terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Paisagem

Contemplava o mesmo céu que você, o contraste das cores primárias dançando freneticamente... Ou talvez eu só estivesse percebendo o rápido giro da Terra agora.
Respirei fundo e apoiei meu copo de café do lado do seu, que já tava quase vazio; acendi um cigarro e joguei a primeira fumaça pra cima, esperando que o cinza se juntasse à mescla do céu e olhei pro lado. Você parecia mais lindo ainda sob a luz do sol fraco que nascia detrás das árvores da reserva, não podia ser   que tu não visse isso, tava ali na tua frente todo dia no espelho, o reflexo de quem você era por fora não era de um cara fudido e sofrido, era o reflexo de quem eu sempre sonhei pra mim, daquele cara que era tão perfeito, até nas imperfeições.
Sabia que você tava pensando em todas as coisas que te deixam chateado com sei-lá-o-que e te mantém acordado nalgumas noites, seu silêncio já me dizia tudo que eu precisava saber. Pisei na ponta do cigarro e o atirei no asfalto, dei um gole de café e um beijo em sua bochecha.
Chega de olhar o céu, meu amor, que o dia tá chegando, o Sol tá raiando e Deus sabe que luz demais não faz tão bem, você me enxerga completamente sob a luz e eu tenho medo de você ver quem eu sou de verdade...
Te conduzo devagarinho pra dentro da casa, segurando sua mão, olhando nos seus olhos, mas vejo que tudo ainda tá meio difuso neles, a imagem do céu ainda não saiu deles, mas eu sei que logo que você entrar, tudo vai ser diferente.
Eu entro.
Você entra.
Eu apago a luz
E...

Ação!

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