segunda-feira, 29 de novembro de 2010

É isso.

Ele se levantou, pois até então estava sentado na cama. Perambulou de um lado ao outro do quarto, a mão fazendo um tour pelo queixo até se escorregar pelo cabelo, enquanto a outra repousava sobre a cintura. O casaco preto e desgastado ainda lhe caía bem; perto da gola estava desfiando. O quarto estava escuro também, as cortinas fechadas, um persistente raio solar tentando atravessar os entulhos empilhados no quarto.

Ele pôde ouvir o motor do carro, se aproximava. Estava um pouco distante da curva para adentrar o terreno, mas finalmente chegara ao local. Aquela tarde parecia não acabar, um desses dias ruins que o tempo pára justamente quando não há necessidade alguma para tal.

Ele abriu a porta, ela já prestes a bater. De cabelo bagunçado e expressão cansada, ele entregou-lhe um envelope.

“É isso? Vim de longe e não vai nem me oferecer um café?”, ela importunou sedutoramente sarcástica. Apoiando o antebraço direito sobre o vão da porta entreaberta, ele fitou-a por um momento equivalente ao dobro daquela tarde, indisposto e amargo. O casaco preto e desgastado ainda lhe caía bem, tanto quanto a amargura.

“É isso.”, afastou-se e fechou a porta. Voltou a rodear a cama, mas não se sentou. Parou diante da janela e entreolhou pela fresta, por uma das partes rasgadas da cortina, terreno afora. Ela dirigia-se até o carro, sob saltos finos e roupas elegantes, bem arrumada, bem penteada e maquiada. Entrou e, sem dar sinal de retorno, virou a curva do terreno, refazendo o caminho pelo qual viera.

Sabia que esse momento chegaria, só não sabia que demoraria tanto.

Um comentário:

  1. eu imaginei tipo uns papéis de divórcio, sabe?
    mas o que tinha no envelope?
    tô em choque q


    adorei ♥

    ResponderExcluir