domingo, 1 de maio de 2011

Esqueça-te de Mim

Hoje eu falei contigo e não senti absolutamente nada; nem a pena que eu sentia no começo quando seu flerte era fajuto e completamente ineficiente, muito menos as borboletas no meu estômago quando eu finalmente percebi que eu estava apaixonada por você.
Nada, absolutamente nada.
E enquanto muitos pagariam pra sentir nada com relação ao passado, eu me pego perguntando o que será de mim agora, pra quem eu olharei furtivamente nos corredores lotados se agora eles parecem um pouco mais calmos porque você não está mais neles; quando você não está mais em cada rosto que eu vejo e muito menos nas minhas entranhas que viviam de você.
Eu falei com você e sua atitude não passou de algo indiferente, você disse que estava bem mesmo não estando para não ter que prolongar a conversa, afinal de contas, já conversamos demais no caminho longo que a gente percorreu e palavras se tornam subestimadas quando a gente se entende tão bem pela nossa linguagem corporal. Perguntei se havia algo novo ou alguém novo na sua vida e você só balançou a cabeça.
Eu te beijei e você retribuiu, mas não havia desejo naquele beijo, apenas rotina, então você me puxou pra perto e perguntou se eu tinha algo novo pra contar e eu me restringi à um murmúrio, algo não compreensível, aí você passou a mão pelo meu cabelo gentilmente e me olhou nos olhos.
Sabe o que eu vi refletido nos seus olhos?
Nada.
Nenhum brilho, nenhuma paisagem, nem me vi refletida nos seus olhos, apenas algo turvo, como se você não estivesse lá e pela primeira vez olhar pra isso não me doeu, na verdade, não me causou nada. Então, pra compensar, eu te dei um beijo cheio de desejo, de vontade de você, porque o que a gente sentiu nunca passou disso e te olhei, suplicando pra você esquecer de mim como eu esquecia de você.
Sabe o que eu vi refletido nos seus olhos?
Nada.
Nem dor, nem pesar, nem alívio.
Então eu me virei de costas e fui embora... E essa foi a última vez que eu te vi.

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