quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Carta para um homem à espreita

Querido f.,

me recuso a fazer grandes projeções, mas só queria te dizer algumas coisas bobas e simples, dessas bem honestas que a gente diz só pra quem, com certeza, vai entender. Não há nada de muito grandioso em mim, mas ainda assim eu sinto que esse espaço entre nós guarda grandes imagens, momentos preciosos e alguns sons que só se fazem duas pessoas como nós.
Nesses últimos meses, depois de muito tempo, voltamos a nos falar, como se nunca tivéssemos parado antes – e pode até parecer superficial pra quem está vendo de fora - mas eu sei que se a gente conversa com tanta facilidade por tanto tempo, mesmo com tantas discordâncias, é porque nos merecemos pelo menos um pouquinho. Então, por conta disso, e também por conta do seu cheiro e da cor dos seus olhos, que eu nunca consegui esquecer, queria dividir certas impressões minhas:

Sinto muita falta do calor humano, desses que a gente só sente no auge de um compreendimento mútuo que acontece tão raras vezes quanto é raro o amor. E acho que alguém que não fosse você, se lesse isso, diria que eu sou uma romântica incurável, que eu vivo em séculos passados, em filmes, mas não é isso que eu disse - só você seria capaz de entender. Não estou falando de romance, não estou falando de amor, nem sequer de paixão; estou falando de nós, da gente, disso. Eu sei que você entende.
Tem faltado disso na minha vida, falta alguém que valha a pena viver disso.
Os beijos, os drinks, a embriaguez, tem sido tudo seco e vazio; falta disso, e eu acho mesmo que você é o único que pode resolver essa questão.

te aguardo,
t.

2 comentários:

  1. Me identifico rios com esse texto.
    mimimi :~

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  2. "mas eu sei que se a gente conversa com tanta facilidade por tanto tempo, mesmo com tantas discordâncias, é porque nos merecemos pelo menos um pouquinho"


    Perfect, dear t.

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