segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Que seja leve

Não quero teus dias corridos, teu tempo contado. Quero todo tempo do mundo. Guarda o teu dinheiro. Não quero coisas caras, prefiro as raras. Quero piquenique no parque. Quero sentar no balanço. Andar de mãos dadas. Pés descalços na areia. Quero beijo de boa noite e alguém que me cubra quando o lençol escorregar. Que não poupe palavras, elas são essenciais. Que me escreva bilhetinhos. Que não ria por eu ter medo de buracos. Que não me deixe na mão, mesmo quando eu disser que consigo sozinha. Alguém que entenda meus surtos. E que enxergue que tenho um olho mais claro que o outro. E que me veja, me perceba, me sinta e note que meu jeito auto suficiente é o medo de depender das pessoas. É a forma que eu encontro pra disfarçar minhas fraquezas.
Alguém que entenda meus choros, não só os que saem. Aqueles que ficam escondidos e ninguém vê. E que não me ache boba por querer construir um abrigo pra animais. Não precisa me entender sempre, só me escutar. Não precisa concordar, só me amar. Por favor, me ame com tudo o que você tem. Me ame com o meu cabelo despenteado, com as olheiras, as sardas, com minha compulsão por comer besteira. Me ame com meu medo de dormir com os pés destapados. Me ame com tudo que eu tenho.

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