terça-feira, 29 de outubro de 2013

Blues

Eu não sei se eu sinto sua falta ou falta de tudo que a gente poderia ter sido.

domingo, 27 de outubro de 2013

Carta #25

Você acredita mesmo nesse meu discursinho furado de que eu estou “muito bem, obrigada”? Cara, claro que eu não tô bem, eu tô mal. Tô mal desde o dia que te falei que não dava mais para ficarmos juntos.
Eu me precipitei, você me precipitou. Eu não estava pronta, como a cada segundo que passa ainda não estou, pra te deixar ir. Não de verdade. Mesmo que, honestamente, você nunca tenha realmente “estado aqui” pra começo de conversa.
Aí te vejo de longe, no seu mundinho, que desde que saí tem se tornado um funil cada vez mais apertado, fazendo tudo de mais banal e tudo que eu mais adoro sabe-se lá porque. É o jeito que mexe no cabelo sempre que está agoniado ou envergonhado, o modo como seus olhos se fecham e sua boca se repuxa quando está indignado, o jeito que anda despretensioso, o jeito que sorri, o jeito que dançava quando estava apenas zoando ou quando gostava de verdade de uma música, a entonação de cada palavra e o modo como falava o meu nome…
Eu não sei explicar.
Era você. É você. Nos mínimos detalhes. E por mais que eu tente te odiar pelo resto da vida, no minuto seguinte te adoro de novo.
E enquanto eu não sei lidar com o modo como você me afeta, continuo com meu discursinho, só pra que você nunca suspeite ou perceba que, na verdade, é tudo uma mentira ensaiada. 

domingo, 20 de outubro de 2013

Você sempre será meu primeiro.
Meu primeiro amor.
Meu primeiro namorado.
Meu primeiro.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento.
Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. 
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo.
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão aparentemente insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundada diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha.  

domingo, 13 de outubro de 2013

I said I was okay but I really didn't think that you were gonna take it anyway

Hoje, mais do que nunca, odiei a sua distância.
Mais do que nunca fui nostálgica, deitada na minha cama confortável, com minha vida confortável, meu teto branco se tornando cada vez mais atraente.
Não quero mais o conforto dessa vida sem você. Quero você virando tudo de cabeça pra baixo, quero noites mal dormidas, mal lembradas, risos inesperados... Quero você. De novo. E de novo.
Chega das manhãs, tardes e madrugadas sem suas incontroláveis mensagens, sem um "onde você está?". Quero seu "o que vamos fazer hoje?" e ainda mais o "sai aqui fora, tô aqui". 
Você não entende? Eu detesto essa vida sem graça. Mas se for pra ter pequenos ataques cardíacos toda vez que te vejo mais longe de mim do que nunca... Então, estou bem em minha cama confortável, com minha vida confortável e com meu teto branco.
Não minto, pois estava prestes a me sabotar dizendo que "apenas mais uma vez, mais uma noite", não. Não quero "mais uma vez". Eu quero todas as vezes possíveis. Quero deitar a cabeça no seu colo enquanto o carro está em movimento, e no banco de trás, ver o mundo de cabeça pra baixo, ver a lua gigante lá em cima, você passando o dedo em todo o meu rosto, redesenhando minha boca, minhas sobrancelhas, meu nariz...
E mais tarde, deitar no teu peito, sob aquele edredom nada discreto, e repetir minha cena preferida. Vou olhar pra cima, lá fora, e ver a lua por entre as árvores, que aparentemente sempre nos guarda, gigante e iluminada. E você me olha, tentando entrar no meu mundo, enquanto estou loucamente absorta.
Mas agora me deparo comigo sozinha, deitada, sem lua, sem mundo paralelo, sem seus dedos traçando meus sonhos arquitetônicos, sem sua paciência em sempre colocar meus fios atrás da orelha.
Odeio sua distância.
Odeio qualquer coisa que tenha levado a isso. À mim aqui, agora.

domingo, 6 de outubro de 2013

Once Upon a Lie

Eles te contam que você é uma princesa, não contando que você se estresse ou grite ou chore e pareça louca pelo menos duas vezes no mês.
Eles te contam que você deve se manter pura e só fazer o bem para os outros, mas a verdade é que sendo assim você vai sempre se dar mal, você vai acabar sofrendo, você vai ser ingênua e alguém vai te mostrar a realidade: o mundo não é dos bons, é de quem sobrevive. Bonzinho só se fode.
Vão dizer que ele virá num cavalo branco, mas não dirão que eventualmente o cavalo adoece, morre e vocês dois devem andar no barro juntos, independentemente do cansaço e a distância é tão grande que parece não ter fim.
Vão dizer que vocês se beijarão e toda a magia vai acontecer, mas não avisam que toda magia tem seu preço e isso pode te custar a sua vida, a sua liberdade, o seu espírito ou pior, sua sensatez.
E dizem que vocês se casarão, terão filhos e viverão felizes para sempre... Até que você percebe que não tem certeza se quer casar, tampouco ter filhos, que vocês não tem nada em comum mais, que vocês não sabem se comunicar, que vocês não se admiram mais e pior, não se respeitam.
E que não existe disso de felizes para sempre.
E demora um tempo até cair a ficha, que nem com o Papai Noel quando se é criança.

Aí você pega as porcarias dos livros e enfia no cu, pq isso tudo é menos real que Saci Pererê de duas pernas.

É por isso que eu sou Marte. A pior batalha é a do teu coração contra as tuas crenças. 
Merda, eu sempre vivo em guerra.