sábado, 2 de abril de 2011

Conversa sem diálogo: eu, amor.




Deitei do lado direito e ele do esquerdo. Ambos recostados em nossos próprios braços, nos encaramos.


Ele piscava lenta e languidamente. Com a minha mão livre passei as costas dos meus dedos em seu rosto fazendo todo seu traçado, memorizando e eternizando sua forma em minha mente. Maxilar, queixo, bochecha, lábios... Seus olhos me olhavam sério, bem no fundo da minha pupila dilatada, como se quisesse desvendar o que elas queriam dizer.


Eu queria ser menos amor.


Tirei minha mão levemente dele, virei o rosto para o teto imaginando no que aquilo iria dar. Mas sua mão recostada encontrou a minha de surpresa, queria dizer “Ei...”. Ele acariciava cada dedo meu, enquanto ainda olhava atento aos meus olhos. E eu não consegui.


Meus poros exalavam amor, meu suor transpirava amor, todos os fios do meu cabelo, todas as minhas terminações nervosas vibravam naquela paixão culminante.


Eu era amor do começo ao fim.


Fechei os olhos, esperando que assim como o mar, a maré baixasse, a calmaria chegasse.


E quando finalmente os abri, percebi que ele estava sorrindo para mim. O tipo de sorriso sincero, a linha desenhada perfeita, que você espera a vida toda para ver (esse dizia “sua boba”).



Daí minha maré transbordou, daí eu nunca mais parei de ser amor.

2 comentários:

  1. Jesus, Maria, José, que texto mais lindo e perfeito esse, sem brincadeira.
    "...todas as minhas terminações nervosas vibravam naquela paixão culminante.
    Eu era amor do começo ao fim."

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  2. Sinto isso todo dia. (:
    Amei o texto, btw. *-*

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