sábado, 29 de maio de 2010

Circunscrição

– Feche os olhos.
– Pra quê? – sorrindo para ele, ela perguntou.
– Apenas feche-os. Confie em mim.
Ela então observou-o ligeiramente, esboçando um sutil sorriso lateral, e obedeceu.

Pronto. Aí estava ela. Em sua mais contemplativa aparência, esbanjando plenitude e harmonia. Mas ele sabia que não era apenas isso. Óbvio que não. Ela mesma sempre lhe dissera sobre como as aparências enganam; ele sabia que, por trás daquela figura que tanto o encantava, jazia um turbilhão de emoções e sensações, aguardando fervorosamente o momento da expansão, do domínio, da possessão completa. Era uma espécie de poder resguardado. Ele temia, mas desejava. Sua sabedoria avisava-o que seria arriscado prosseguir sem estar a par da complexidade particular dela, que qualquer passo em falso significaria estar frente ao abismo e que lidaria com situações desafiadoras disfarçadas. Estava ciente disso. Porém ser ardiloso era uma de suas mais admiráveis qualidades; ele estava disposto a enfrentar a donzela... ou o dragão.
De qualquer forma, ele já cedera e mostrava-se inscrito na intercessão de seus mundos. Ela, em essência, ainda conseguia situar-se além; ela era o espelho de sua alma.
E ela ainda encontrava-se lá, curiosa pelo que ele estava fazendo ou planejava fazer. Ele podia ler sua impaciência nos mais delicados detalhes.
— Então? — era gracioso, inclusive peculiar, como ela conseguia demonstrar insegurança e autoconfiança simultaneamente.
Ele havia pensado em diversas maneiras de aproximar-se dela, todavia sentiu-se terrivelmente limitado. Por melhor que fosse sua astúcia, de nada adiantaria se ela não a aceitasse.
Resignado e servo da esperança, ele segurou-lhe ambas as mãos e beijou-as encarecidamente. Com esse gesto, ele transmitiu-lhe toda a sua atenção e, em seguida, disse que poderia abrir os olhos.
Ela notou que ele carregava um semblante introspectivo, de certa forma distante.
— Minha vez agora. — satisfeita, ela disse. Ele tinha de admitir que não esperava por essa reação, principalmente pela que se sucedeu. Mudo e expectativo durante os milésimos e segundos que duraram até ela se aproximar de seu ouvido direito, ele a ouviu sussurrar:
Eu te amo...

E ele nunca se sentira tão em sintonia como naquele momento.

3 comentários:

  1. Que perfeeeito *-----------------*
    Ain, ain, que fofo

    ResponderExcluir
  2. Ai que coisa mais linda da mamãe cheirar o bumbum *-*
    POR QUE ESSAS COISAS LINDAS não rolam? Que merda.
    Is chilvary really dead?

    ResponderExcluir
  3. "Ai que coisa mais linda da mamãe cheirar o bumbum"
    kkkkkkkkkkk.

    Então, pois é, esse tipo de coisa devia acontecer na vida real!
    Muito bom o texto!

    ResponderExcluir