer tais palavras eram mais impactantes do que em seus pensamentos.
— É. — ela engoliu, todavia sentia apenas um nó na garganta. Mesmo decidida, essa história ainda lhe afetava.
— É isso o que você quer? — ele subitamente encarou-a profundamente nos olhos. Estava mais sério do que nunca. E distante.
— É. — séria, Duanne sentiu seus olhos queimarem.
— Bom... que assim seja então.

Far Away

Você vive me dizendo que tudo vai dar certo e que nós estaremos juntos um dia, que riremos das adversidades que a gente passa agora, que apreciaremos cada momento junto porque a gente não tem muito desses, não é mesmo?
Eu não sei, em que momento exatamente eu decidi que você foi feito pra mim e eu fui feita pra você... O que eu sei é que isso é um fato e que você sabe disso tanto quanto eu, mas acho que no meio das nossas conversas, das juras silenciosas, a gente preferiu se afastar... Pra não sofrer, acho.
Mas de que adianta se quando eu saio pra procurar pessoas, procurar mais um relacionamento fracassado, nenhum deles é tão bom quanto você?
 Procurar em outros corpos só funciona por um tempo...
Persistir é estupidez.
E eu sei que eu posso não usar palavras tão bonitas quanto a sua, nem ser tão fria, mas a mensagem final não é a mesma?
Você é e uma parte de mim diz que sempre será o perigo que eu gosto de correr, a pessoa que mais me faz mal é você e ainda assim isso me faz bem. Um masoquismo romantizado (?) talvez, mas saber que você sente o mesmo, de uma forma, faz tudo valer a pena.
Persistir na ideia de que alguém é como você. Que faz o que você faz. É estupidez.
Mas a maior estupidez é a gente não ficar junto.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Irritafetações

Nunca pensei que eu fosse uma pessoa fácil de lidar, seria me iludir e se iludir é a pior espécie de ilusão.
Minha vida nunca foi uma calmaria. Eu nunca fui constante e eu sei que consigo tirar pessoas do sério mais do que minha cara de "não mato nem mosquito" poderia te fazer acreditar. Eu me preocupo com as pessoas que eu machuco no caminho, mas eu gosto de magoá-las às vezes. Dar indiretas, fazer comentários maldosos... Por que enquanto elas se afetam e continuam ao seu lado significa que você as afeta. E você me afeta...
E você me irrita.
E se eu te irritei...
E se eu te afeto
Por que cargas d'água você não fala comigo de uma vez?
Quer saber?

Vá ao diabo.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Amor de menos

Tinha sentido uma vontade sobrenatural de ligar para alguém que não me atenderia mais, tenho vontade de dizer que faz falta o que não vivi.
Depois desse longo período ausente de sentimentos, pude perceber as coisas com devido raciocínio.
Ele não me via de verdade, eu não o via de modo algum, mas tinha o coração pálido. Tudo parecia tão “quase”, quase lá, pela metade, sempre faltando, faltando o fim. Como se as mãos fossem suspensas no meio de um gesto, a voz contida no meio de uma palavra...
Ele não via o meu silêncio nem meu movimento dentro dele.
Não que fosse amor de menos, ele dizia depois, ao contrário, era amor demais... Você acreditava mesmo nisso?
Dizer-me que tinha certeza de que senti algo, logo eu, que nunca amei ninguém, que prepotência.
Engraçado que tudo aquilo que eu esquecia ou negava, soube vagamente em plena queda, era o que eu mais era. O pior não seria nunca a morte real, o nada e o nunca, pior era não lembrar, não poder ou não querer lembrar. Expurguei qualquer pensamento semelhante, como quem tenta matar memórias indesejáveis para passar, supostamente, a vida a limpo. Como se fossem demônios querendo invadir meu ser, que tão imaculado era sem as lembranças.
Porém, continuamente me indagava, por que você se foi, se sabia que haveria uma distância e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto?
Senti um imenso vazio no começo. Parei de reconstruir a vida. Parei de ser e de fazer qualquer outra coisa além de esperar que ele voltasse. Seria tão perfeito se fosse exatamente assim como penso que lembro, anos depois, que ficou como se tivesse sido...
Há tantas coisas que eu gostaria de lhe dizer, mas eu não sei como. Porque talvez, você seja o único que possa me salvar. E mesmo depois de tudo... Ah, querido, eu estou tão bem.
Não será mais preciso gastar minha caligrafia, nem papel, nem tempo, nem vida para escrever sobre você.

Às vezes a gente vai se fechando dentro da própria cabeça, e tudo começa a parecer muito mais difícil do que realmente é.

domingo, 4 de julho de 2010

História esquisita sobre gente esquisita.

Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas me sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só esta vontade quase simples de estender o braço para tocar você.
Faz tempo demais que estamos aqui parados conversando nesta janela, já dissemos tudo que pode ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer, tenho a sensação/impressão/ilusão de que nos compreendemos, agora só preciso estender o braço e, com a ponta dos meus dedos, tocar você, natural que seja assim: o toque depois da compreensão que conseguimos.
Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha para mim, sorri. Quanto tempo dura? Há pouco caiu uma estrela e fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi para saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos. Sorri com os olhos, com a mesma boca que mais tarde, um dia, depois daqui, poderá me dizer: não.

Há uma espécie de heroísmo, então quando estendo o braço, alongo as mãos, abro os dedos e brota. Toco. Perto da minha a boca se entreabre lenta, úmida, cigarro, chiclete, vodka, vermelha, os dentes quase se chocam de tanta vontade. Amanhã não sei, não sabemos.

Pensei em você. Eram exatamente três da tarde quando pensei em você.
Sei, porque sacudi a cabeça como se você fosse uma tontura dentro dela e olhei para o relógio da cozinha. Ah, no fim destes dias de início de inverno, entre os engarrafamentos de trânsito, as pessoas enlouquecidas e a paranóia à solta pela cidade, no fim destes dias, encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que passa a mão pelo meu rosto, pelos meus cabelos na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar na curva do teu ombro.

Você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem. O telefone toca três vezes. Isto é uma gravação deixe seu nome e telefone depois do bip que eu ligo assim que puder, ok?
O cheiro do teu corpo persiste no meu durante dias. Guardo, preservo, cheiro o cheiro do teu cheiro grudado no meu. E basta fechar os olhos para mergulhar novamente em você. Alguma coisa então pára, todas as coisas param. Os automóveis nas ruas, os relógios nas paredes, as pessoas nas casas, as estrelas que não conseguimos ver aqui do fundo da cidade escura. Olho no poço do teu olho claro, meia-noite em ponto. Quero fazer um feitiço para que nada mais volte a andar. Quero ficar assim, no parado.
Fala fala fala. Estou muito cansada. Já não identifico nenhuma palavra do que você diz. Apenas me deixo embalar pelo ritmo de sua voz, dentro dessa melodia monótona angustiada perplexa repetitiva.
Quase três da manhã. Não temos aonde ir, nunca tivemos aonde ir.
"Vamos parar por aqui". "Quero acordar cedo, caminhar no parque, parar de beber, parar de fumar, parar de sentir... Estou muito cansado". "Não faz assim, não diz assim". "Eu tenho medo". "Medo é culpa, medo é moral. Não vê que é isso que eles querem que você sinta? Medo, culpa, vergonha..." "Eu aceito, eu me contento com pouco". "Eu não aceito nada nem me contento com pouco".
Eu quero muito, eu quero mais, eu quero tudo. Eu quero o risco. Nada mais importa. Agora você me tem, agora eu tenho você.
Nada mais importa. O resto? Ah, o resto são os restos. E não importam.
Largue tudo. Venha comigo para qualquer outro lugar. Agora, já. Peço e peço e não digo nada, mas peço e peço diga, diga já, diga agora, diga assim.

Você não diz nada. Você não me vê por trás do meu olho. Você não me escuta por trás da minha boca. Você planeja partir para um país distante, sem mim, de onde muitos anos depois receberei a carta de um desconhecido com nome impronunciável anunciando a sua morte. Foi em abril dirá, abril ou maio. Ou setembro, outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota.
Lombra.
Aqui parece que o tempo não passou, quero te mostrar um vitral, esta sacada, aquele prédio, monumento, tudo que mais gosto. Quero dividir meu olhar, desaprendi de ver sozinha e agora que tudo perdeu a magia, se magia houve (e havia), e não consigo mais ver nenhum herói intergaláctico em você... E agora que vejo apenas um rapaz, olho para tudo isso que vejo e não tem outra magia além dessa, a de ser real, e vou dizendo lenta, como quem tem medo de quebrar a perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, na tua alma fria, e vou dizendo louca, e vou dizendo longo sem pausa — gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você.
Por favor, não me empurre de volta ao sem volta de mim, há muito tempo estava acostumada a apenas consumir pessoas como se consome cigarros: a gente fuma, esmaga a ponta no cinzeiro, depois vira na privada, puxa a descarga, pronto, acabou.

Desculpe, mas foi só mais um engano? E amanhã não desisto: te procuro em outro corpo, juro que um dia eu encontro.


Não temos culpa, tentei.


Tentamos.

sábado, 3 de julho de 2010

Amor.

Todos dizem que o amor se tornou algo banalizado e eu não discordo, eu só desejo ressaltar certos pontos sobre isso.
Como a gente banaliza algo que a gente não sabe direito o que é?
Eu acho que o amor se tornou algo banalizado sim, mas eu acho que pra isso tem um motivo: as pessoas se tornaram um pouco mais amáveis com o passar do tempo, mais abertas ao mundo, mais abertas às pessoas, mais abertas ao amor.
Daí a gente dizer que ama as pessoas tão rápido.
Mas eu acho que isso vem muito do medo que as pessoas tem de perder outras que imediatamente quando a gente vê que não quer perder ela, a gente diz que a ama.
Só pra que ela não vá embora.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Saudade e Nostalgia, o encontro.

Saudade e Nostalgia são conceitos que vivenciam uma relação vivaz, hoje.

Andam de mãos dadas, um acompanhando o outro, assim como costumávamos também.
Ambos compartilham suas semelhanças e disparidades. E se completam na presença do outro.

Cegos, estão cegos. Cegos pelo exato momento que respiram um do outro. Cegos pela harmonia e promessas derivadas de si mesmos. Perdem o sentido singular para unificarem-se em outro plano, inatingível até então. Encontram-se no mesmo espaço-tempo, apesar deste apresentar-se deslocado e provisório em suas coexistências.

Após a interação desnorteadora, distanciam-se. Seguem seus caminhos e seus empregos frasais. Mas a marca da experiência se faz crescer e enraizar, ocultamente, à espera de uma situação propícia para se mostrar presente no cerne. Voltam a conviver com o Tempo e a Memória; aquele segue, enquanto esta, provoca.

No final, todos aguardam, resignados, a reinteração e as surpresas advindas.


I'm sorry... but I won't be there for you always, my dear.