segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Degenerative Damages

Arranhões, furos, alergias... Tudo isso melhora um hora, no nosso interior ou exterior, cicatriza.
E isso se deve graças à regeneração das nossas células, todo dia isso acontece e a gente nem percebe, nem vê que está acontecendo e é justamente o que nos cura.
Então hoje quero falar sobre isso para que você consiga entender exatamente como suas células se regeneram, como elas passam do nada pra algo que pode possibilitar a sua vida: divisão; ela pega aquela célula ainda viável, aquele pedaço de vida que você tem e parte no meio.
Você DEVE se partir no meio para poder se regenerar.
Você se parte e espera que copiem o que te interessa, você se agarra ao que te interessa e à nada mais. Afinal de contas, quando a gente se parte, sentimos que nada mais importa a não ser o que perdemos.
Sinceramente, o processo de regeneração é maravilhoso, quase perfeito, eu diria.
Porque na verdade, quando a gente acha que tá bem e não tá; quando a gente acha que tá cicatrizada e não está, entramos em pane.
Os danos são tão grandes e a gente se convence tão rápido e pensa: com a mesma velocidade que a gente foi partida, a gente vai se regenerar.
E a gente diz à nossa cabeça que estamos bem, que não precisamos mais daquilo e nosso corpo ainda está multiplicando as células pra gente se regenerar, então ela vai mais rápido pra atender a demanda de cura, para fazer a gente aceitar a cura por inteiro.
E quando isso acontece, quando as células se multiplicam mais rápido do que a gente consegue, nasce o câncer.
E aí, a dor além de nos assolar, ainda fica à mostra, como se dissesse: hoje, querida, e só hoje... você perdeu.

domingo, 26 de setembro de 2010

Is It Too Soon?

Eu tento manter você longe, não pensar ou reconhecer você.
Mas você fica perto, pensa em mim e me reconhece.
Você não consegue disfarçar?
Você me olha e eu acho que isso significa alguma coisa.
Você me olha como se fosse dizer alguma coisa... E nunca diz.
Às vezes eu fico me perguntando se você gosta mesmo de mim ou se é só minha imaginação te desejando tanto.
Você vê que eu te gosto? Você vê que eu te quero?
Acho que sim e faz tudo pra me provocar. E eu gosto disso porque mostra que você pode estar ganhando, mas pelo menos tá jogando meu jogo.
Eu quero te ver toda hora, eu quero te ver agora, eu quero você aqui agora. E isso pode soar mimado, mas as coisas são assim, meu bem, sabe por que?
Não se leva uma pessoa à loucura e se afasta.
Então, querido, eu vim aqui te dizer que eu não vou te ver (por mais que eu queira) hoje, ou amanhã.
Afinal de contas, você precisa sentir minha falta.


"Você tá sempre indo e vindo, tudo bem
Dessa vez eu já vesti minha armadura
E mesmo que nada funcione
Eu estarei de pé, de queixo erguido"

sábado, 25 de setembro de 2010

Então Charlie Brown



- Então Charlie Brown, o que é amor pra você?
- Em 1987 meu pai tinha um carro azul.
- Mas o que isso tem a ver com amor?
- Bom, acontece que todos os dias ele dava carona pra uma moça. Ele saía do carro, abria a porta pra ela, quando ela entrava ele fechava a porta, dava a volta pelo carro e quando ele ia abrir a porta pra entrar, ela apertava a tranca. Ela ficava fazendo caretas e os dois morriam de rir… acho que isso é amor.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Contemplando peculiaridades

Era uma quarta-feira. Vinícius estava deitado sobre sua cama king-size enquanto mudava os canais de sua televisão com o controle remoto. Laura então surgiu com sacolas de compras; tinha acabado de chegar em casa e deitou-se transversalmente sobre ele, apoiando sua cabeça de modo que sua orelha ficasse exatamente sobre a barriga dele. Vinícius lançou um breve olhar sobre ela; notou seu sorriso jovial e em como seus cabelos alongavam-se belamente em volta deles dois. Voltou à procura de algo interessante na televisão e esperou que ela dissesse alguma coisa. Mas ela permaneceu calada. De novo, ele olhou-a rapidamente e ela não o olhava; ela parecia distante em seu próprio mundo de contemplação; perturbado, ele perguntou enquanto continuava a procura:

— Lá, quê que cê tá fazendo?

— Ouvindo os barulhos que a barriga faz — ela respondeu naturalmente, mantendo o sorriso e os olhos voltados para sua mão direita, repousada ao lado de seu rosto, sobre a barriga dele.

Esgueirou o olhar para ela mais uma vez; ela continuava na mesma posição, expressando uma mistura de concentração e encanto. De alguma forma, ela se interessava nos barulhos estomacais, ela se fascinava com isso.

— Amor... você é estranha.

O poeta Zeca

— Zeca, o que você acha dos meus olhos?

— Dizer que são lindos é pouco... a palavra 'lindo' não parece ser suficiente para descrevê-los, Ju. Eu teria que compará-los à magnitude da natureza, pois são verdes puros e intensos como a cor de uma esmeralda recém-formada dentro de uma gruta... que quando os primeiros raios solares a atingem, torna-se vivaz e pinta a paisagem ao redor com um pouco dessa tonalidade... apesar de, das... apesar das bordas serem mais claras, convidativas a se mergulhar na imensidão do interior obscuro... e misterioso... apesar disso, ainda são expressivos, e lembram a matiz de campos verdejantes sob a luz do sol matinal... como aqueles das fotos que você me mostrou da viagem, sabe?... e é interessante como as nuances deles, dos teus olhos, mudam dependendo da iluminação, ou do teu estado de espírito... em geral eles são essa mistura de verde-escuro e verde-claro, transmitem essa, uma... uma profundidade natural... isso, como estão agora. Mas eu me lembro de uma vez que você chorou e eles ficaram super claros, como se toda a força que eles emanam tivesse se misturado com o branco dos olhos de uma forma que... não é 'esvair' a palavra... como se... como se fosse tinta guache, compreende?

— Caramba, Zeca... que imaginação fértil você tem, são só verdes — replicou Ju, aos risos, sem desviar a atenção do antigo game-boy que estava jogando.

— Nossa, você me broxa assim.

Ela riu.

Caixa de memórias.

Resolvi mexer na caixa, sabe? Tudo isso porque eu tive um sonho com você. Mas nunca são só sonhos, são presságios, como sempre, desde o primeiro dia. E desde que eu te conheci eu não consigo parar de pensar em você, na forma como a gente briga, na forma como a gente pensa igual e em todos os momentos que passamos. Lembrei do teu sorriso, da tua voz, lembrei da curvinha que tem o teu nariz e do sotaque inebriante. Você sempre vai morar no meu corpo, em cada pedaço de mim. Tudo tem um pouco de você e esse peso eu tenho guardado pelos últimos tempos. Entre meu ódio e meu amor prevaleceu o amor.
Mas isso não quer dizer que você se importa.
É.
Talvez eu deva jogar essa caixa fora.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Friend's ship

É estranho perceber que mesmo depois de tanto tempo toda vez que eu falo contigo parece um retorno ao ponto que paramos, como se no espaço entre a gente, como se na nossa separação, o mundo se suspendesse. Eu sei que isso é errado em todos os níveis imagináveis, mas eu não me condeno por isso. Eu consigo pensar em milhões de motivos pra te tirar da minha vida e apenas um pra te fazer ficar: eu amo o nosso jogo. Amo por que ao seu lado eu me sinto imortal, inatingível, mais forte e poderosa...Sarcástica e impiedosa. Você é a única pessoa capaz de enxergar o que existe por baixo da carne, o que rasteja pela minha pele, sem vacilar. Nós não podemos ser um casal porque unidos não haveria sequer um local na galáxia pra caber o nosso ego. Eu consigo te mostrar tudo sem te afastar. Eu até pararia de te procurar se você parasse de me seguir em todos os cantos. Nas canções, nos olhares, nas frases e nos meus sonhos. Sempre essa ligação sobrenatural.
Ninguém que não tenha vivido isso entenderia porque o meu monstro, o devorador da minha alma é sempre quem me salva, quem me resgata e me deixa feliz. Céu ou inferno, o que eu tiver de enfrentar pra não deixar você partir eu enfrento.
Eu seguro sua mão e você a minha, numa cumplicidade secreta, proibida, para que ninguém perceba que também é amor.

Meu Santo John,

Só de pensar em te ver do outro lado da esquina meu corpo treme. Faz muito tempo desde a última vez e eu não sei se eu estou pronta pra isso. Eu sei que eu te fiz mal assim como você a mim. Acho que por isso as coisas se desenrolaram de uma maneira que não deveriam. Você sabe que eu nunca fui santa, você sabe que existe mal em mim porque você despertou isso. Eu te transformei e você resolveu se vingar...
Não adianta, meu amor, quando você sabe jogar o meu jogo. Eu preciso que você venha até mim, nem que pra isso eu vá até você. Vou te dar pistas, te enlouquecer, só pra ver você agonizando na minha teia.
E me desculpa por todo o mal que eu te causei, mas você só sabe de parte da história...
E se quiser me ter, meus braços vão estar abertos pra você.
Da sempre sua,
Coraline.


I wanted to feel life again, and maybe love can't exist without mortality.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Oh yeah... For C.

- Você é uma idiota, sabia, tá dispensando um partidão.
- E quem disse que eu estou te dispensando, hein? Eu disse que eu precisava de um tempo pra pensar.
- Dane-se, Ludmila, eu tô aqui te dizendo que eu não quero mais nada também.
Ela parou, desabou no chão com o rosto inchado e olhos marejados e disse, com o fôlego que restava:
- Eu só não posso responder isso pra você agora, entende? Não é minha culpa, tem uma pare...
- Tem uma parede no seu coração, porque você já foi partida antes - ele se abaixou e sacudiu ela, olhando-a nos olhos - TODO MUNDO JÁ SOFREU, GURIA.
- Eu sei, seu ignorante - ela chorava olhando pra baixo - Como eu posso dizer pra você que eu te amo?
- Você só toma fôlego e diz, Lud, não é uma equação, não é ciência de foguetes. É fácil, rápido, sem dor. Eu TE disse isso, eu ME expus e você faz pouco caso.
- Eu não fiz pouco caso. Eu só não respondi, eu só te olhei e você deveria entender melhor quando eu te olho.
- Eu não sei falar nem escutar "olhês", Ludmila, se toca.
- Meus olhos disseram o mesmo, se você quer saber. - ela levantou-se indo em direção à porta - Mas se eu admitir isso pra mim, Gabe, se eu admitir, você pode achar que me tem por inteiro
- Mas... - a voz dele ainda estava indiferente.
- Deixa eu terminar agora, seu babaca. - ele se calou olhando pras costas dela e enquanto ela pegava na maçaneta. - E você me tem, não como propriedade, mas como amante, amiga e todas aquelas coisas idiotas de casal. Mas eu fui ensinada a ver que dizer que ama só serve pra se ferrar, só serve pra você saber, com certeza, que você pode me quebrar, me partir mais.
- Mas - ele foi se aproximando.
- E eu tô colada, meio torta, mas colada e eu não preciso que você saiba que eu te amo, porque você pode ver que me ama mesmo ou que não me ama de jeito nenhum. - ela suspirou - É egoísta, mas quem disse que o amor era altruísta?
Ela girou a maçaneta e sentiu a mão dele na sua.
- Lud? - ele olhou pra ela como se estivesse tentando dizer alguma coisa.
- Gabe. - ela sorriu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Juventude

Ah! Estes passos que demos involuntariamente nos fizeram tão fortes. Nos fizeram tão fortes as dores escondidas nos travesseiros e aquela voz do outro lado da linha de madrugada. Nos fizeram tão doces essas memórias de tempos que para trás ficaram. E meses que foram anos, e dias que em vão passaram... Ainda existiam contos de fadas e palavras bonitas a serem trocadas. Existiam bilhetes de amor e cartas andavam em bolsos, amassadas. E as brigas, e os medos? Tudo tão infantil e sublime... Como se qualquer coisa mais dura que aquilo fosse genuínamente um crime. Tínhamos que trabalhar cedo, pra trazer alimento pra casa. Mas dava pra andar nas ruas sem medo de ser assaltada.
Então me desculpa se eu não entendo qual a graça... Nesses cabelos esvoaçantes e nessas calças coloridas, nessas simulações de suicídio e nessas síndromes de crianças perdidas. Mas é que a nossa juventude foi tão boa que não era preciso a cada dia tentar recuperar nossas vidas.

Ninguém mais percebe o quanto viver é um presente...

domingo, 19 de setembro de 2010

Estar e o Gosto

A gente adora o que está parado. Se o tempo para, é algo valioso; um objeto, o que for. Temos gosto e afeição pelo que não vive.
Porque o que é vivo, o animal, o vegetal, é efêmero como a pessoa que ama tudo isso, passa como a brisa, como a maré alta e etc.
Talvez o que esteja parado seja algo que vai perdurar, ele não tem coração, nem alma [acredita-se] e portanto, não sofre, não morre. Ele vai ainda estar aqui quando você não estiver mais então muito da gente pode ficar naquela coisa, naquele objeto. Ou tudo da gente, em alguns casos.
Acho que a gente ama o que a gente não pode ter, o inalcançável, só pra que durante nossa vida a gente possa dizer que amou algo/alguém até morrer. A gente ama o que dura, o que vê tudo e não se manifesta.
A gente amaria ter uma eternidade. Amaríamos a eternidade de um caderno, de uma casa.
Amariamos, invejaríamos e ao mesmo passo, odiariamos.
Não poder se manifestar? Não poder falar nada e só assistir seria exaustívo.
E é justamente desse amor, da inveja e do ódio que nós nos construímos, afinal de contas, o que é o ser humano senão uma combinação magistral de antíteses?

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Amargura

Segundo Jung, no ser humano, a amargura raramente provém de um destino infeliz. Muita gente passou por agonias e situações de vida muito difíceis sem ter-se tornado amarga; a amargura, porém, emerge naqueles que lutam contra si mesmos, nos que vagamente percebem que são eles mesmos os culpados da própria infelicidade. Noutras palavras, os que se tornam amargurados são aqueles cuja mão esquerda trabalha contra sua direita e que, devido a uma contrapartida inconsciente no interior de si mesmos, estão sempre no "fogo", sem perceberem isso. A amargura é uma espécie de afeto oculto, ou de raiva, mas voltada para dentro exerce sufocante efeito sobre a personalidade.
"A individuação nos contos de fada", de Marie-Louise von Franz.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Someone like you and all you know and how you speak

Sabe, eu queria deixar de ser brega, deixar de citar músicas óbvias, deixar de dizer coisas previsíveis, mas pra certas coisas a gente tem que aceitar o tédio, a monotonia, os clichês.
Não posso me culpar se não sei dizer de jeitos diferentes e inovadores, ou se não consigo simplesmente ficar quieta já que é pra repetir as mesmas idéias do mesmo jeito infinitamente sem previsão de fim ou retorno. De qualquer jeito, toda essa idéia já é uma idéia conhecida e reformulada tantas e tantas vezes, a gente sempre acha que tudo a gente pensa sobre o amor que a gente sente é novo e desconhecido, mas no fim das contas é sempre igual ao amor que todo mundo tá sentindo por pessoas tão impossíveis quanto as nossas.
Todas essas pessoas tão distantes, tão alheias ao que a gente diz, ao quanto a gente chora; se existe alguma coisa que eu aprendi sobre amor é isso: se de um lado tem alguém sofrendo, do outro lado tem alguém não se importando. E não é questão de achar os culpados, já estive dos dois lados, é inevitável, uma das duas partes sempre deixa de amar e portanto deixa de se importar com o tamanho do amor do outro.
É impossível querer ser diferente. Vivi por muito tempo com medo de ser a pessoa que sofre, mas acabei sendo antes a pessoa que abandona, e vi que não tem saída mesmo, na vez seguinte eu fui a pessoa abandonada, as coisas acontecem em ciclos e a gente vai se curando e aprendendo a lidar melhor com a nossa dor e com a do outro, e a frieza de quem cumpre a ação do abandono sempre ajuda o objeto da ação a superar.
O problema real é quando os dois lados são incapazes de abrir mão de alguma coisa que eles nem sabem se tem. Isso é, quando existe um sendo abandonado e outro abandonando, por mais que pareça difícil, essa é a versão simples dos acontecimentos.
Difícil, dolorido, é ter que se ver longe de alguém, se obrigar e superar, mas não ter como suporte a distância do outro. Enquanto o outro nutrir esperanças, enquanto o outro não decidir soltar o laço, a gente continua sofrendo, teimando em amar, até que um dia uma das duas aconteça: ou o amor vira encontro, ou o amor vira esquecimento.
Mas até a gente saber a conclusão esses devem ser os tempos mais doloridos das nossas vidas.

Derrame uma lágrima na minha taça de vinho

Você podia ser terno dessa vez, terno como costumava ser, quando eu costumava crer que era eterno.
Derramada uma lágrima na minha taça de vinho, me fizestes derramá-la.
Me fazes feliz.
Me fazes meio feliz.
Pra quem lê com cuidado,
Isso significa que me fazes meio triste.
Mas e daí?
É só uma lágrima estúpida
E quando você volta pra mim
Pra mim e ternamente
Me envolve
Eu quase esqueço
Até beber o vinho contigo
E sentir o gosto salgado
E, por fim, amor
Te beijo com esse gosto na boca.

domingo, 12 de setembro de 2010

Santa Raiva

E aquela santa raiva bate toda vez que eu olho pra você.
Santa, porque na nossa cabeça estamos fazendo uma coisa altruísta. Algo bom, quando a gente não briga, não fala, nem cala.
Raiva, bom, você pode imaginar, que em meio ao silêncio todo existe muita conversa, muita raiva e muito ressentimento. Muito amor. ISSO dá raiva.
Você só me olha quando eu tô me afastando e você me chama pra voltar pra você, pros seus braços, que vai ser seguro. Vai ser tudo aquilo que a gente idealizou. Né? Eu só volto porque eu me sinto culpada... Eu devia amar você mais, devia ser mais, mas não dá, algo em mim pesa quando eu tento fazer as coisas voltarem pra estaca zero, porque eu odiava o começo.
Eu não sabia exatamente se você gostava de mim ou se forçou à isso.
Eu não sei se você sente que você "pensou tão pouco em mim e isso foi exatamente o quanto eu pensei em você". Na verdade, é exatamente isso, e mata a gente todo dia mais, saber que suas fotos agora só tem um vazio, alguém que eu costumava amar, que eu costumava conhecer, sabe?
Me mata saber que você me ama e não sabe exatamente como me mostrar.
Me mata não poder mais me abrir pra você, por medo.
Você me mata e tira um pedaço de mim todo dia.
E o que sobra é o peso no peito e um vazio no coração.

sábado, 11 de setembro de 2010

Too late to be too soon

Ela abriu a porta e se deparou com uma figura masculina um pouco mais alta do que ela, de jaqueta americana e mãos nos bolsos, carregando uma expressão distanciada, temerosa até, mas ainda rotineira.
— A Lu me disse que você estava...
— Seu maldito! Vá embora! — ela o interrompeu e, antes que fechasse a porta por completo, ele a barrou.
— Sua ingrata, eu vim aqui ver como você estava! — ele se inconformou com a reação agressiva dela. Eles ainda estavam emperrados na entrada da casa, ela do lado de dentro, ele do lado de fora.
— Pois bem, agora que já viu, pode ir! — apesar de fraca da gripe, fez força contra a porta a fim de fechá-la.
Ele então segurou seu pulso e, impedindo a porta com o pé entre o vão, fitou-a profundamente nos olhos. Estava quente, devia estar com febre. "Ou talvez seja o comportamento temperamental dela". Seus olhos marejavam e estavam avermelhados por causa da gripe, mas isso tornava a força que deles emanava mais perceptível ainda.
— Melody, chega disso, deixe-me ver como você está... — ele pediu.
— Eu estou cansada, Marcus. — ela baixou o olhar — Estou cansada e você me chama de ingrata. — ela desvencilhou o pulso da mão firme dele. Ele observou seus lábios. Estavam rachados — Marcus, a atriz era pra ser eu e não os outros... principalmente você, que é músico — ela o perfurou com o olhar obscuro.
— Melody, você está internalizando suas personagens. Acho que essa gripe veio em boa hora pra você dar um tempo no teatro, aquilo já está te afetando.
— Estou mesmo, Marcus? Estou mesmo? — ela enfatizou com impaciência — Então o problema é apenas eu, não é mesmo? Você e suas depressões repentinas nada tem a ver com todo esse teatro que vivemos, não é? Suas mudanças bruscas de comportamento não têm nada a ver, né? Oras, francamente... Eu pensava que você era diferente, eu pensava que você era verdadeiro, eu realmente pensava, mas você é só mais um deles! — ela vociferou.
— Melody, meça suas palavras ao falar comigo — fúria parecia repentinamente borbulhar dentro dele — Não sou um daqueles seus amiguinhos atores ou seja lá o que eles pensam ser.
— Justamente, Marcus! Você não é! — ela elevou a voz. A força de seus olhos pareciam ter se convertido em advertência.
Em seguida, uma crise de tosse a atacou. Marcus a observou em silêncio. Como consertar o inconsertável?
Em meio a tosse, Melody disse:
— Vá embora.
Cansado de insistir, Marcus a olhou insatisfeito. Deu às costas e encaminhou-se para as escadas, no seu rumo para ir embora. Melody mal esperou ele alcançar as escadas e já bateu a porta.

— Ué, mas já? — Lu estranhou ao ver Marcus se aproximar. Ela esperava sentada nas escadas da entrada do prédio, com um iPod na mão e apenas um fone no ouvido.
— Ela é impossível de lidar — ele resmungou sem parar de andar, quase bufando de raiva.

"Ele não percebe", Melody pensava ao observar Marcus se afastando e sendo seguido pela Lu pela janela da sala, os olhos marejando, "que toda vez que ele faz isso, ele me faz reviver o pesadelo que passei antes de ele aparecer".

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

It's always here, even when it's not.

Eu podia te dizer que às vezes o que eu mais quero é não ter nenhuma lembrança sua dentro de mim, mas é tarde demais pra isso, então eu passo a desejar nunca ter te conhecido, mas também é tarde demais, então o que eu faço todo santo dia é me livrar do pedacinho seu que acorda comigo de manhã.
Você sabe como funciona isso? Todo dia de manhã ter que jogar fora uma porçãozinha do que a gente adora? Não é fácil, não é tranqüilo, então além disso todo dia eu preciso voltar a encontrar tranqüilidade no meu próprio corpo, encontrar conforto na minha própria cabeça, nada disso é simples, e nada disso foi idéia minha. Outro exercício diário é distanciar a sua presença de pequenas coisas que moram dentro de mim; isso é, não achar que você talvez pudesse gostar dessa música, desse parágrafo nesse livro, e de como eu dei risada quando meu cabelo saiu voando no vento.
Eu poderia escrever eternamente sobre cada coisinha que eu queria dividir com você, mas ao invés disso vou te contar da minha luta pra tirar você do meu dia-a-dia, porque não adianta, você não está no meu dia-a-dia, e uma coisa que eu realmente não preciso é de mais uma fantasia idiota. Então eu queria que você soubesse disso, que eu tenho me esforçado, que eu tento todo dia, mas o próprio ato de tentar te tirar de mim ficou tão atrelado à sua imagem que quanto mais eu tento mais você se faz presente.
Entrei nesse paradoxo, posso não te ver mais nas coisinhas importantes mas te vejo no fato de não te ver nas coisinhas importantes, e se eu tento tirar você desse novo posto, eu passo a encontrar você no ato de tirar você das tentativas de não te ver nas pequenas coisinhas, assim eternamente eu vou ficando cada vez mais enrolada em você.

Às vezes me pego imaginando o estrago que seria se você estivesse realmente aqui ao invés de estar em todas as minhas tentativas de me convencer que você não está aqui.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

See Ya [Contradições]

Já fiz cartas, bilhetes, cartazes e outdoors pedindo pra você ir embora. Mas acho que bem lá no fundo eu não deixo você ir embora e você não resiste muito, é mais cômodo infernizar minha vida do que ter que ignorar completamente ela, não é mesmo? Se eu já sou parte de você e você de mim, é difícil anular o que já está marcado.

Marcou como gado, queimou minhas entranhas e na hora pareceu terrível, mas hoje em dia é praticamente indiferente, ter você em mim ou não, é o mesmo que viver essa vida que eu vivo.
Eu não quero te deixar ir completamente porque isso significa deixar uma parte de mim ir junto e isso me perturba bastante, eu sou só eu com as coisas que você incorporou magneticamente em mim, como uma atração quase letal e destrutiva, você só ferra minha vida e eu culpo você até mesmo pelo aquecimento global. Eu te culpo até quando você não tá por perto, porque é mais fácil jogar a responsabilidade em você do que ter que carregar ela com a metade de mim que não é você.
Então, hoje eu não vou dizer pra você ir embora e sumir da minha vida de vez.
Afinal de contas eu não vou me livrar de você tão facilmente, é óbvio.
A partir de hoje vou te dizer todos os dias: até logo.
Quem sabe assim você não entende o recado?

domingo, 5 de setembro de 2010

Braços e Sonhos Imobilizados

Eu bem sei que tem um tempo que eu me sinto assim, sabe?
Tão impotente diante das minhas próprias ações.
Tão incapaz de mudar.
Algumas vezes eu fecho os olhos e penso que tudo o que eu desejaria era ter alguém ao meu lado.
Não quero uma amizade qualquer, mas a melhor delas.
Não um amor qualquer, eu queria um amor dos grandes.
Queria, sim, porque não quero mais.
Vou permanecer relutante em me entregar inteiramente na mão de alguém.
A última vez foi demais pra eu suportar.
Eu sei que ninguém se importa com como eu me sinto.
Se meu celular toca ou é a Bih, ou minha mãe ou meu pai.
Talvez a Taís pra falar de algum trabalho da faculdade, mas em suma são eles.
Ninguém vai se importar se eu estiver aqui na frente desse computador afogando as mágoas com a porra da mão doendo e a outra engessada.
Ninguém além da minha família, obviamente. 
Só por eles eu me mantenho aqui, juro.
Se fosse pelos outros eu já tinha morrido. Não estou brincando.
Eu sempre sou a panaca que corre atrás.
Eu sempre sou a babaca que liga e que se importa. 
E adivinha? 
Cansei desse papel.
Ser boazinha é exaustivo e eu, inevitavelmente, estou me tornando mais fria com as pessoas que comigo são ternas, porque lhes falta um "e" no início e alguma hora dessas elas vão embora sem pesar, sem olhar para trás.
A verdade é que eu queria ter um amigo e ultimamente alguns tem tentado em vão. 
Afinal, eu mesma mantenho distância, crio barreiras pra não me envolver além do necessário e acabo restringindo metalmente a entrada das pessoas na minha vida.
Prefiro me manter enclausurada aqui, nos meus pensamentos, no meu desconforto, na minha dor...
Pelo menos isso é meu.
Amigos?
Não sei se os tenho.
Os que tenho nunca vi ou não verei tão cedo.
São frutos da minha imaginação tendenciosa.
Eu não sou do tipo de garota que chama atenção, não me sinto assim.
Ele notou, né?
Ele notou e eu criei essa repulsa.
Nem eu tento me entender...
Só sei que estou repleta de coisas que eu gostaria de mudar sobre mim mesma.
Mas eu simplesmente não consigo mudar.
Minha vida é constituída de não realizações contínuas e impaciência
Porque eu sempre fui paciente demais e agora não me restou nem isso.
E se eu não mudar, eu saberei que o porquê.
Ataram-me os braços meus tolos sonhos imobilizados.

Não foi uma boa ideia...

- Oiii! - ele atendeu entusiasmado ao ver quem lhe ligava. Ela destetava ele fazer isso. Ela preferia que ele atendesse normalmente, indiferente, senão deprimido até.
- Ooi - um rápido clarão surgiu em sua mente e a fez esquecer temporariamente o que ia dizer e o propósito da ligação. Isso sempre acontecia quando ela falava com ele, por isso, preparada, segurava um papel com o que pretendia dizer e teve apenas de vê-lo para se lembrar. - Quanto tempo, né? - ela riu. Tinha que quebrar um pouco do gelo. Quebrar, no mínimo, a superfície da ponta do iceberg que ela sentia consigo mesma nessa situação.
- Pois é - ele riu educadamente, mas sem disfarçar a alegria de receber uma ligação.
- Tô te ligando pra te explicar uma coisa que li recentemente e acho interessante você saber também, pelos menos ter uma noção - ela tentava ignorar a empolgação dele para não ficar mais nervosa ainda - Lembra de uma vez você sonhou que eu era uma sacerdotisa e uma guerreira?
- Sim, claro. Não esqueço...
- Então, eu andei lendo uns livros de - ela então começou a explicar os possíveis significados e interpretações do sonho dele, citando as referências também. Ele ouviu tudo atentamente, mas maravilhado por ela estar dando essa satisfação a ele, justo quando suas esperanças com ela já eram escassas. Ela costumava fazer isso, sempre quando ele pensava que não havia mais o que fazer ou o que se esperar, ela ressurgia. Era uma pena ele ter cedido da última vez, antes de ela ressurgir. Isso parece ter complicado ainda mais pelo que passavam, ou tentavam passar. Mas, puxa, como ele a amava. Será que ela tinha certeza disso? Ou será que ela considerava amor algo diferente, provocando falhas interativas entre eles? Provavelmente. - Interessante, né?
- Nossa, muito! Mas pra mim ainda é você - ele decidiu arriscar. Ela riu. O que mais poderia fazer? - Sinto saudade...
Dessa vez ela não riu. Mesmo à distância, ele pôde sentir a tentativa de defesa e a frieza repentina.
- Não vamos começar tudo isso de novo... Eu te liguei só pra dizer isso, achei que... Que seria interessante compartilhar isso, mas... mas pelo visto não foi uma boa ideia - ela falava pensando, como se medisse as palavras.
Ele ficou quieto. Ela sentiu-se mal. Não devia ter ligado, devia ter deixado quieto, sabia disso, devia ter obedecido sua consciência. Que mania de voltar!
- Detesto como, mesmo depois desse tempo todo, eu ainda sinto tua falta.
Ela desligou e não conseguiu conter o choro. Ele sorriu.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Verbo amar

- Só sei que nós nos amamos muito…
- Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
- Não, eu falei no passado!
- Curioso né? É a mesma conjugação.
- Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?
- E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…
- Pensar assim me assusta.
- Por que? Você acha isso ruim?
- É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
- Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
[Pausa]
- Pois é, também dá no mesmo…

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Observando minhas falhas em câmera lenta e o fim se aproximando como numa doce e fúnebre melodia.

É muita coisa na minha cabeça, é como se minha mente mal conseguisse respirar
São tantos planos e tanta vertigem.
Não sei me identificar nesse espelho.
O que diabos eu estou me tornando?
Por qual desses caminhos foi que eu vim caminhando? Céus.
Você tenta são.
Perdição.
Perdemos.
Pendemos.
Sabe o que é olhar em volta e sentir completa, a mente, sozinha?
E só estou...
Completamente sozinha.
Seria muito mais fácil fugir do que te encarar, nesse momento.
Por todas as coisas que eu prometi
E achei que cumprí-las fosse fácil
Mas não é tão simples assim
Se você nem olha pra mim
Eu sou um ser humano, eu morro de medo
É isso o que nos mantém aqui juntos?
Uma soma de comodidades e decepções
Uma divisão em partes desiguais
A gente deveria ser um só, não só mais um.
E quem sou eu pra pedir que você mude?
Eu mudo, você diria...
Ou mudo permaneceria?
Acho que eu nunca vou saber
Nem não ceder
Nem crescer
Nem ser
Com você.

3:57 a.m. Talvez seja a hora, mas vou fazer um pedido

Mesmo que a gente não fique junto pra sempre. Mesmo que acabe semana que vem. Nunca destrua o meu carinho por você. Nunca esfrie o calorzinho que aparece dentro de mim quando você liga, sorri ou aparece no olho mágico da minha porta. Mesmo que você apareça na porta de outras mulheres depois de me deixar.
Me deixe um dia, se quiser.
Mas me deixe te amando.
É só o que eu peço.