quarta-feira, 21 de julho de 2010

Nobel

Quer saber? Dane-se o horário e meu cansaço para os afazeres de amanhã, eu preciso desabafar isso de dentro de mim.

Estou cansada desse mal-estar toda vez que entro em contato com alguma coisa que me transporta àqueles tempos. Estou cansada de ter que lidar com essa sensação frustrante de perda, porque, afinal, eu não perdi. Eu ganhei. Ganhei um dos momentos que tanto tinha vontade de vivenciar. Minha vontade foi realizada. Ainda assim, eu tenho essa sensação, como se eu tivesse ganhado o Prêmio Nobel e o perdido em algum lugar da minha estante, como se, de alguma maneira, tivessem batido a porta do recinto com tamanha força que, consequentemente, o prêmio tivesse caído por detrás da estante e eu não pudesse mais alcançá-lo para devolver à sua posição. Em seu lugar, ficou uma marca, uma marca empoeirada, que antes era delimitado justamente pelo formato desse prêmio. E eu tenho raiva, senão pura inconformação, quanto a isso, porque toda vez que eu olho para a estante, eu não vejo mais o prêmio, mas a sua marca deixada. E essa marca provoca tamanha nostalgia que toda vez que me deparo com alguma outra marca, idêntica ou que simplesmente remete ao prêmio, eu me sinto mal e me sinto culpada por ter deixado cair o tal prêmio. Sei que tudo vem e tudo vai. Sei que a culpa não é exclusivamente minha. Porém, por mais que eu vise e adquira outros prêmios, eu ainda olho para a marca deixada e ainda imagino como estaria se não tivesse caído da estante; se ele aparentaria como quando eu me lembro dele ou se ele não atingiria mais minha atenção.

No fim das contas, necessitamos de mudanças, mas me parece que, apesar de necessitarmos, não sabemos lidar com elas at all.

2 comentários:

  1. Veja pelo lado bom, pelo menos se ganhou.
    Eu queria ter ganhado um prêmio Nobel alguma vez.

    (?)

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  2. Poxa, um prêmio Nobel é bom demais!
    Mas você tem que se concentrar que esses outros prêmios podem ocupar exatamente o mesmo espaço e serem grandes o suficientes pra não cair da sua estante.
    Bom você lembrar do que teve sempre. Mas não sofrer pra sempre.

    o final ficou mara, amiga!

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