segunda-feira, 29 de março de 2010

Vai dizer que não se lembra?

Ela começou a cantarolar, a fim de descontrair o ambiente e quebrar o silêncio que se instalara, enquanto organizava os papéis da pesquisa que eles haviam acabado de realizar.
Waiting for the sunrise, soul dancing in the dark, summer night city...
Walking in the moonlight — ele continuou — Love-making in a park — sorriu e a olhou de esgueira, maliciosamente.
— Acho tensa essa parte, "Love-making in a park" — ela comentou.
— Haha, acha tensa??
— Acho.
— Mesmo depois de já ter feito?
— Han?! — ela estranhou e direcionou o olhar para ele, ainda segurando a pesquisa.
— Vai dizer que não se lembra? — ele zombou conforme deitava-se sobre as grandes almofadas dispostas na cama, usando os braços como apoio para sua cabeça. Ele parecia tão natural e tão confortável que ela sentia-se atraída, tentada a aproximar-se dele cada vez mais. Mas conteve-se.
— Do que você tá falando, pirou de vez? — ela largou os papéis e forçou um sorriso.
— Responda-me uma coisa: — ele se ajeitou e sentou-se, curvando-se na direção dela — Você faria de novo?
— Affe, que mentira, Noel. Eu nunca fiz isso. Que nojo.
— A culpa não é minha se eu tenho uma memória melhor que a tua. — sorriu e semicerrou os olhos de forma espontânea, demonstrando satisfação — Ou se estava menos bêbado que tu, pelo menos...
— Menos bêbado?... Ahhhhh. — de repente, ela se recordara um pouco do dia ao qual ele fazia referência. Sentiu-se um pouco desconfortável com a lembrança.
— Cínica! Sabia que você se lembrava!
— Lembrei agora só. Mas nada disso que você está insinuando aí. Já disse que acho isso nojento. — voltou a arrumar as folhas soltas.
Manoel observou-a. Ela ainda não se lembrara por completo. Não do que ele queria que ela se lembrasse, não daquele momento, que ele tanto considerou. Mas não a culpava.

Ele então notou que ela ficara impaciente. Batia o pé direito freneticamente no chão ao passo que projetava um biquinho nos lábios. Ele a conhecia, conhecia seus modos e formas de comportamento. A maioria deles, ao menos.
"Será que ele tá de zoa? Ou não? Pô, não pode ser... Pensei que ele fosse se lembrar menos do que eu e... não passou de um beijo. Nem beijo, selinho! De dois amigos bêbados.", ela pensou, apreensiva.
Quando ele estava prestes a tornar a insultá-la, ela virou-se para ele. Surpreendeu-o.
— Você tava falando sério? Tenho de admitir que naquele dia eu tava muito alta e confesso que não me lembro de tudo claramente...
É, ela ficara nervosa.
— Ai Sueli, você é tão bobinha... Mas deveríamos repetir a dose. — e riu. Riu de nervoso, de frustração, pois ela definitivamente não se lembraria do que ele gostaria que ela se lembrasse. Do momento após o selinho, de como ele segurara sua mão e de como ele declarara seu amor tão sinceramente a ela, somente a ela.
Zangada, mas aliviada, ela limitou-se a encará-lo com uma cara de reprovação. Como ela detestava quando ele zombava dela daquele jeito!
— Ah, vai Su, você me ama mesmo assim, confesse. — e continuou rindo, voltando a deitar-se.
— Ah, vá ao diabo!

2 comentários:

  1. GENTE, que fantástico isso.
    HSAUSHAUASHSAUH Ela nem se lembra do fato (se é que ocorreu, né), mas achei super fofo que ele tenha se declarado e as coisas continuaram de boa.


    Muito fofos. *-*

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  2. Adorable. *----------*
    As coisas só continuaram de boas pq ela não se lembrava dur. xDD
    Mas eu acho que ela o ama, só parece danificadinha demais pra perceber o que ele sente e decidir como ela se sente em relação a isso


    q

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