domingo, 5 de setembro de 2010

Não foi uma boa ideia...

- Oiii! - ele atendeu entusiasmado ao ver quem lhe ligava. Ela destetava ele fazer isso. Ela preferia que ele atendesse normalmente, indiferente, senão deprimido até.
- Ooi - um rápido clarão surgiu em sua mente e a fez esquecer temporariamente o que ia dizer e o propósito da ligação. Isso sempre acontecia quando ela falava com ele, por isso, preparada, segurava um papel com o que pretendia dizer e teve apenas de vê-lo para se lembrar. - Quanto tempo, né? - ela riu. Tinha que quebrar um pouco do gelo. Quebrar, no mínimo, a superfície da ponta do iceberg que ela sentia consigo mesma nessa situação.
- Pois é - ele riu educadamente, mas sem disfarçar a alegria de receber uma ligação.
- Tô te ligando pra te explicar uma coisa que li recentemente e acho interessante você saber também, pelos menos ter uma noção - ela tentava ignorar a empolgação dele para não ficar mais nervosa ainda - Lembra de uma vez você sonhou que eu era uma sacerdotisa e uma guerreira?
- Sim, claro. Não esqueço...
- Então, eu andei lendo uns livros de - ela então começou a explicar os possíveis significados e interpretações do sonho dele, citando as referências também. Ele ouviu tudo atentamente, mas maravilhado por ela estar dando essa satisfação a ele, justo quando suas esperanças com ela já eram escassas. Ela costumava fazer isso, sempre quando ele pensava que não havia mais o que fazer ou o que se esperar, ela ressurgia. Era uma pena ele ter cedido da última vez, antes de ela ressurgir. Isso parece ter complicado ainda mais pelo que passavam, ou tentavam passar. Mas, puxa, como ele a amava. Será que ela tinha certeza disso? Ou será que ela considerava amor algo diferente, provocando falhas interativas entre eles? Provavelmente. - Interessante, né?
- Nossa, muito! Mas pra mim ainda é você - ele decidiu arriscar. Ela riu. O que mais poderia fazer? - Sinto saudade...
Dessa vez ela não riu. Mesmo à distância, ele pôde sentir a tentativa de defesa e a frieza repentina.
- Não vamos começar tudo isso de novo... Eu te liguei só pra dizer isso, achei que... Que seria interessante compartilhar isso, mas... mas pelo visto não foi uma boa ideia - ela falava pensando, como se medisse as palavras.
Ele ficou quieto. Ela sentiu-se mal. Não devia ter ligado, devia ter deixado quieto, sabia disso, devia ter obedecido sua consciência. Que mania de voltar!
- Detesto como, mesmo depois desse tempo todo, eu ainda sinto tua falta.
Ela desligou e não conseguiu conter o choro. Ele sorriu.

2 comentários:

  1. Baseado em fatos verídicos?
    Adorei essa confusão (:

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  2. OW, eu realmente achei que fosse baseado em fatos verídicos.
    D: SHOCKEY com a belezidade real dessa história.

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