sábado, 15 de novembro de 2008

Da aurora ao crepúsculo


Eu sei que você foi o único que olhou através da minha alma
e não viu um borrão de cores e texturas,
de sentimentos e amarguras que eu devia saber que resultariam no fim.
Eu sei que por um momento você me achou bonita,
mas eu era só mais uma conquista,
patético como você ainda faz parte de mim.
E foi assim, seguindo auroras que nos conhecemos. Nossos corpos suados se reconhecendo
no banco de trás de um carro. E o gosto da bebida e do cigarro feitos sob medida
pra minguar a solidão.
E quanta coisa estúpida você dizia,
você era um homem que ainda via
o mundo como um girar de um peão.
E eu não sabia como dizer não.
Eu disse então.
E aí tudo ficou borrado, todos os meus sonhos estavam maculados no chão.
Você ficou lá petrificado,
me encarando como se eu tivesse feito algo errado
contando aos teus ouvidos uma doce ilusão.
É. Aí eu fui dormir.
E lembrei quem eu queria que estivesse ali
Desculpa, amor, não era você.
Ele era pro teu azar, o seu oposto
Por isso não adiantava sentir o gosto
dos seus lábios mentirosos que insistiam em permanecer.
Você era bem mais bonito, mais velho que ele
Mas ele me deixava a flor da pele
Ele nunca ia me notar como você fez.
Ele era esperto e não falava besteira
Não ficava por perto, e não é que eu não te queira
É só que eu o amo, outra vez.
Ele me tem desde o começo
É como as continhas de um terço
Aonde cada parte de mim resulta nele, que é a cruz que eu carrego.
Entenda, o crepúsculo lá fora
prova que é tudo pequeno agora
perto desse amor que pra ele eu nego.
Entenda, eu não queria ser essa megera
ou fazer dele minha amarga quimera
e dar pra ti uma chance, quem me dera!
se ele não tivesse tudo de mim.

Fecho a porta, por que se você entrar, vai colocar pro lado meu cabelo,
beijar meu pescoço e arrepiar meu pêlo
e ver que agora eu sou só gelo e desejo
Mergulhados num copo de gim.
E que ele, que nunca vai voltar,
ainda tem tudo de mim.

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