segunda-feira, 15 de março de 2010

Sapato velho

Talvez eu seja simplesmente como um sapato velho. Ou só um ser humano.
No momento eu não passo de um ser humano. Um ser humano chato, patético e burro. Um ser humano.
E eu, nesse momento de tanta demência e falta de amor próprio, preciso de alguém. (Seria você?)
Na verdade, não preciso. Mas queria precisar. Mas também não sei por que queria precisar.
Não, na verdade de verdade, eu queria ser veloz, hábil, esperta, bela, talentosa... Não sei, todas essas coisas que todo ser humano quer ser.
Não como um sapato velho. (Apesar de ainda servir e aquecer o frio dos pés).
Acho que é por isso que eu queria tanto querer precisar de alguém (você?) agora. Porque eu queria ouvir que eu já sou tudo isso. Afinal todo ser humano precisa revigorar o ego e se sentir confiante quando a própria voz repetindo essa frase na cabeça não funciona mais. Mas, honestamente, não sei se é você. Não sei exatamente o que quero. Talvez eu precise sair de mim.
Só um pouquinho.
Só um pouquinho ser toda a gloriosa, ininterrupta e invejável juventude que eu transmitia todos os dias.
Nesse momento só sou um ser humano. Um ser humano qualquer, com olheiras e um corpo visivelmente cansado, branco de forma patológica e sem ninguém.
Porém, não reclamo. Só estou comentando.
De fato, devo admitir que ser um ser humano é muito melhor agora que ser uma pessoa.
Pessoas precisam das outras. Um ser humano como eu só queria precisar de alguém.
Pessoas são estranhas e mudam com frequência.




Quando eu sou um ser humano só meu corpo muda.

3 comentários:

  1. Eu sou um ser-humano-sapato-velho.
    Oh, céus. ~~


    me leu, amg. ;_;

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  2. "Quando eu sou um ser humano só meu corpo muda."

    Uau!

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    Pelo post, me parece uma crítica mista. Fala tanto dos conceitos de "pessoa" e "ser humano", quanto a uma auto-crítica. Além do mais, a crítica varia para positiva e negativa.
    Soa triste, mas não deixa de ser bonito.

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