quarta-feira, 24 de março de 2010

Juan e Liandra

— Oh, darling! I just don’t know how to explain to you, but…
— So, would you be gone?


— Ai, que filme chato! — disse Liandra levantando-se, impaciente.
Juan então pegou o controle remoto e mudou de canal enquanto Liandra dirigia-se para a cozinha.
— Pensei que gostasse de drama. — ele replicou, em voz alta.
Nada.
De repente, houve barulhos de pequenos estouros. Momentos depois, ela voltara com um pote de pipoca.
— Você às vezes pensa que sabe demais. — e sentou-se à sua direita.
— Também te amo.
— Besta.


Após dois filmes – sendo o segundo assistido pela metade devido a um cochilo – e seus respectivos intervalos, Liandra, que estava com a cabeça apoiada no ombro de Juan, desviou o olhar da televisão e pousou nele. Quantas tardes como aquela já não passaram juntos? Afastou-se para observá-lo melhor.
Ele demorou – ou quis demorar – para notar, mas finalmente lançou-lhe dois olhares em resposta.
— Ei... — ela começou.
Logo ele puxou-a para perto de si, envolvendo-a com o braço direito e repousando sua mão em sua cabeça, confortando-a. Mesmo sem poder encará-lo agora, ela continuou. Seria melhor assim.
— Você me amaria mesmo se eu deixasse de te amar?
Fez-se um breve silêncio.
— Não sei, talvez sim, talvez não.
— Tô falando sério.
— Você sabe que sim. Foi assim das outras vezes, pelo menos. — ele pegou o controle remoto com a mão esquerda e voltou a mudar de canal novamente, sem mudar a posição deles — Mas você sempre volta.
— Eu não quero.
— O quê? Voltar?
— Que você continue me amando.
— Não posso fazer nada, querida. Você quer terminar?
— Mas que droga, Juan! — disse ela, afastando-se irritada.
Ele continuou procurando algo interessante para ver, imparcial, sem voltar-lhe o olhar. Ela continuava ao seu lado.
— Você poderia me levar a sério.
— Amor, eu não te levo a sério?
— Para, Juan.
— Putz, quê que eu falei que te irritou tanto?
Ela o ignorou. E continuava emburrada, olhando para a televisão. Passaram aproximadamente 10 minutos em silêncio.
— Você é um idiota.
Ele mudou de canal, quieto.
— Ouviu?
Ele continuou ignorando-a.
— Tô falando contigo! — e deu um empurrão em seu braço.
Em um rápido reflexo, ele segurou sua mão e seus rostos ficaram muito próximos. Cedendo à proximidade e arriscando a chance, ele encostou suavemente seus lábios nos dela. Ela não resistiu e retribuiu.
Ele parou e olhou-a nos olhos.
— Eu ouvi.
Constrangida, sentindo-se afrontada e impotente ao mesmo tempo, ela soltou sua mão da dele ao passo de que abaixava o olhar. Observando-a, ele arrumou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha e aproximou-se por inteiro dela.
Beijaram-se intensamente.
— Por mais que você deteste, eu vou continuar te amando. — disse ele ternamente.


E assim terminaram o namoro.

4 comentários:

  1. Quando o amor da gente é grande assim é normal que a gente se machuque. Sempre machucamos as pessoas que amamos, mas isso não quer dizer que o amor para de existir.

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  2. É normal que a gente se machuque quando o amor é grande e a outra pessoa não se sente da mesma forma, isso sim.

    Amei o texto, na real :~

    ps: que guria chata!
    HSHUASHAUSHUAHSUA

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  3. Amo como essa história é surpreendente. :D

    Amei, amei, amei.
    Já tinha te dito isso.

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  4. Mas ainda acho que ela é louca. Do amor não se deve fugir, e sim lutar.

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