terça-feira, 19 de abril de 2011

Mrs. Brightside

Começou com um beijo e como pode terminar assim?
Eu estava deitada na minha cama quando resolvemos acabar com tudo e acredite em mim quando eu digo que pelo menos do meu lado não é falta de amor, talvez o excesso dele... Não sei ao certo. Você foi embora e eu adormeci, aliviado por acabar com o nosso sofrimento.
Mas dói te ver todo dia, querido, toda hora eu tenho vontade de agarrar você e desfazer o que já foi feito, mas aí eu paro e penso que nada pode ser tão simples assim; eu canto meu blues enquanto você serve todas aquelas meninas, que eu tanto tinha ciúmes, e não faz questão de esconder que está flertando com elas.
Mas isso não significa nada, não é mesmo, você ainda está sofrendo por mim, né?
Minha música vai ficando cada vez mais triste e eu vejo que você não se abala em nenhum momento, então eu troco e canto nossa música e só te vejo lançando um olhar profundo e meio perturbado pra mim.
Sim, você ainda está sofrendo por mim, você ficou tão chateado quanto eu.
Porque bem dentro de mim eu não sou tão durona quanto eu gostaria, mas eu não ia deixar você ver isso ontem, querido, eu ia colocar tudo isso na minha música e esperar que você tivesse algum tipo de resposta, alguma reação e você teve!
Mas logo eu vejo que você desviou o olhar de mim para a linda menina que está na sua frente e isso faz meu coração diminuir um pouco mais e mais. Eu paro de cantar, vou até o bar e você me atende com seu sorriso devastador e diz que a noite está "bem movimentada".
Eu sempre fui boa em pegar suas ambiguidades, mas eu preferi fazer vista grossa e quando você foi embora, eu te vi com ela, pode ser coisa da minha cabeça, mas ela estava se recostando no seu peito como eu fazia antes e eu não consigo mais olhar.
Isso me mata.
Mas eu ainda acho que isso é um paliativo, você ainda sofre por mim.

E sim, meu amor, eu ainda me chamo Mrs. Brightside.

Um comentário:

  1. Mas isso não significa nada, não é mesmo, você ainda está sofrendo por mim, né?

    - da arte de perceber o que tinha depois que perde
    - da arte de ter uma confiança suficiente pra afirmar que ele ainda sofre

    eu adorei esse eu lírico, Prim.

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