domingo, 31 de outubro de 2010

Into You Like a Train

É como se tudo voltasse [repeat]
Oh, sim, existe um fardo dentro de mim, algo que me deixou em choque e agora eu não sei se eu consigo me recuperar... Fico lembrando dos passeios no sol, na chuva, os beijos lascivos atrás da porta e os abraços seguros no meio da violência.
Tem uma coisa que não é minha dentro de mim e eu não sei mais o que fazer pra tirar isso de dentro de mim, e eu me pergunto se alguém me ajudaria, mas não há quem fique ao meu lado por muito tempo, não atraio pessoas por muito tempo, se elas mexem comigo o dano interno é maior.
Isso me consome e me faz ficar pior e eu queria que houvesse algum outro jeito de me separar disso que mora mais em mim do que tudo e tenho medo de não me adaptar caso fique sem. Mas me consome, me destrói; como um vício em qualquer coisa frívola...
Mas eu sucumbo à tudo e deixo ficar aqui dentro por mais um tempo. Porque não sei se depois de tirar vou poder sair andando na rua como se nada tivesse acontecido, não espero uma recuperação rápida e milagrosa.
Só sei que se você souber de algo que seja suficiente pra me curar, pra me fazer sorrir ou chorar sem sentir algo errado dentro de mim, me avise por favor...
E enquanto isso, eu vou caminhando...
Como se não houvesse nada dentro de mim, como se você não vivesse dentro de mim e esperando que ninguém perceba...

Ego e identidade fictícia

Em termos psicológicos, as leis da materialização dão surgimento ao ego. O ego é uma identidade fictícia com um senso de medo, vulnerabilidade e uma necessidade de se proteger e se defender. O momento da personalidade/ego se identifica com qualquer estrutura de pensamento, ele busca manter esta identidade assim como uma pedra busca manter-se pedra.
A fim de manter sua identidade com a estrutura de pensamento escolhida, este imediatamente começa a definir sua identificação em relação às identificações dos outros egos. Assim, ele começa a produzir incontáveis sistemas de julgamento para dar suporte a tais identidades fictícias. Na medida em que a personalidade continua com suas definições, ela se esquece de sua verdadeira natureza e começa a viver no receio de perder sua identidade fictícia que ela na verdade nunca teve.

(...)

A realidade, tal como a personalidade a percebe desde as limitações auto-impostas do holograma de base nos cinco sentidos, é meramente um ponto de vista.


"O Retorno de Inanna", de V. S. Ferguson, pág. 214 e 215.

31-10

Feliz Halloween!

sábado, 30 de outubro de 2010

Às vezes...

Às vezes eu falo demais, você deveria me interromper. Reclamou.

Ponderou. Você se sente incomodada de ter me contado espontaneamente?

Talvez seja isso. Incomodou-se.

Por quê? Você acha que eu vou te julgar? Supôs.

O problema não é o teu julgamento, mas o meu próprio. Eu julgo minhas próprias ações, antes mesmo dos outros. É isso que me sufoca. Notou. Tá vendo? Estou fazendo de novo e você não me interrompeu. Zangou-se.

Por que eu interromperia se é justamente isso que eu quero? E você sabe disso. Defendeu-se.

Você é um egoísta. Pronunciou.

Você, sádica. Significou.

Ignorou. Nem deveria estar falando contigo.

Mas você não consegue, né? Esperançou-se.

Não, porque você é meu amigo.

Doeu.

Amigo mesmo, que eu conto sem me preocupar. Apesar de a consciência pesar um pouco em certas ocasiões...



(Photo: "I wish i were like you..." by TrixyPixie from DeviantArt)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Outubro

Era alva, quase avessa ao sol, a pele dela. Também não gostava de tomar sol. Tinha os olhos doces e profundos, do tipo que quando você olha dentro deles, a única resposta que obtém é: você não tem ideia do que eu tive que passar, você nunca vai me conhecer inteiramente. Ela tinha uns gostos estranhos pra sua época, pra sua idade, ela era muito irônica, mas poucos sentiam a sutileza das suas ironias.
Sentada na cadeira ela desenhava letras, flores, estrelas, o que viesse na cabeça. Preferia tudo no mundo do que estar ali naquela hora. Não sabia se falava com ele, se o procurava. Não sabia se aquilo era o que ela realmente queria. Se era o que todo mundo superestimava ou subestimava ou nenhum dos dois. Compenetrada, fechava o lábio um contra o outro de leve e franzia a testa sem entender porque não conseguia desviar sua mente daquilo naquele dia, já fazia algum tempo desde o fim.
Estava caminhando em um shopping e haviam muitos jovens em volta, vestidos de preto, com cabelos espetados ou escorridos, com seus alargadores e tatuagens. Sentiu um frio percorrer a espinha, viu a menina da sala, a menina da sala dela falando com ele. A menina acenara com a cabeça, ele a fitava, apenas a fitava. Entrou no shopping o mais rápido que pôde, o estomâgo embrulhado, pôs a mão na barriga que doía de nervosismo. Depois respirou fundo, riu de si mesma e como uma maluca disse pra si que aquela não era uma reação racional.
"Você superou isso, você superou".
Na segunda a amiga a pergunta:
"Você conhece ele?"
Na mente um milhão de imagens dele, de falas, de cenas...
E sem alterar o tom de voz ou tremer ela respondeu apenas:
"Não. Não o conheço mais."

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Plano A: fail.

Não resta mais nada a ser feito.
Está na hora de um plano B.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Gum!

Querido C.

Eu estou com uma dor de cabeça enorme e o José Cuervo, meu novo melhor amigo, me aconselhou a pelo menos escrever pra você como eu estou me sentindo. E a verdade é que eu sentei aqui, no balcão desse bar pra te dizer que eu me sinto usada, mas eu acho melhor não, soa muito clichê, não é?
Vim aqui te falar com uma nova abordagem do que eu estou sentindo, acho que você é como um chiclete.
Você disse que me amava, que eu era tudo etc, e eu não acredito que eu não escutei minha mãe quando ela me disse que homens não prestam, porque eu acreditei mesmo que você pensava tudo isso, que você não queria me magoar, mas o que te torna um chiclete não é isso.
E também não é porque você é gostoso, ou doce ou apetitoso, porque dessas qualidades, só uma você tem, mas eu não te conto qual é. E sim porque você foi grudento, pegajoso e mais do que tudo: você perde o gosto muito rápido. Eu pensei que você fosse um daqueles que teriam gosto de tudo pra sempre e você perdeu o gosto com a mesma velocidade que me deixou partir.
E eu sei que daqui a uma semana, quando você ler isso, você vai pensar que eu sofro por você. E eu sofro mesmo, mas eu não vou te dar esse prazer por mais tempo. Eu sei que quando eu estiver melhor na vida, você vai voltar abanando seu rabo pra dizer que está feliz de estar de volta ao meu lado, mesmo que não me tenha.
Mas eu quero te dizer que minha paciência e tolerância acabaram e agora você deixou cair sua máscara.
   
Não faço questão de te querer de volta,
G.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dream of Me

Querido Rafael,



É bem ridículo estar te mandando essa carta, mas foda-se, eu tô mal e não tem nenhuma testemunha a não ser eu, e potencialmente você.
A verdade é que eu tive um sonho com você e eu não sei o que exatamente isso significa, só sei que eu estou sentindo muito a sua falta, isso soa hipócrita? Porque eu sei que eu transformei sua vida num inferno com minha imaturidade e meus ciúmes descontrolados, mas eu queria saber se isso ainda constitui como uma barreira pra gente não ter contato mais.
É claro que o fato de você ter mudado de cidade também influencia nessa decisão, mas nós crescemos não é mesmo? Crescemos separados, mas ainda assim, algum nível de amadurecimento veio e... Você sabe que eu estou enrolando, não é?
Eu queria dizer que nesse sonho você me dizia que eu ia ficar aqui sentindo sua falta e eu sou orgulhosa, e você sabe disso, poderia ficar aqui falando horas sobre como estar e não estar perto de você é indiferente. Mas hoje, e hoje exclusivamente, eu quero dizer que eu pisei na bola e errei grosseiramente contigo e por causa disso...
Não...
Não é isso ainda.
Eu amo, não, amar é forte demais, eu gosto de você. Como meninas gostam de meninos. E por isso que eu acho que eu sonhei com você, foi um jeito de me acordar, de mostrar que bem lá no fundo eu ainda gosto de você e ainda sinto sua falta.
Céus, eu sinto sua falta todo dia.
Não sei exatamente o que você vai fazer com essas informações, mas agradeço se você chegou até aqui dessa carta, se você leu esses breves momentos de bobagens.
Você dizia que meu problema era ser boba, lembra? Não sei... Acho que isso passou.
O que é bobagem ou loucura pra uns faz muito sentido pra outros e você faz sentido.

"Só" isso...
Sonhe comigo,

  Micaela

Dream a Little

Foi como se tudo voltasse à minha cabeça, o momento em que tudo desmoronou:
— Não, Micaela, eu não gosto mais de você e não quero te ver mais, por que você não entende isso de uma vez por todas? — ele suspirou amargamente — Eu já te amei, mas não mais, você não compreendeu ainda que eu quisesse, você fez o impensável, duvidou de mim e quis tornar minha vida um inferno, não dá. Eu não aguento mais.

E agora ele estava mais perfeito que nunca, parecia um príncipe e eu fiquei me perguntando porque eu não lutei mais, eu não expliquei. No meio dos meus pensamentos dispersos percebi que ele vinha na minha direção.
— Micaela — ele sorriu vampirescamente — Você por aqui...
— Rafael, você tá bonito.
Ele rodou lentamente, como se estivesse exibindo a roupa que usava.
— Vim de príncipe hoje, Micaela. — ele olhou para cima, o sol fez brilhar os olhos negros do rapaz e seu cabelo loiro — Estou querendo resgatar uma princesa.
Eu ri, não sabia mesmo o que fazer, estava vestida de diabinha (única fantasia que minha mãe havia encontrado de última hora).
— Nossa, então você não devia ficar muito perto de mim, eu posso te contaminar com a minha malevolência. — sorri, apenas pra indicar que era uma brincadeira, não queria dar brechas para brigas.
Ele olhou pra mim um tempo, esboçando um sorriso torto, virou a cabeça e me abraçou:
— Pois eu acho que essa fantasia faz jus à você. — ele parecia seco, mas eu senti a respiração dele, como se estivesse sorrindo.
— Claro que sim, porque eu fico linda de vermelho.
Ele me soltou, acenou que sim com a cabeça e pegou na minha mão, me puxando pra frente das escadas da casa da Manu (a dona da festa).
— Vem, Micaela, eu tenho um presente pra você.
Subi as escadas desconfiada, pensando no que ele poderia me dar. Um tapa, talvez? Ele podia me matar e fazer parecer um acidente? Me jogar do topo da escada como num filme mexicano bem brega?
Quando chegamos no andar de cima, tudo estava cuidadosamente preparado para aquele momento, tudo surreal e minunciosamente preparado para e eu só posso crer que fosse, um jantar à dois. Ele foi se aproximando da mesa, pegou com uma mão uma rosa e com a outra a câmera:
— Pegue esta flor, até combina com sua roupa. — ele apontou a câmera pra mim — Agora vem cá, Micaela, vamos gravar esse momento. Vamos nos gravar — ele estava assustadoramente entusiasmado, bailando de um lado para o outro até chegar na minha frente — Porque hoje é meu último dia te querendo, meu último dia te amando e eu acho que isso merece ficar bem gravado. — ele foi me conduzindo através do andar — Micaela... Eu amei você, isso não é maravilhoso?
— Não estou entendendo, Rafa.
— Hoje, eu vou te dar adeus, minha querida, eu vou te tirar da minha vida de uma vez... — ele sorriu, e dessa vez eu senti que ele não estava brincando — E você vai continuar aqui... Sentindo minha falta.

                                             Acordei com o coração acelerado e a barriga revirando. Se isso era uma peça do meu subconsciente, só quero deixar claro: eu não gostei...

domingo, 17 de outubro de 2010

Don't get me wrong (if I come and go like fashion, i might be great tomorrow but hopeless yesterday)

Pra quantas pessoas eu penso em ligar? Pra quanta gente eu quero escrever? De quanta gente eu sinto saudade? Quantas cartas eu escrevo mas nunca entrego? Alguns milhares. Daqui um ano serão mais alguns milhares. Mas de alguma forma você cria em mim algum senso de urgência com o qual eu não me acostumo.
Você aparece com músicas, fotos, palavras e eu não sei refrear meu impulso de tentar estabelecer algum tipo de comunicação com você. Sabe aquele reflexo imediato e insano que a gente tem quando ouve um alarme de incêndio ou uma sirene de ambulância? Qualquer sinal desses de emergência e alerta, é a mesma coisa com você.
Paro qualquer coisa que estou fazendo pra tentar fazer você entender alguma coisa que eu esteja te dizendo. Eu preciso te escrever, te falar, te alcançar do mesmo jeito que preciso comer, é instintivo e primário, não tenho escolha. E olha só, eu não me esforço pra fazer nada, nunca. Não vale a pena, eu não quero, não vejo objetivo nem necessidade. Eu espero um ano, dois anos, às vezes mais, cheia de projetos inacabados, idéias adormecidas, planos esboçados, coisas que nunca acontecem; eu estou esperando pelas coisas reais.
Alguma coisa que eu sinta borbulhando dentro de mim. Aquela coisa que muda tudo de repente. E agora minha prioridade é essa: reestruturar e reorganizar minha vida e minhas vontades de acordo com achados recentes. Coisas que eu posso fazer, pessoas que podem me mudar. Sei que é idiota, sei que não é saudável e sei que no fundo é pura preguiça de ir adiante, mas você ainda tem o melhor gosto de todos; por que eu sequer pensaria em não te ter completamente, em não te agarrar sem medo, guardar aqui comigo o pedaço seu que eu preciso pra passar o inverno?
Eu não sei, é irracional e indefinível, não existe nada que explique minhas vontades, a única explicação é que você cria em mim o que mais ninguém é capaz de alcançar.
Não tem jeito, eu não quero mais ter que esperar nem um único segundo, te quero agora enquanto a gente ainda respira no mesmo ritmo - a porta tá aqui aberta, ainda, por enquanto, e eu quero que você entre por ela e me permita ter o que eu quero. Ela está aberta mas pode fechar a qualquer minuto, e embora nada mais além disso importe muito, eu sou capaz de virar as costas pra essa porta assim que ela fechar e nunca mais dispensar um segundo pensando em você.

Entre por essa porta agora, e diga que me adora;
você tem meia hora pra mudar a minha vida.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

E-Go!

Eu acredito na ciência.
Eu não acho que sentimentos ou emoções, por mais "essenciais" que sejam são solicitadas à todo minuto, eu vejo as coisas racionalmente, ou pelo menos na maioria das vezes.
Dizer que eu estou desiludida seria o eufemismo do ano. Mas também pudera... Nunca fui do tipo de pessoa que se envolveu com alguém por mais de um mês e quando eu me envolvi de verdade, só me lasquei.
Talvez o amor seja como fadas, você tem que acreditar pra ver. E eu sei que essa foi uma péssima analogia, mas eu ando meio num clima de Peter Pan esses dias.
Quando eu falo amor, eu digo como um todo. Como algo completo que seja completamente egoísta, mas que faça as pessoas envolvidas se sentirem muito bem, eu acredito no amor como a doação quase completa pra outra pessoa e eu amo com intensidade, mas na maioria das vezes eu amo o que é errado, só pra que alguém venha me resgatar de tanta desilusão, tanta merda que acontece e que se faz vista grossa.
Ultimamente eu venho guardando lágrimas, palavras e explosões dentro de mim, então tudo está fervilhando mais do que nunca e eu acho que o que me consolaria era justamente o relacionamento relâmpago que eu mencionei anteriormente, mas enquanto isso não acontece, eu me considero (e com uma parcela de orgulho) um ser humano inflamável, imprevisível.
E o Tom Hansen tinha razão, eu culpo a mídia pela minha desilusão. Porque ela faz a gente acreditar que isso existe, que o amor acontece e tudo termina bem no final, mas a verdade é que quando a gente descobre a verdade, torna-se insuportável ver que você não é a mocinha do filme e que elas existem de verdade.
Dá um nó na garganta só de pensar que esse tipo de amor é algo reservado para poucos ou pra trás das lentes
Dizem que pra toda regra existe uma exceção...
Nunca conheci uma alma excepcional assim.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Inferno

"Inferno é não haver lugar, é sentimento de não havê-lo onde estou, quando sou outro que não era. Inferno é ser obrigado a viver a vida alheia, em lugar que o não é, por sê-lo de todos e de ninguém. Não há lugar para os Infernos, nem acima, nem sobre, nem abaixo da terra. Inferno é o nome que se dá a uma das possíveis correlações entre o homem e o mundo, ou antes, à impossível relação de um com o outro, nos momentos privilegiados, em que homem deste mundo se desencontra com o mundo deste homem. É nome de uma situação liminar: eu já não sou o que fui, mas ainda não sou o que serei. Na liminaridade, já perdi o mundo em que vivia e ainda não ganhei o mundo em que vou viver."
Mitologia, de Eudoro de Sousa (p. 39-40).

sábado, 9 de outubro de 2010

Para-Frase-Ando

Eu fico me perguntando por que você não me ama.
Qual detalhe específico te incomoda tanto assim que eu não consigo ser no mínino desejável aos seus olhos. Será que eu sou tão feia assim? Ou burra?
Não, você gosta das burras. Daquelas que nunca questionariam seu gosto duvidoso e sua tendência a ser cafajeste. E eu gosto disso, mas não sou burra.
Eu procuro no mais íntimo de mim, até onde você não conhece, pra saber se o problema sou eu ou você. Se você não me enxerga ou eu não me enxergo.
Queria saber se você não vê quão boa eu posso ser
Queria saber se eu te assusto tanto quanto eu te adoro.
Mas talvez você só esteja brincando
Talvez você esteja bancando o burro
Ou talvez você só seja muito comum.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Conception

Ai, querido, eu tenho tanto pra te dizer que não sei ao certo por onde começar...
Eu gosto de você, isso é loucura?! Eu gostar de você mesmo com você longe e tão perto.
A gente se parece tanto, consigo sentir isso em todas as partes do meu corpo, eu estou realmente certa de que você foi a pessoa feita sob medida pra mim.
Seu sorriso é hipnotizante, você é lindo e parece sinceramente não ligar pra isso.
Parece que tudo que você é maravilhoso por dentro, você quer deixar apodrecer no interior, só pra deixar você menos deus e mais humano, só pra que todo mundo saiba que por trás de tudo existe um monstro extremamente desapegado e desesperançado.
Eu acho que eu gosto tanto assim de você porque eu te conheço tão bem, mas tão bem, que seria bem assustador pra você.
Nosso relacionamento nunca deve ser transposto por barreiras, nunca daria certo assim, meu bem, você é tão mau que me dá gosto, tão mau que eu preciso conhecer o seu monstro, devorá-lo, sentí-lo em minhas entranhas.
Eu te conheço tão bem porque você, amor, é a exata cópia de como eu soul, como eu me porto e tem tudo pra ser meu porto seguro e eu te adoro, só porque você não sabe disso ainda.
Mas sabe por que eu sei tanto de você? Sabe como eu te encontrei?
Igual procura igual.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Verdades

A verdade é que eu não reconheço mais aquela menina serelepe e ingênua que acreditou em cada palavra sua, eu não entendo como ela pôde ser tão idiota a ponto de se entregar tanto e não olhar pro mundo que estava à volta dela. Eu me arrependo de ter sido essa menina que te amou loucamente e quis montar o mundo em cima do que você representava.
Porque, convenhamos, você além de idiota, era patético e encantador, mas isso não vem ao caso. Hoje eu sou grata que eu te conheço, pra ver o quanto você mudou, o quanto você evoluiu e não reconhece aquele menino disposto a transpor barreiras pra estar com a mulher supostamente amada.
Nós éramos meninos e agora somos adultos, pessoas conscientes o bastante pra reconhecer que fomos idiotas, que evoluímos, meu querido.
Mas a verdade é que sua mudança foi superficial, mas isso é de se esperar, todas caíam aos seus pés e imploravam seu amor, então você destruiu mais do que foi destruído.
Mas a verdade é que você deixou uma menina ainda aqui dentro que não consegue superar o medo de se expor, se mostrar de verdade e acha ainda lindo segurar mãos.
A mulher nasceu naquele dia, mas não consegue superar todo o dano, querido, mas eu nunca te diria isso.
Não vou fazer doer em você também.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

C de cura.

Eu sei que eu tenho uma série de defeitos, que eu não sou o tempo todo uma pessoa alegre, mas que eu tenho meus machucados, minhas perdas e uma tendência a me diminuir. No seu lugar eu não me amaria. Eu sei que às vezes eu sou muito sensível e levo tudo muito a sério na maior parte do tempo e até quando eu não deveria. Mas eu poderia facilmente abandonar tudo pra estar contigo, eu enfrentaria o mundo se preciso fosse, eu me sacrificaria pra me inundar rotineiramente nos seus beijos, pra deslizar meus lábios na sua pele, pra fotografar teu corpo com minhas mãos, pra iluminar a escuridão do meu quarto com teu sorriso e isso faria os monstros irem embora. Os meus e os seus. Eu sou irritante, eu não conheço tudo o que você conhece, eu não sou linda e nem perfeita. Mas eu sei que tudo o que eu preciso pra curar qualquer tristeza ou indisposição são seus olhos mesmerizantes, intensos e meus... 
E o silêncio, o transe, o coração pulsando rápido, a leveza, o toque e o beijo. Faz o resto ficar pra trás e me faz ser agradecida por ter minha cura diária, meu milagre que assumiu forma humana, por ter ao meu lado o amor da minha vida. E eu acho que o resultado de dois corações partidos foi um inteiro e nosso.

"Eu quero
Ser exorcizado
Pela água benta
Desse olhar infindo
Que bom
É ser fotografado
Mas pelas retinas
Dos seus olhos lindos
Me deixe hipnotizado
Pra acabar de vez

Com essa disritmia..."

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Libra

Eu não sei porque, mas eu te sinto muito mais longe, praticamente inalcançável. Você se distancia cada vez que eu chego perto e estaria mentindo se não dissesse logo que isso me angustia mais do que tudo.
Por que então eu tento tanto encontrar você? Porque eu não me conformo com o resto que me vem? Por que eu não aceito de uma vez que isso DEVE ser difícil, pro caso de acontecer o contrário eu ficar mais grata.
Acho que o problema tá na gente que nunca se sincroniza por completo, você diz "oi" e eu quero dizer "tchau", você diz que tem esperança e eu te olho com a melhor cara cética do mundo pra dizer que o mundo está completamente perdido. Você parece aquele objetivo de vida que a gente passa por tudo pra alcançar e no final só esmagar e de nada vale ficar se torturando pra sofrer um pouco mais.
Confesso que essa tendência masoquista do meu psicológico de procurar justamente o que me machuca é extremamente danoso, mas confesso que a perspectiva de talvez ver você me curar (best case scenario), ver você perfeito e idealizado é como eu quero que você fique. É patético, mas eu acho que eu te odeio o tanto que eu te amo, e confesso que isso não me incomoda.
O amor e o ódio andam muito próximos e existe um certo equilíbrio em fazê-los com tanta intensidade, é quase poética minha devoção em te ter de vez.
E te odiar, e te amar... É a única conformação que eu consigo viver.
E quem sabe, pelo menos nisso eu consigo me equilibrar.

2.

Você não sabe mas eu sinto sua falta, rotineiramente, como um vício do qual eu não consigo me libertar... Ironicamente eu odiava isso em você, seus vícios, sua maneira de não se importar em me magoar desde o primeiro instante, mesmo que no começo parecesse que você era o único que se importava. Eu nunca vivi isso antes, esses meses que viraram anos, o laço e a união além dos pequenos símbolos disso que até hoje eu guardo.
Entalada, sufocada, arranhada, despedaçada, partida em milhões de pedaços espalhados pelo chão. Você não fez nada pra impedir isso. Pôs toda sua coragem à prova e se mostrou um covarde. A maneira como tudo terminou foi cruel e insanamente dolorosa.
Logo você partiu.
Logo você me partiu, fingindo querer ficar.
Se quisesse ficar, ficava, simples assim.
E só de sacanagem isso foi o mais perto de felicidade que eu alcancei, naqueles filmes que lembravam você, em andar na rua e te confundir com alguém com o mesmo cabelo, das músicas que a gente ouvia, dos segredos, das risadas, dos olhares furtivos e agora, das memórias.
Mas é, doeu.
E a verdade é que eu sinto sua falta agora mais do que nunca.
Por que eu nunca mais tive nada parecido com isso.

Todos temos nossos amados monstros invisíveis.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Protesto

Devemos deixar os mortos descansarem em paz.

Falicido

Tava olhando o orkut, fuçando e fuçando e quando achei você pensei logo: "meu Deus, não acredito que seja ele". Cliquei. Dedos curiosos. Scraps de amor, parece que você tá bem com ela. Parece que você tá bem, apesar desse alargador branco, essa tatuagem no braço e esse cabelo de banda gay que você tá agora. Você parecia em paz, mesmo que de um jeito junkie, você parece em paz...
E isso fez com que eu me indagasse se você não foi o mal pra gente, mas sim a gente o mal pra você. Porque eu lembro do seu sorriso tonto, das suas canções nada originais, mas não lembro de você feliz. Talvez seja melhor assim. Você de lá e a gente de cá. Talvez você fosse só uma ponte que a gente precisava atravessar, mas que ficou pra trás.


E como diria numa de suas canções, ô vocal do Fresno...
"E eu não sei se o que vi foi a cara da tristeza,
mas eu sei que não era assim, não foi bom e nem ruim,
eu tinha medo de sentir saudade de você
e algum dia conseguir entender porque."
Ainda não entendo porque eu sinto sua falta
Quando tudo o que você fez foi agir como um idiota.







R.I.P.

sábado, 2 de outubro de 2010

My love, where did we go wrong?

Tentei estupidamente arrumar qualquer desculpa, qualquer motivo, para usar como propósito de ele não se interessar mais por mim. Me agarrar a qualquer explicação aparente, porque devia ter uma.
Mas acabei por apenas me contentar que não é não. Pois apesar de sair perturbando a paz alheia, perguntando o que havia de errado comigo, não consegui respostas.
E sabe, acho que ele não me agüentaria. Não sou do tipo de garota simples sem gosto musical aparente, freqüentadora de academia, que bebe cerveja, tem longos cabelos escuros, se diverte com ele quando os pais não estão em casa, diz gostar de tudo que ele gosta e o chama de amor.
Meu gosto musical na maioria das vezes compete com o dele, não preciso fazer academia, acho o gosto de cerveja horrível, cortei meus cabelos há 2 meses e bem, o resto nós não fazemos. Não sou do tipo que demonstra.
Ironicamente, sou o tipo complexa que procura o simples.
Se fosse pra acabar com o tormento de uma vez por todas, eu diria a ele. Diria que eu gosto dele, gosto das pupilas dele quando me olham, gosto do timbre de sua voz e do seu jeito implicante.
Mas isso lhe daria algo que eu não tenho. Seria o mesmo que entregar meu coração para ser moído. Seria entregar algo que nem sei se existe. Pode ser tudo "fruto da minha imaginação" - uma confusão de sentimentos de ego. Algo dentro de mim grita “Porquê? Eu não entendo!”, e quer provar o contrário, quer ganhá-lo por orgulho... Talvez - Seria escolher entre duas coisas: sofrer e não ter mais absolutamente nada ou sofrer e me agarrar ao pingo de esperança que ousa brotar em mim, ao que nos resta. E eu sei que eu vou preferir a segunda opção, mantendo assim meu orgulho intacto.
A parte difícil é que ele se tornou mais que um objeto de desejo, é acima de tudo, meu amigo. Resultado do nosso contato diário. E veja bem, até isso mudou.
Nossas conversas não têm mais a mesma emoção e vontade. Sempre que o nosso lado romântico esfria, o lado da amizade esfria de maneira proporcional.
Foi estranho ouví-lo pronunciar meu nome esses últimos dias. Era como se não soasse certo na voz dele.
A indiferença comigo também vem me machucando aos poucos. Espero só não acordar mais tarde e pensar comigo mesma o quão idiota sou e que não vale a pena fazer tempestade em copo d’água, muito menos curtir fossa por isso e por ele.
Enfim, quero deixar claro que não estou cobrando nada. Reclamar é uma dádiva e um direito.
Tento o máximo não forçar a barra, não pedir demais e respeitar o que ele quer. Mas às vezes, os limites evaporam e cá estamos nós sendo somente dois desconhecidos para o resto do mundo.
Só escrevo porque sei (e espero) que isso jamais seja do conhecimento dele.

Cansei de jogar esse jogo.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Setembro chove

É assim todo ano, ou pelo menos costumava ser. A impressão que tínhamos era que aquele era nosso mês, por causa das chuvas, dos passeios de carruagem, da primavera e todas a felicidade que emanava da gente. Sei que o ser humano é sinônimo de frustrações, de decepções consigo mesmo e com os outros, e é triste perceber que nossa carruagem está com as rodas soltas e algo não está normal.
Eu sei que você me ama porque dá pra ler nos seus olhos mesmo que eles sejam inconstantes que nem você. E você sabe que eu te amo porque eu te digo isso de maneira constante, assim como eu. É só esse o problema, é só essa diferença.Vai ver que o peso que a gente dá pra isso é o que está fazendo a carruagem bambear.
O engraçado é que ano passado as árvores estavam iguais as desse ano, eu tô olhando daqui da janela... Parece que elas nem se incomodaram com a falta de chuva ou, vai ver, o problema é comigo e tem muita coisa me incomodando.
Mas é esse calor, é, eu não nos culparia por tolas rusgas quando existe amor suficiente pra superá-las.
Eu culpo o calor porque em setembro chove e não choveu. E eu estou derretendo nesse vestido de madame...
Você, como homem, precisa consertar a carruagem.
Por que quando você não o foi, bem...
Foi quando ela começou a dar problemas.