quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Goodbye Taurus

Você diz que estava morto havia dois anos e que agora voltou à vida.
Eu acho que você ainda está morto.

Ele costumava ter um toque personalizado no meu celular. Era uma daquelas músicas que quase ninguém escuta, mas a gente escutava. Mas eu não escuto mais essa música tocando no meu celular. E a pessoa que eu achava uma das mais previsíveis para mim, de tanto conhecê-lo, de repente agiu da maneira mais imprevisível possível. E eu não estou falando de um namorado ou qualquer coisa do tipo. Mas de um amigo. O melhor deles.
Me deixa com uma tremenda raiva ouvir aquela voz familiar feminina, tão amiga, falar dele querendo que ele volte. Mas me deixa com mais raiva ouvir minha própria voz falar algo do tipo. Porque ele não merece voltar.
Se pedir desculpas, deixar de lado o orgulho ferido e se humilhar na frente de alguém não faz ele entender que essa pessoa está totalmente arrependida, eu não sei o que faz. Porque ele cuspiu tudo que ele queria dizer na minha cara, e eu sempre fiquei bem calada tentando não explodir junto com ele, porque eu sei que se eu me alterasse aquilo não ficaria bom. Eu ouvi todas as coisas que ele disse, e ele sempre me deixou falando sozinha. Ouviu o mundo e nunca, NUNCA me ouviu. Sempre acreditando no que ele próprio queria acreditar.

Os dias da última semana parecem mais como meses para mim. Como alguém que sempre preservou tanto uma amizade, uma amizade que só cresceu e ganhou forças em poucos meses, como alguém que em pouco tempo eu já sentia tanta confiança, como alguém que eu achava que conhecia tão bem quanto eu mesma, como ele pode fazer tão pouco de nós hoje em dia?
Era tudo mesmo uma mentira? Tudo era um teatrinho pra você? Porque pra as pessoas que eram sua vida, agora não somos mais do que meros conhecidos na rua.
De vez em quando nos pegamos rindo sozinhas, nos lembrando daquele nosso amigo. Das nossas conversas, do que nós fazíamos... Então porque você tinha que “morrer”?! Eu tenho a teoria de que ele, o verdadeiro ele, está escondido em algum lugar, melancólico e sozinho, pensando na vida enquanto ouve Elliott Smith, e ele deixou esse E.T que tem a mesma aparência que ele para que os pais dele não fizessem alarde sobre seu desaparecimento.
Ele não é mais o mesmo.
Mesmo que nós vivamos apenas nas lembranças de quando a gente se juntava no MSN para falar besteira, e quando ele apostava pra ver quem iria ligar primeiro, as teorias tipo a dos dedinhos, as músicas e quando tocávamos violão e trocávamos mensagens pelo celular a todo momento até a conta explodir. E a primeira vez que nos vimos dando voltas e voltas no mesmo shopping, no mesmo espaço e nem se falar! Ou assistir o mesmo filme na mesma sala de cinema e nem tchun. Haha. É. A gente sente a sua falta. Até eu sinto, é eu sinto. Mesmo das chatices dele, e de quando ele me deixava morrendo de preocupação quando ele queria fazer merda. Nós tínhamos os mesmos gostos, foi assustador quando nos conhecemos (pela segunda vez). Era minha versão masculina (?)


E você pode se perguntar: Porque justo ele? Podia ser qualquer um, mas não. Porque essa era uma das últimas coisas que eu achava que acabaria na minha vida. Mas como a minha vida é uma caixinha de surpresas mais estrondosa do que as outras, eu deveria achar quase normal uma coisa dessas acontecer. Como a Iris diz, ela deve ter pregado chiclete no cabelo de Jesus para merecer castigo! Haha. Se ele não estivesse na hm situação que está você teria dito “eu te amo” pra ele e mesmo que ele tivesse ficado surpreso, o que é lógico, ele iria sorrir pra você e se auto culpar por isso e fazer alguma música com auto critica.
Eu sinto falta dele [2]. Até me chamando de boboca e bocó. E eu chamando ele de babaca e jumento. Mas ele também me chamava de bruxinha, o que era fofo. Hm. A “música dele” era Four Winds do Bright Eyes e ele também sempre dizia “ok”, ele abaixava a cabeça e dizia “ok”, e nós pegamos a mania de dizer isso também! É...
Mas isso não emplaca o sentimento que eu tenho agora.
O fato é que eu não vou me lembrar dele por muito tempo. Se não passar mais tempo com a gente, ele fará parte de algum capítulo do meu livro, afinal, foram só alguns meses.
Meses bem felizes, que na época era tão normal que eu nem percebia a felicidade. Porque era rotineiro.
Mas agora eu vejo, porquê perdi. Perdemos. Então minha memória seletiva automaticamente o apagará. Os detalhes e lembranças serão apagados, só lembrarei que existiu algum hm... Ele.

Where the fuck are you, Arienette?!

Não consigo sacanear ele e rir mais. A coisas dele não tem mais graça, nem xingá-lo. E isso porque eu adorava xingar e tirar ele... não tem mais aquela graça. É que nem zoar alguém que já morreu. Você não quer fazer graça, você não quer falar. Você quer... esquecer.
Se ele está melhor do jeito que está, que esteja. Espero mesmo que não acorde algum dia desses e perceba que continua morto e viveu mais uma de suas fantasias para se satisfazer da falta de vida que tanto alegava ter.

Se eu te conheci quando estava “morto”,
então eu prefiro você morto.

3 comentários:

  1. Caracasssss, post foda (e olha que eu só falo essa palavra quando necessário)!!
    Acho que você finalmente disse tudo o que precisava dizer.
    Fala sério, adorei o post, apesar do motivo não ser lá tão comemorativo assim... :/
    Mas é, as coisas como são...
    O negócio agora é esperar pra ver, afinal, a sua parte você já fez.

    ;**

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  2. OMG! OMG! OMG! OMG! O M F G !!!!

    A gente teve essa conversa já no telefone/MSN, mas ainda assim, eu nunca pensei que você pudesse deixar tudo de uma maneira tão emocionante que eu quisesse chorar/ rir/ birrar/ pedir pra ele voltar(u__u)/ dar oitocentos milhoes de tapas na cara dele.

    "Se eu te conheci quando estava “morto”,
    então eu prefiro você morto."
    morri,bjs

    ÓTIMO
    LINDO
    ESPLÊNDIDO. *-*

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