quinta-feira, 3 de março de 2011

Rindo pra não chorar

Ele era sempre assim, dono desse sorriso indelével e desse ar intocável. O jeito modesto e ao mesmo tempo aqueles olhos de quem tem um mau comportamento, de quem está sempre ávido por paixões ardentes e efêmeras. Era o tipo de cara que acendia velas no primeiro encontro e ao mesmo tempo o que iria segurar com força seu cabelo e deslizar lentamente os lábios no seu pescoço no fim da noite. Ele fazia uma moça recatada como eu revelar seu lado mais insano, ou talvez o mais são. Ele me fazia desejar ter minha casa e um emprego bom, pra gente poder se ver com frequência. Ele era lindo, impecável, másculo e vintage, era gentil com tudo e todos... Em um ponto que até quem o odiava acabava caindo na lábia dele. Ele tinha um espírito livre, sonhador, respeitava meu gosto musical, me levava pra viajar para os lugares mais lindos que eu já vi. Gostava de ficar deitado comigo na rede numa casa perto do rio que compramos, gostava de me abraçar e de me fazer perder o juízo. Quando eu estava começando a desanimar ele organizou uma festa com os meus amigos. Conversou com todos, foi um excelente anfitrião e todos diziam como ele era educado. Casávamos e eu estava linda de noiva. Tentando não chorar ao vê-lo sorrindo ali, diante de mim. De repente eu me vi com nossos filhos, um menino e duas meninas. Chamavam-se Álvaro, Yole e Elisa. Tinham 6, 4 e 2 anos, respectivamente. Estávamos tão felizes juntos que parecia cena de comercial de filme. As crianças saiam e ficávamos só nós dois na cozinha. Ele colocava a mão na minha cintura, parava só pra aumentar o som em uma música qualquer e dançava comigo. Eu ria com uma das mãos no seu ombro e a outra segurando a mão dele. Ele beijava minha boca e minha testa e sussurrava no meu ouvido: você foi a minha melhor e mais bem aventurada escolha. Eu o olhava até que os olhos caíam, fechavam, preparando-se para o nosso beijo. Em outro momento eu estava de terninho, indo trabalhar, colocando os brincos e os sapatos, mega atrasada e ele me puxava de volta pra cama. Foda-se, eu pensava, já estava mesmo atrasada. Aí na outra cena nossos filhos já haviam crescido e estávamos no casamento de Yole. Chorávamos emocionados, apertando a mão um do outro.
eu acordei.

Um comentário:

  1. HSAUHSAUHSAUHSAUHSA
    SAIUHSAIUHSAIUHSAIUHSAIUHAS
    SAHSAUHUSAHASUHAUHSAUHUSAHASUH
    Ri baldes, sério.
    Ficou bom demais, Mah, mesmo mesmo, achei ele perfeito e lindo e adorei a meia-ironia dele existir em sonho.

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