terça-feira, 5 de outubro de 2010

2.

Você não sabe mas eu sinto sua falta, rotineiramente, como um vício do qual eu não consigo me libertar... Ironicamente eu odiava isso em você, seus vícios, sua maneira de não se importar em me magoar desde o primeiro instante, mesmo que no começo parecesse que você era o único que se importava. Eu nunca vivi isso antes, esses meses que viraram anos, o laço e a união além dos pequenos símbolos disso que até hoje eu guardo.
Entalada, sufocada, arranhada, despedaçada, partida em milhões de pedaços espalhados pelo chão. Você não fez nada pra impedir isso. Pôs toda sua coragem à prova e se mostrou um covarde. A maneira como tudo terminou foi cruel e insanamente dolorosa.
Logo você partiu.
Logo você me partiu, fingindo querer ficar.
Se quisesse ficar, ficava, simples assim.
E só de sacanagem isso foi o mais perto de felicidade que eu alcancei, naqueles filmes que lembravam você, em andar na rua e te confundir com alguém com o mesmo cabelo, das músicas que a gente ouvia, dos segredos, das risadas, dos olhares furtivos e agora, das memórias.
Mas é, doeu.
E a verdade é que eu sinto sua falta agora mais do que nunca.
Por que eu nunca mais tive nada parecido com isso.

Todos temos nossos amados monstros invisíveis.

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