segunda-feira, 29 de novembro de 2010

É isso.

Ele se levantou, pois até então estava sentado na cama. Perambulou de um lado ao outro do quarto, a mão fazendo um tour pelo queixo até se escorregar pelo cabelo, enquanto a outra repousava sobre a cintura. O casaco preto e desgastado ainda lhe caía bem; perto da gola estava desfiando. O quarto estava escuro também, as cortinas fechadas, um persistente raio solar tentando atravessar os entulhos empilhados no quarto.

Ele pôde ouvir o motor do carro, se aproximava. Estava um pouco distante da curva para adentrar o terreno, mas finalmente chegara ao local. Aquela tarde parecia não acabar, um desses dias ruins que o tempo pára justamente quando não há necessidade alguma para tal.

Ele abriu a porta, ela já prestes a bater. De cabelo bagunçado e expressão cansada, ele entregou-lhe um envelope.

“É isso? Vim de longe e não vai nem me oferecer um café?”, ela importunou sedutoramente sarcástica. Apoiando o antebraço direito sobre o vão da porta entreaberta, ele fitou-a por um momento equivalente ao dobro daquela tarde, indisposto e amargo. O casaco preto e desgastado ainda lhe caía bem, tanto quanto a amargura.

“É isso.”, afastou-se e fechou a porta. Voltou a rodear a cama, mas não se sentou. Parou diante da janela e entreolhou pela fresta, por uma das partes rasgadas da cortina, terreno afora. Ela dirigia-se até o carro, sob saltos finos e roupas elegantes, bem arrumada, bem penteada e maquiada. Entrou e, sem dar sinal de retorno, virou a curva do terreno, refazendo o caminho pelo qual viera.

Sabia que esse momento chegaria, só não sabia que demoraria tanto.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Pra Quando a Gente Se Encontrar

Quando eu te encontrar, vou te olhar disfarçadamente pra ver se você ainda me enxerga, quero saber se você conversaria comigo ou se virava a cara como se eu fosse alguém já perdida.
Se você vier falar comigo, garanto longos momentos de silêncios gritantes pra gente reconhecer o quão danificado ou recontruídos estamos e depois disso daremos risadas ao ver que não mudamos tanto assim e depois de uma longa conversa, a gente vai se perguntar como sobrevivemos um sem o outro.
Se a gente se encontrar, daremos abraços apertados e longos discursos emocionados, você vai dizer que sentiu minha falta e vai dizer que não se lembra porque brigamos (mesmo que a gente se lembre bem) e juraremos não nos separar mais.
Ah! Quando a gente se encontrar...
Queria dizer que eu vou ter coragem de olhar pra você e não ficar mexida; falar com você e não sentir nada, mas a verdade é: quando a gente se encontrar, a gente vai querer se falar e viver tudo de novo, mas a única garantia será o silêncio suplicante de dois orgulhosos que não querem dar o braço a torcer.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mas

Eu podia ter me apaixonado por você, mas você não é meio confuso, não tem um jeitinho subliminar, não é todo perdido, não vai ferrar a minha cabeça de artista e não vai me obrigar a ouvir jazz sábado de manhã pra curar a dor do meu coração de espírito livre.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu sou enjoada, toda errada, cheia de perguntas difíceis, palavras complexas, respostas prontas, músicas endereçadas, poesias distraídas e sou meio como o mar, que tem dias de calmaria e dias de muita intensidade.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas eu sempre faço questão de falar das minhas dúvidas, dos meus defeitos de menina mimada e dos meus questionamentos existenciais até perder totalmente o encanto, como a menina do filme, guardando só para os íntimos a doçura, as risadas, o carinho, o cuidado, a atenção, as confissões e o amor que não questiona.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas você cuidaria tão bem de mim que todo mundo odiaria a felicidade estampada no meu sorrisinho de canto de boca, que você levaria pra passear junto com o seu quando eu não estivesse estudando, escrevendo, dando risada ou ouvindo The Beatles na cama.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas às vezes eu tenho essa dor no peito quando respiro muito forte, e você merece muito mais do que uma bronquite crônica e sem cura que eu herdei de tantos desamores, de tantas palavras dolorosas e de tantas confissões de travesseiro.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas ultimamente eu sou do tipo que fica no seguro, e agora todo mundo tem que me ganhar nos primeiros sete segundos e depois me ganhar sempre um pouquinho, até eu ser inteira de novo e não mais uma grande cratera vazia que faz eco.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas poderia acabar me apaixonando demais, e depois poderia te querer só pra mim, e um dia você acordaria guardado dentro de uma caixinha, onde eu ia te ensinar a fazer música pra gente poder se alimentar só disso.

Eu podia ter me apaixonado por você, mas comigo existe sempre um mas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Bitterness and irony

Once you told me you could never love me. As much as I was disappointed and suffering, I never gave up of this, of finding someone that could love me for those little details that you would never be able to see, the smile you would be never able to stare, the kiss you would never be able to feel. I never stopped looking because I knew I was better than this, I always knew that I would find him. And I did. The truth is that he has his flaws and sometimes I feel like jumping into his neck, but when I look down deep his eyes all I see is myself.
I love him for all those things that reminds me of you and for those other things that you would never have. You can mess with my head, put me on fire, but you can't mess with my heart. You brought scars way too deep to be erased with a simple hello. And I really like you, I always did.
The irony is there. I am the one being loved. And how does it feel to you?
Once you told me you could never love me
And if what we say comes back three times stronger, then I guess you are the one that will end up here, stuck with anyone to understand you, to make you feel warm.
Now it's me the one that can't love you.

Settle

— Steph?
— Fala, Carol.
— Lembra do Ricardo?
— Seu Ricardão? —  Stephanie riu dobrando as cobertas.
— O próprio. —  Carol riu também — Sabe que eu quase casei com ele?
Stephanie arregalou os olhos, pôs a coberta na cama e colocou a mão na testa da amiga e depois na sua.
— Desculpa, Carolzinha, só queria saber se isso não era um momento de delírio e tal.
— Sério mesmo, Steph, eu sabia que você ia reagir assim, ninguém gostava dele.
— Nem você, Carol, fala a verdade.
— Não, eu não gostava dele. — Carol riu — Ele era extremamente irritante, não é?
— Amém, sister.
— Mas é porque depois de um tempo, quando a gente tá muito muito fucked up, a gente pensa que não pode mais sentir aquela coisa intensa de novo, como se ela fosse desgastando aos poucos. E seria bom pelo menos pra variar, ter alguém que quisesse me fazer feliz de um jeito pegajoso e possessivo, mas não menos apaixonado, porque tudo que eu via nele era realmente o que eu queria ser, o que eu queria sentir naquele momento...
Stephanie sentou-se ao lado da amiga, segurando-lhe a mão
— E seria bom... — Carol suspirou — Estar num relacionamento em que alguém me amasse mais do que eu a amava.
— Por que?
— Assim, se acabasse, como acabou, né... Como eu poderia sair ferida, se já tá tudo ferrado?

domingo, 21 de novembro de 2010

Te ver e não te querer...

... é improvável, é impossível.

Eu queria muito ser aquela pessoa superior que olharia pra você e não sentiria nada além de desprezo e um pouco de pena, mas ao invés disso eu fico pagando de idiota esperando que você olhe pra trás e tente se lembrar dos lindos momentos que passamos juntos, do quanto a gente já foi feliz num tempo em que conflitos não existiam no nosso dicionário.
Eu queria poder te olhar e falar, não coisas frívolas, e sim sobre a bagunça que você fez na minha vida, eu queria poder olhar nos teus olhos e te contar minhas frases feitas e minhas reações irônicas e excessivas ao seu comportamento quase previsível pra mim, eu acho que de tanto querer isso, já tive inúmeros diálogos contigo na minha cabeça.
Eu queria poder ver os seus olhos com um brilho quase como o sol e não sentir minhas entranhas quererem sair de mim até você, pra desfrutar do perfume natural que você tem e do jeito que seus cabelos ficam bagunçados quando você corre; eu queria mesmo que você não m afetasse tanto e que fosse na verdade o contrário, que você não pudesse articular as palavras quando estivesse perto de mim.
Essa seria a vingança perfeita.
"Te ver e ter que esquecer,
é insuportável, é dor incrível"

Aiai

Eu me afeiçoei a você quase que instantaneamente, não sei bem o porquê. Talvez seja o Àries, talvez fosse destino, ou desatino... Acho que foi por causa das coisas que a gente conversou e, antes de você, ninguém conseguia conversar comigo e me entender daquela forma. É, deve ter sido isso. Você sempre se mostrou sagaz e incrível. Como uma criatura advinda dos livros mais lindos que eu já li. Mesmo que por vezes eu soubesse que existia em você uma aura sombria e misteriosa, eu nunca senti medo de você, nunca quis me afastar, mesmo que no início eu soubesse que eu não podia ter você. Mesmo que eu não te conhecesse inteiramente e talvez nunca o faça, eu sei que é você a pessoa que mais bagunça a minha vida, que me espanta, que me enfurece, que me deixa indignada e me faz suspirar. Você encheu minha vida de música e de sonhos, de palavras bonitas e desilusões. Você me fez chorar tantas vezes, me fez perder a cabeça tantas vezes, mas só de imaginar seu sorriso é inevitável que um apareça iluminando meu rosto da forma mais genuína que eu conheço. Você é terrível, eu reconheço isso. Mas não me importa mais nada além disso que a gente tem. Queria que você soubesse disso.
Você me ama, eu amo você e eu nunca vou te esquecer por isso.

sábado, 20 de novembro de 2010

No reason to put a name on this.

Sim, eu estou perguntando como que eu devo me desviar dos seus olhos doce e delicadamente diabólicos se você está em tudo o que me cerca e é uma grande parte de quem eu sou. Sim, eu to pedindo pra me livrar dessa sina de te amar sem limites quando eu nem sei o que você se tornou. Sim, eu to levantando a bandeira branca e dizendo que eu tô cansada de tentar resistir, de tentar negar o que eu sinto quando só de te ver meu estômago dá um nó e minha alma sente como se ali houvesse a luz necessária para iluminar o resto dos meus dias. Sim, eu tô admitindo com uma vontade louca de gritar que não vai existir ninguém como você na minha vida. Com os seu jeito impiedoso de me fazer desejar ser sua e nada mais. Você me consome inteiramente e isso não é bom. Você não pode ter o controle, meu bem.
Mas sempre existe uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho existe uma pedra e ela se chama orgulho. Orgulhoso você, orgulhosa eu, acharemos amor em direções opostas, pois você nunca vai ser capaz de amar alguém como eu te amei, isso é verdade, você nunca vai ser capaz de me amar. Mas você continua lá, no meu andar mais alto, no meu pedestal, sem falhas, impecável, como sempre... E às vezes eu nem me lembro que você existe, é assim na maior parte o tempo que é pra doer um pouco menos, que é pra eu não me machucar, que é pra ninguém se machucar.
Mas aí você aparece.
E sempre causa um abalo em todas as minhas certezas.
Meu demônio tem nome, sobrenome e um sorriso hipnotizante.
E eu odeio te ver. E eu odeio ter que odiar você.

"Everything's falling
 and I am included in that

Oh, how I try to be just okay
Yeah, but all I ever really wanted

Was a little piece of you"

I only try to reach you, because you've always been unreachable.

I love them for their movie scenes.

 - Vá com os anjos. - Ela disse enquanto se inclinava pela janela dentro do carro e beijava a testa dele.
 - Quem disse que são anjos? - Ele disse, levantando a cabeça e a encarando.
 - Contanto que te proteja, não me importa o que são. - Ela o olhava com seus olhos de amor.
 - Gostei da resposta - Ele disse sorrindo com os olhos brilhando de fascínio ou desejo, não sei.

Ela sorriu de leve, o beijou com paixão e entrou, fingindo que quase não doía aquela saudade instantânea, desde o momento em que ele ameaçava partir.
E ele dirigindo se foi, fingindo que quase não doía aquela saudade instantânea, desde o momento em que ele tinha de de deixá-la em casa.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Zombies

Quando eu mandei você ir embora, eu falei sério, mas penso que pra você não caiu a ficha ainda.
Eu lhe coloquei dentro da camada mais profunda e escura do meu coração usando todo suspiro, lágrima e fôlego que havia ainda em mim e como um asqueroso zumbi você emerge de todos os lugares pra me assombrar e me fazer lembrar que existe um pouco de você em todo lugar (até mesmo em mim) e só eu sei quão idiota  patético isso soa. Mas será que você já parou pra pensar o quanto eu tento te tirar da cabeça? Já parou pra pensar que toda vez que você aparece causa mais dano que felicidade?
Você chegou como o mais leal dos companheiros e saiu como um touro numa loja de porcelana
Para de achar que você pode consertar tudo
Para de tentar se redimir
Para de me assombrar
Só... Para...
Pra nossa vida como um só estar finalmente finalizada.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Cloudy Day

Hoje eu acordei e o céu estava incrivelmente cinza, e pela primeira vez eu não pensei que fosse pela chuva torrencial que havia caído na madrugada havia algo errado. Olhi pro lado e vi minha mãe dizer com olhos marejados: "Ele faleceu de madrugada"
Confesso que não sabia bem o que fazer com a informação, se chorava por perder ou se me alegrava por ele ter parado de sofrer de vez por ter se livrado daquilo que o consumia. Quer dizer, não sabia o que sentir até ouvir um côro a cantar: "segura na mão de Deus e vai" e nessa hora uma luz (não mais de lâmpadas e sim do Sol, que até então estava tímido) iluminou o lugar.
Vi tudo como se fosse um sinal e devesse contar: ele indo sozinho, com medo, chateado e um tanto perdido pela incerteza do que viria a seguir; até que aquela mesma luz o iluminou para o caminho certo, ele confiou e foi pra perto de quem também o amava e foi por isso que o Sol estava tão brilhante, para dar esperança e força, como um sinal de que ele estava bem agora e chuva só viria quando ele percebesse que tão impotentemente sentíamos a sua falta.
Só sei que hoje eu vi um muito de muita gente ir junto com ele...
Mas amanhã terá sol e saberemos que no fim das contas você segura na mão de qualquer deus que você acreditar e segue teu caminho em paz e caminha até a felicidade que emana até nos piores dias.
Posso dizer que o sol virá, desde que você tenha paciência para esperá-lo e o sinta em sua plenitude...

[in memorian, I really really liked you]

Elemento de controle

É mais fácil as pessoas julgarem outro grupo diferente e estranho e dizer: olha como são esquisitos, bizarros, olha como são diferentes. Muito mais que enfrentar a dificuldade real de tentar torná-los explicáveis, tentar fazê-los parecer humanos e compreensíveis em nossos próprios termos (GRAY, 1999).
As representações sobre supostas práticas degradantes de outros povos e culturas acabaram, na realidade, fortalecendo os próprios valores e crenças do grupo que criou as narrativas: "Imaginário é um sistema de imagens que exerce função catártica e construtora de identidade coletiva ao aflorar e historicizar sentimentos profundos do substrato psicológico de longuíssima duração" (FRANCO JR., 2003, P. 95-96). Do mesmo modo, o imaginário social funciona como importante elemento de controle entre os membros da sociedade, especialmente "do exercício da autoridade e do poder" (BACZKO, 1984, p. 310).

"Deuses, Monstros, Heróis - Ensaios de mitologia e religião viking", de Johnni Langer.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

18 and Life

Finally.




20 min.
Poxa, mas eu não quero que meu aniversário acabe!



Ass: A caçula da Alfatal.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A mão dele no meu queixo

Você sobrevive naquele momento em que eu estou com alguém e minha cabeça se distrai, deslizando meus olhos delicadamente para o lado esquerdo, enquanto a cabeça permanece imóvel, na tentativa de fingir acompanhar o que a outra pessoa está dizendo. O mesmo momento em que essa outra pessoa coloca a mão no meu queixo e pergunta, em uma caótica mistura de curiosidade e angústia, o que eu estou pensando, ao mesmo tempo em que tenta arrombar essa porta que eu coloquei entre ela e eu para finalmente entrar na minha cabeça, onde você está confortavelmente alojado. E isso viola minha liberdade de todas as maneiras que você conseguir imaginar. E essa pessoa não sabe, mas essa vai ser apenas a primeira das tantas vezes em que eu vou fazer isso, até encontrar alguém com quem eu queira passar mais do que meia hora em um restaurante ou até o dia em que você parar de sobreviver nesses segundos em que meus olhos procuram um ponto de fuga e ficam concentrados na sua estúpida e desnecessária existência dentro da minha vida. E, com sorte, um dia eu vou ficar parada na frente do microondas, vendo a comida girar, num balé interminável que me coloca em transe, e você não vai aparecer para me lembrar do quanto é um cara incrível, adorável e impossível. E a comida girando vai ser só mais uma comida girando durante cinco minutos na bandeja. E o timer vai alcançar a contagem de 3, 2, 1 e eu finalmente vou voltar a mim, sem sequer ter lembrado de você naquele espaço de tempo ocioso. E esses minutos preciosos vão ser de outro alguém, talvez daquela mesma pessoa que não vai mais precisar virar o meu queixo para me lembrar de que ela está logo ali, bem na minha frente, e não você, e não aquele lugar para onde eu fujo dentro da minha cabeça para encontrar você, rir das suas piadas tímidas, lembrar dos seus olhos, encarar a sua resignação ou para comparar você com os caras que eu conheço. Um dia isso ainda vai acontecer, eu espero, e a minha liberdade não vai ser mais violada pelos seus adjetivos e pela insegurança dos outros, que eu batizo de tempos em tempos com a minha falta de. Falta de vontade, falta de interesse, falta de atenção. Mas se nem assim, nem com o passar do tempo, nem depois de eu conhecer muita gente, você não fizer a gentileza de sair da minha cabeça, então eu quero sair dela, por favor.

sábado, 6 de novembro de 2010

Repromissão

De todas as pessoas na minha vida que eu jamais conseguiria decepcionar, você está no topo delas. Eu culpo os seus olhos piedosos e parciais por que eu nunca ousaria ferir você. Prefiro me arranhar toda do que sentir qualquer gota de suor deslizar na sua testa, do que te ver se sacrificar, do que te ver inundando em sofrimento. Tudo o que eu queria era que você percebesse que eu nunca vou te deixar. Você é minha alma gêmea e ninguém mais. Você me entende do início ao fim e não cobra nada por isso. E eu estou te observando definhar lentamente e isso é o pior. Então eu vim te prometer que eu jamais vou sair do seu lado, que nós é algo que não vai mudar. Não mesmo.
Sempre haverá espaço pra você na minha cama de casal.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Please Don't Leave Me

Você prometeu que estaria aqui, que não seria doloroso e que daqui a pouco a gente ia se ver; que daqui a pouco as coisas iam voltar ao normal se eu tivesse ao menos um pouco de paciência e tato pra saber lidar com sua ausência sem ausentar a parte de você que falta em mim.
Você disse que seria uma transição fácil, como brisa em vela de barco, como água deslizando de garrafa pra copo, algo natural... Mas com o tempo aprendi que suas promessas foram furadas e afundaram e agora pra eu conseguir voltar é como tentar nadar em gelo, ou seja, não está sendo fácil... E foda-se como está sendo pra você, porque nem me contar mais você me conta, nem faz mais questão, então eu só sei o quanto dói em mim sentir que agora, oficialmente, eu sou a "coitadinha" que eu nunca esperei ser...
Minhas metáforas pioraram, percebeu? Estão menos profundas, mais 'ordinary'...
"You wanna know what happened to me? You happened to me"
Odeio o monstro em quem você me transformou, e não odeio você ainda, então fique calmo.
Odeio ser a pessoa quem ajuda a destruir o que a gente construiu e odeio ainda mais ser a pessoa quem súplica, então em minúsculas e menor, pra você se ver diminuindo em mim:
i always say that I don't need you, but it's always gonna come right back to this, so please, please don't leave me.

Anger Management

A raiva vem de várias formas: num urro, numa briga, numa reclamação ou numa luta...
O que não te dizem é como curá-la, como tirar ela de dentro de você sem que alguém saia ferido
Porque a verdade é que a raiva destrói e reinventa: destrói o interior e reinventa através da vingança, que é a pior coisa que se pode vir da raiva, mas que ainda assim nos deixa tão satisfeitos que dá vontade de explodir.
A raiva é o pior, o melhor e com certeza... Com certeza, é inteiramente primitivo, porque desperta na gente o mais perigoso e incrível sentimento. E a gente sucumbe à raiva, a gente bate, grita, chora, urra e faz o diabo, porque naquela hora, não somos nós mesmos, naquela hora... somos humanos.

e isso assusta...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Esqueça

Ele me faz companhia na sexta-feira à noite e, quando já estou quase distraída, solta o clássico "ele não pensa em querer-te", frase construída de um jeito tão doce que parece até um carinho e não um tapa, como de fato é. Então minhas caras, desculpem dilacerar seus pequenos corações apaixonados, mas está na hora de admitir que ele, de fato, não pensa em querer-te.
Não pensa em querer-te naquele vestidinho matador, de salto alto, e cabelo arrumado, meio famme fatale, desejando que ele te escolha, enquanto dezenas de homens que você ignora te veem passar toda linda e perfumada. Não pensa em querer-te de sandália rasteira, short jeans e camiseta branca, daquele jeitinho meio desleixado, implorando pra ele te amar até naquelas horas em que você tá pouco se lixando pro circuito Paris-Tóquio-Milão. Não pensa em querer-te nas vírgulas e reticências de cada frase que você diz, mostrando todas as tentativas que deveriam ser derradeiras e não foram, porque você sempre insiste em tentar mais uma vez.
Não pensa em querer-te nas coisas que você diz e não diz, tentando soar meio misteriosa, querendo que ele deseje saber o que pensa uma mulher, digamos assim, tão subliminar. Não pensa em querer-te quando está sozinho, num domingo à noite, jogado no sofá de casa, assistindo um filme que não é de amor, como o seu. Não pensa em querer-te quando está na melhor festa, ignorando a hora em que você chegou, a hora em que foi embora e a hora em que seu braço foi puxado por outros dez homens, enquanto seu ombro empurrava as pessoas e as primeiras lágrimas manchavam seu rosto de rímel preto.
Não pensa em querer-te quando você, por raiva, aceita todos os homens que puxaram seu braço e morre em cada um deles. Não pensa em querer-te mesmo depois daquelas piscadinhas ordinárias e frases bobas que você revê mil vezes na cabeça durante a semana, achando que ele te amou naquele detalhe.
Não pensa em querer-te andando que nem uma louca, falando feito uma louca e agindo feito uma louca, último sintoma do amor quando não cabe mais no corpo. Não pensa em querer-te, meu bem, por mais que você queira muito, por mais que seu amor valha por dois. E se não confia e mim, pelo menos dê algum crédito ao Roberto.