segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Shuffle e suas lições

Ironicamente, o shuffle do iTunes foi feito para sacanear com a nossa cara.
Mas dessa vez, com uma coletânea de músicas que já não escuto mais com a frequência louca que escutava antes, me lembrei de mim mesma na época em que essas canções faziam sucesso na minha cabeça.
E me veio aquela garota amarga e fria. Apesar de se apaixonar e se encantar com os "carinhas errados", já que o meu tipo parecia estar atrelado àqueles meninos desejados e cafajestes, também uma garota desacreditada.
Desacreditada depois de umas quedas que deixaram cicatrizes que até hoje se tornam difíceis de esconder, e que se tocar, dói.
Era um duo de fria como o gelo + cega de amor.
Lágrimas? Só com O Cão e a Raposa e quando a raiva já havia consumido as fibras do meu ser.
Confessar amor? Nem com 50 chibatadas.
Tinha uma barreira de titânio e uma arrogância irrevogável.
A letra da música gritando nos meus ouvidos e na minha memória, olhei pro espelho. Foi uma longa espera e um processo lento, mas valeu a pena.
Só de pensar no que o meu eu-de-algum-tempo-atrás faria numa situação dessas agora, é perceptível, o quanto baixei a guarda, o quanto mudei. Todo mundo sabe, todo mundo vê.
Apesar de jurar que sim, não me arrependo de nada.
Tudo isso teve que ser vivido e serviu para me tornar quem sou hoje.
Sou feita de todas essas cicatrizes e não-cicatrizes.

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