segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Ampulheta

Eu odeio admitir, mas você ainda está na minha cabeça.
Estranho o que o cérebro costuma fazer com a gente, tortuoso que meu cérebro me faça lembrar de cada toque e cada beijo toda hora que tem um tempo vago para não pensar em nada. E eu quem quis tanto sentir algo assim, impúdico, cheio de consequências, era bom pra me livrar do marasmo.
Eu fico te admirando de longe, fingindo que estou fumando meu cigarro, só queimando o que me intoxica e eu sei que é hora de despejar as cinzas, mas prefiro vê-las caírem como areia numa ampulheta, prefiro contar o tempo que eu passo admirando você, sua voz grossa e distinta, que fica marcada na memória me falando exatamente o que eu queria ouvir no meu ouvido.
Eu odeio que existam opções pra mim, agora que eu não quero ninguém na minha vida e mesmo assim, nas minhas horas vagas eu me pego pensando em você, eu me pego arrumando pra eu te ver no corredor e nem falar contigo, mas só sorrir pra você, já compensa tudo.
Não é uma droga que quanto mais o tempo passe, mais eu goste de você?

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