sexta-feira, 22 de julho de 2011

The hard one.

Deitada ali sobre ele, eu gentilmente pedia para que ele fechasse os olhos, assim jamais veria os demônios em meu olhar. Era por isso que eu o obrigava a fechá-los toda vez que dormíamos juntos, acho que acabar um jogo logo no começo faz todo o resto perder o sentido e se ele realmente me visse, saberia.
Uma face angelical pra esconder tanta vilania, eu sempre soube que eu era bonita com esse ar de inocência, mas ninguém pensava que eu poderia ser má. Acho que as pessoas sempre duvidaram da minha capacidade de ser ruim, bem, azar o delas. A verdade é que eu pensava em várias maneiras de destruir um a um ao meu redor e fazia questão de destruir de forma mais lenta e caótica os homens. Eles são fracos e não sabem dizer não quando se tem os lábios deslizando em seus corpos. Ali encontram-se completamente vulneráveis...
Você tem que saber cozinhar, meu bem? Na verdade não, mas tem que fazer ele pensar que sabe comer.
Aí você pode rolar em cima, cuspir, pisar que não vai fazer diferença, ele é seu. No fim das contas somos apenas grandes lábios, bundas, seios, bocas, dentes, língua...Apenas isso. Eles não dão a mínima pra qual era seu sonho de infância, pra se você se sente confusa ou vazia ou se você chegou no meu estágio e não sente absolutamente nada. Eles nunca percebem. E então depois de ficar exausta demais pra suportar as merdas dele foi o que eu fiz... Amarrei seus braços e pernas na cama, montei nele, deixei minha língua invadir-lhe o ouvido, a boca e o juízo e depois, no ápice do êxtase peguei um bisturi e cortei-o devagarzinho. Lambi o sangue dele e o vi sentir dor. E eu me apanhei rindo de tudo aquilo, dos seus olhos arregalados e repletos de pavor, do suor que outrora era de amor e agora de pânico. Até que ele simplesmente gritou e começou a me xingar. Aí eu o calei pra sempre, insolente e patético, achou mesmo que podia fazer o que quisesse comigo? Que eu me curvaria e aceitaria suas confusões?
Às vezes ainda ouço a voz dele sussurrando meu nome.
Mas uma mulher precisa se impôr, não é verdade?
E não existia nada mais que me prendesse ali.

Um comentário:

  1. UAAAAAAAAAAAAAU

    AMEEI

    Principalmente essa parte:

    "Amarrei seus braços e pernas na cama, montei nele, deixei minha língua invadir-lhe o ouvido, a boca e o juízo e depois, no ápice do êxtase peguei um bisturi e cortei-o devagarzinho. Lambi o sangue dele e o vi sentir dor. E eu me apanhei rindo de tudo aquilo, dos seus olhos arregalados e repletos de pavor, do suor que outrora era de amor e agora de pânico."

    Os demônios no olhar também, nossa... UAU

    Brilhante.

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