domingo, 30 de maio de 2010

A donzela, o notívago e o tempo

Era uma noite quente, apesar do conjunto de nuvens cinzentas penduradas feito um móbile no céu. Ela estava sozinha em seu apartamento, o ar indomável se esvaindo através do reflexo no espelho, dando brecha para que aparecesse em seu lugar a mais comovente face de solidão. Não que ela não tivesse amigos ou família com quem ela pudesse contar, pelo contrário, era só que as feridas que ela carregava eram grandes e profundas, feridas na alma que só o tempo cura e, às vezes, nem ele.
Toda essa tristeza que ela sentia se intensificava. Se ela dissesse que estava infeliz à alguém isso demonstraria ingratidão e ela era muito grata por tudo e todos e isso a fazia sentir pior... Afinal, se ela tinha uma boa condição de vida, tanta gente no seu caminho capaz de fazê-la sorrir então porque ela não se sentia genuinamente feliz?
Essa sensação não era justificada pela ausência de um amor romântico, coisas inexplicáveis provocaram nela aquele turbilhão de emoções.
Ela não era frívola ou apática, não era anti-social, tampouco popular. Era sim uma donzela solitária tentando adaptar-se ao convívio social.
Tinha um bocado de sonhos, isso tinha. Uma porção de desejos resolutos, escondidos. Até porque era mulher e sendo, uma das primeiras lições que aprendera era a manter-se em resígnio.
Sonhar acordada era tudo que lhe restara.
Caminhou elegantemente até a janela e ficou olhando, como se assim fosse capaz de encontrar uma justificativa para seus questionamentos. Depois de alguns instantes sentou-se em frente ao espelho. Lembrou-se da última vez que ela havia contado à alguém como se sentia. "Você ainda é jovem, existe tempo pra que você descubra o que veio fazer aqui", ele replicava, "mas não se preocupe que eu estarei aqui".
Ela abriu os olhos. A muito ele havia partido. Era como se ela sempre houvesse sido uma mera expectadora de seu próprio destino.
O cansaço começou a se manifestar e ela resolveu ir dormir. Pela primeira vez, desde que se mudara para aquele apartamento seis meses atrás, deixou a janela aberta. Dela vinha uma brisa boa, refrescante... E por fim sonhou.
Caminhava numa viga de aço, muito acima do chão, usando um vestido branco de seda com um detalhe nas mangas rendadas num tom roxo florido. O vento batia em seus cabelos, que no sonhos estavam muito mais longos que os dela eram. Foi quando uma porta apareceu em frente. Um homem alto parou ao seu lado e perguntou se podia entrar. "Entre" ela respondeu. Venha comigo - disse o homem cujo rosto ela não conseguia ver - e ofereceu-lhe a mão. Ela foi caminhando na direção dele e a viga ficando cada vez mais estreita. A voz dele a chamava, ele tinha algo de hipnotizante, algo que ela temia e simultaneamente não conseguia escapar. Ele a abraçou pela cintura e ela levantou os pés do chão com os olhos fechados. Sentia que ele era um velho amigo. Quando abriu os olhos ainda com as mãos envolvidas no pescoço do homem sem rosto, viu casas tombando como se fossem feitas de papel lá embaixo e se soltou afastando-se dele. Era culpa dele, ela sentia que era. Foi afastando-se com terror transbordando dos olhos e agora conseguia ver os olhos dele, negros, perversos e tão concentrados nela. Ele esticou a mão e gritou desesperado. A viga se estreitou tanto que ela, recusando a ajuda dele, caiu.
Foi tudo muito rápido no momento seguinte. Ela abriu os olhos, o coração batendo acelerado, um raio caiu lá fora e deu pra ver claramente o rosto de alguém olhando o dela com curiosidade. Em átimos não havia nada ali.
Confiando na sua sanidade, ela levantou e foi acender a luz. Não tinha nada de valioso ali exceto talvez o computador, a televisão e o celular. Checou a casa mas não havia barulho algum além da chuva fina que caía lá fora.
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Foi um processo bem demorado pra ela ignorar a desconfiança de que alguém a observara, ainda a observava. Fechou os olhos e sentiu uma respiração gelada em seu rosto.
- Fique aí, imóvel. - Ela ordenou serena enquanto abria os olhos. - Quem é você? - Ela falou com um tom seco e assustada.
-Ora essa! - uma voz grave e aveludada respondeu-a se originando de algum lugar perto da cama. - Não foi você quem me convidou pra entrar, Sarah? - Ele disse enquanto se posicionava ao lado dela na cama, por cima do cobertor dela. Colocou as mãos na nuca e cruzou os pés. Se houvesse alguém ali para fotografar seria fácil dizer que ele era o dono do quarto e ela alguma namoradinha acanhada.
- Como eu convidaria alguém que eu nem conheço pra cá? Sai da minha casa ou eu chamo a polícia.
- Você não se perguntou como eu entrei? As portas estão trancadas. Eu não toquei em nada e mesmo se você chamar a polícia vão te chamar de louca. Eu posso desaparecer, se for de minha vontade. Mas perdoe-me a grosseria, Sarah... -disse ele tirando as mãos das nuca e esticando uma delas na direção da moça coberta e espantada - Me chamo Álvaro. E na realidade, se você não tivesse me convidado, eu jamais poderia entrar aqui.
- Entrar como, se as portas estão trancadas, como você mesmo disse?
- Pelos sonhos, pequena...
Eu existo além do tempo, eu vim dos seus sonhos. E se lá eu não consegui te salvar, aqui eu vou fazer de tudo pra conseguir.

sábado, 29 de maio de 2010

Circunscrição

– Feche os olhos.
– Pra quê? – sorrindo para ele, ela perguntou.
– Apenas feche-os. Confie em mim.
Ela então observou-o ligeiramente, esboçando um sutil sorriso lateral, e obedeceu.

Pronto. Aí estava ela. Em sua mais contemplativa aparência, esbanjando plenitude e harmonia. Mas ele sabia que não era apenas isso. Óbvio que não. Ela mesma sempre lhe dissera sobre como as aparências enganam; ele sabia que, por trás daquela figura que tanto o encantava, jazia um turbilhão de emoções e sensações, aguardando fervorosamente o momento da expansão, do domínio, da possessão completa. Era uma espécie de poder resguardado. Ele temia, mas desejava. Sua sabedoria avisava-o que seria arriscado prosseguir sem estar a par da complexidade particular dela, que qualquer passo em falso significaria estar frente ao abismo e que lidaria com situações desafiadoras disfarçadas. Estava ciente disso. Porém ser ardiloso era uma de suas mais admiráveis qualidades; ele estava disposto a enfrentar a donzela... ou o dragão.
De qualquer forma, ele já cedera e mostrava-se inscrito na intercessão de seus mundos. Ela, em essência, ainda conseguia situar-se além; ela era o espelho de sua alma.
E ela ainda encontrava-se lá, curiosa pelo que ele estava fazendo ou planejava fazer. Ele podia ler sua impaciência nos mais delicados detalhes.
— Então? — era gracioso, inclusive peculiar, como ela conseguia demonstrar insegurança e autoconfiança simultaneamente.
Ele havia pensado em diversas maneiras de aproximar-se dela, todavia sentiu-se terrivelmente limitado. Por melhor que fosse sua astúcia, de nada adiantaria se ela não a aceitasse.
Resignado e servo da esperança, ele segurou-lhe ambas as mãos e beijou-as encarecidamente. Com esse gesto, ele transmitiu-lhe toda a sua atenção e, em seguida, disse que poderia abrir os olhos.
Ela notou que ele carregava um semblante introspectivo, de certa forma distante.
— Minha vez agora. — satisfeita, ela disse. Ele tinha de admitir que não esperava por essa reação, principalmente pela que se sucedeu. Mudo e expectativo durante os milésimos e segundos que duraram até ela se aproximar de seu ouvido direito, ele a ouviu sussurrar:
Eu te amo...

E ele nunca se sentira tão em sintonia como naquele momento.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

28 de maio, sexta-feira.

Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as mentes confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas.
Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso.
Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você.
Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Óculos

É como se eu tivesse acordado pro mundo e visto realmente as coisas como são.
As pessoas como são e porque que elas fazem o que elas fazem, sabe? É como se eu finalmente pudesse ver como cada pessoa é de verdade, atrás das suas máscaras e dos seus vários disfarces.
É como se eu parasse de usar meus óculos por muito tempo e pensasse que o mundo é daquele jeito: fosco, sem vida, sem eira ou beira. Mas quando eu os coloco, percebo que não era daquele jeito que eu via e é um baque quando você se vê diante daquela nova realidade, muda sua perspectiva e tudo ao seu redor.

O que eu quero dizer é que agora eu sei quem você é, amor.
Eu sei o que você fez e é tudo tão claro.
Mas tão claro... Que eu me sinto estúpida por ter acreditado.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quer saber uma verdade, queridinha?

Eu estou pouco me lixando pra sua vida
E você vive querendo saber da minha.



coisa de gente pequenininha.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Re-start.

E recomeçar é doloroso. Faz-se necessário investigar novas verdades, adequar novos valores e conceitos. Não cabe reconstruir duas vezes a mesma vida numa só existência.
É por isso que me esquivo e deslizo por entre as chamas do pequeno fogo, porque elas queimam - e queimar também destrói.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

My night's wish...

"I don't ask much, I just want you."

Exaustão

hoje eu vou escrever em letras minúsculas, não vou pentear os cabelos e vou ficar em casa com meus pijamas de flanela assistindo porcarias na televisão.
eu não vou esperar o telefone tocar, não vou sair e muito menos me arrumar porque hoje eu estou cansada.

quero beber sozinha.
quero me embebedar sozinha pra que ninguém tenha que cuidar de mim depois, para que eu não passe vergonha na frente de quem eu amo, para que eu não fique medindo cada palavrinha que eu falo.
hoje eu estou tão cansada que não tenho energia nem pra te odiar, ou te amar, na verdade. hoje tá tudo neutro.

o whisky desce rasgando minha garganta… é hora de dormir
o whisky desce rasgando minha garganta… é hora de parar
whisky desce rasgando minha garganta…


fim do primeiro ato.

domingo, 23 de maio de 2010

abstract thoughts of an unusual mind

As folhas estão secando, o clima está mudando e os bichos estão morrendo. A verdade é cruel, é irônica... O homem se preocupa tanto com ele mesmo que se sacrifica, que arruína o seu futuro.
Eu vejo casamentos ruindo, eu vejo brigas, eu vejo atitudes infantis. Eu estou envelhecendo cedo demais, eu até tento ter paciência, mas parece muito pra suportar. Me irrito com facilidade, choro com facilidade e vejo que o colapso começa de dentro pra fora. Eu emano caos. Sempre soube disso...
Mas o que me machuca mesmo é perceber que não sou só eu que me sinto dessa forma. Eu vejo isso nos seus olhos, eu vejo todo mundo tão assustado quanto eu.
Eu preciso que as pessoas sejam gentis ocasionalmente, eu preciso poder confiar pra variar e não me sentir patética por achar que as coisas podem se resolver. Eu preciso que seja prescindível exagerar, que eu acorde tendo algo pelo qual lutar, que eu não me abata e pense que eu simplesmente não consigo mais.
As folhas estão secando, o clima está mudando e os bichos estão morrendo. A verdade é cruel, é irônica...
O mundo não está se acabando...
A humanidade em nós está.

sábado, 22 de maio de 2010

Maníaca Possessiva

Cresça e apareça, querida! ;*


("Maníaca Possessiva" para a Donna.)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Mas não nasceu, que pena.

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento.
Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como pude ser tão escrava de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava. Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.
Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existiu morte para o que nunca nasceu...
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu gostava de você por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo.
Você era lindo. Simplesmente isso.
Você, a pessoa que às vezes eu ainda vejo passando por algum corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza...
Sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da casa, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada.

Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Da Magia à Sedução

"O homem que eu quero não existe.
E se ele não existe...


Eu nunca vou morrer por causa de um coração partido."

Each day passed by

And each day I feel like dying...
This scar still hurts. It still pulls me down, down to my interior quagmires.
You haunt me everywhere and every single day I feel like going to the deadly embrace of love...
We're nothing but survivors by and for the memories.


What have we done?

terça-feira, 18 de maio de 2010

Back to Paris

Diário de bordo #último/dia#
Nos vagões.

Olhando pela janela desse trem tudo parece se mover devagar.
As lembranças não doem tanto, mesmo que a cicatriz esteja lá.
Acho que em algum ponto do caminho eu parei de sentir porque seria difícil demais trilhar sempre o mesmo caminho.
Deve ter sido meu medo de terminar sozinho...

Ironicamente sozinho estou, forçado a me tolerar.

domingo, 16 de maio de 2010

Eu estou sentindo a sua pele revirando de dentro pra fora, ardendo de vontade de me envolver nos braços.
Eu quase consigo ouvir sua respiração arfante, seus sonhos distantes, seus suspiros...
Mas você não entende que o que te interessa é a dificuldade.
E se eu tornar isso fácil você vai se esquivar.
Você sempre se esquiva.



só que eu conheço seu jogo dessa vez

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Naked

Chegou na casa dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer. Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos. Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis. Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou. Ele perguntou o que poderia fazer por ela. A resposta: sem preliminares. Quero que você me escute, simplesmente.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
Primeiro tirou a máscara: "Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Você é a pessoa mais especial que já conheci. Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas, mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade. Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto".
Então ela desfez-se da arrogância: "Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem. Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto, cada deslumbramento que tenho é com você que sinto. Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história."
Era o pudor sendo desabotoado: "Eu beijo espelhos, abraço almofadas, faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento, e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes, como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou".
Retirava o medo: "Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe, sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei".
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua: "Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim. A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito, que amor não é coisa que se retribue de imediato, apenas para ser gentil. Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto, e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui".

E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Tudo em si

Sabe quando você sente que a presença daquela pessoa completaria o momento? Não digo apenas o momento, mas tudo em si, tudo ao redor. Não há justificação lógica, apenas o sentimento e a certeza dele. De alguma forma, você se sente completo apenas por saber que aquela pessoa existe e que você a conheceu. Por alguns instantes, você se esquece das circunstâncias, de todo o materialismo e limitações que as acompanham. Você vive o momento além do consciente racional, temporal independente. E você sabe que aquela pessoa entenderia, que ela compartilharia a sensação contigo sem a necessidade de proferir palavras. Você sabe que esse momento existe e isso faz algo reverberar no seu interior, aflorando para o lado físico e lhe explorando sutilezas inefáveis. Por incrível que pareça, você não se desespera, mas se sente pacificado. Sente-se justificado. O único desespero cabe à descrição.

Pois saiba que eu te amei intensamente.



("Tudo em si" para o meu Lucian.)

domingo, 9 de maio de 2010

Sobre Contos e Realidade...

O real é uma moeda de duas caras e quando se joga ela e espera que dê uma das faces e dá outra, a gente se decepciona, a gente esperneia e grita porque odiamos perder, mas a gente não pode mudar nada... É tudo uma questão de sorte.
Então a gente reza, cruza os dedos e faz todo o possível pras coisas saírem dentro do planejado, porque como seres humanos, temos uma tendência de odiar surpresas, principalmente aquelas que te derrubam e te deixam pra baixo por um tempo, então a gente fica se perguntando enquanto esperamos: será que vai sair do meu jeito? Será que o meu sonho vai virar real agora.
E aí que está a diferença entre contos de fadas e a realidade: de alguma forma, inexplicável, eles sempre têm mais sorte... Talvez por ser ficção, não sei, mas sempre que tudo vai mal pra eles, quando tudo parece perdido e o dano é muito irreversível pra ser remediado os personagens (considerados pelos "adultos" como idiotas ou ingênuos) ainda tem esperança de que tudo possa dar certo.
A diferença entre contos e realidade é que na realidade, quem é assim acaba se dando mal e às vezes pensar que a esperança nunca foi liberada também com Pandora e sua caixa de pesadelos. Para nós, do mundo real, os contos merecem ficar num mundo paralelo onde as coisas realmente dão certo.
Mas se é tudo uma questão de sorte, quem sabe, só uma vez...
Se a gente tiver esperança, tudo pode melhorar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

May you

É essa época do ano, desse ano, que me faz sentir você se aproximando. Rastejando, implorando, sugando minhas energias como um verme instalado no meu corpo. É que tocou uma música que me lembrou você ontem e eu sonhei com você hoje. Amanhã não sei. Talvez eu tenha ódio, talvez eu me lembre o que em você fez com que eu me aproximasse. Todas aquelas coisas em comum e você nem se dava conta do que eu sentia. Eu achava que você me entendia. Você sempre foi meu apoio e eu queria que você voltasse pra eu te mostrar como eu estou bem e crescida agora. Como a vida foi maravilhosa e gentil comigo... Eu queria te ver, queria que você me visse e fosse aquela coisa "no feelings". Só fosse saudade de um tempo que passou e das coisas que nós aprendemos juntos e nada mais, nenhuma vontade de abraçar e de contar as coisas. Eu queria me ver imune ao seu sorriso hipnotizante de vampiro, queria que o meu sorriso te hipnotizasse dessa vez pra você sentir na pele a ferida. Eu queria olhar nos seus olhos e perceber que você não mudou nada, continua o mesmo idiota com a mente restrita. Eu queria isso. Mas isso seria arriscado demais, my ex-best friend...
No fundo eu tenho medo de que você ainda tenha um pedaço de mim. E todo mundo que eu conheço me diz que você sempre foi weird e é weird assumir...
No fundo eu tenho medo de você.
Você pode perceber?
May you realize it? May you?