segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Meu personagem preferido

Pensar em você é me conduzir a um futuro distópico e distante.
Uma realidade onde eu tenho os cabelos enormes e coloridos, porque se é uma realidade alternativa você me amaria do jeito que eu fosse.
Pensar em você é me entregar sem restrições a possibilidade de ter sido o mais feliz que algum ser humano pode ser. 
É pensar em acordar com o cheiro da farofa de ovo com um copo de café, nada de bacon e suco de laranja, que além de ser muito estadunidense, é muito mais elaborado do que o amor que a gente sentiria. 
Pensar em você, é abrir mão do que eu sou agora. Me permitir cogitar uma vida com você é renunciar a vida que eu tenho. Absorta nesses devaneios é o meu mundo que pouco a pouco desmorona.
Você pertence a um alto pedestal, feito pro homem que eu inventei. E eu te inventei inteiro. Do franzir de testa a cor dos cabelos. Dos traços ás traças que te consomem. 
Tudo é trabalho da minha inventiva imaginação.
Você é o meu botão de auto-destruição mais bonito. E a possibilidade disso ter dado certo daria espaço a tantas histórias em quadrinhos... Tantas aventuras, porque enquanto você estava aqui eu me sentia feliz e completa.
Se eu soubesse, ah, se eu soubesse que te inventar seria tão doloroso, que eu não pudesse pensar em você sem sentir os olhos encharcarem de ódio ou de amor, eu juro que eu não teria te criado em nenhuma realidade.
E que ironia que eu só possa ser feliz se meu personagem preferido morrer de vez na minha história.

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