sábado, 11 de abril de 2009

Um texto antigo, retratando o primeiro dia que me dei conta de que vc não era mais o mesmo.

Seu rosto estava péssimo hoje,
parece que você anda de ressaca há dias.
Seus olhos mal olhavam os meu e eu queria sair dali.
Seu riso e suas palavras não eram para mim, eu era quase imperceptível.
Mas fiquei bem porque sua nova aparência assustadora não me agradava e você não tinha mais cheiro. Suas palavras eram apressadas mas gritavam numa ênfase notável, para mim, o nome dele. O que fez meu rosto amargurar e sentir o peso daquele nome dentro de mim.
Você não se importou, nem sequer reparou.
Quando fui embora, sufocada demais com o meu próprio silêncio, pude me lembrar que a aparência dele, fosse sóbrio ou chapado, era impecável para mim.
Os olhos dele sempre procuravam os meus e eu só queria ficar ali para sempre.
Os sorrisos dele eram todos meus e so precisava de um olhar para transmitir suas palavras. Para quê palavras? Se podemos nos entender tão bem apenas nos fitando; como se estivéssemos lendo cada linha do nosso pensamento, desvendando os nossos mais obscuros mistérios.
O cheiro dele emanava doce dentro de mim embriagando meus sentidos.

Era assim quando estávamos juntos (e não é mais),
de um jeito que nunca foi com você.

Um comentário:

  1. "Os sorrisos dele eram todos meus e so precisava de um olhar para transmitir suas palavras. Para quê palavras? Se podemos nos entender tão bem apenas nos fitando; como se estivéssemos lendo cada linha do nosso pensamento, desvendando os nossos mais obscuros mistérios."
    Demorou cem anos pra desvendar que quem era a pessoa era o C. não o JFDP.

    Ficou lindo, Dels. E pensar que você fez isso no dia que a Mogli[argh] apareceu.

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