quinta-feira, 16 de junho de 2011

Telefone

Eu peguei o telefone, respirei fundo...
Pensei em ignorar aquele impulso e desliguei, parecia que eu sabia que tava cavando uma ferida profunda demais pra eu conseguir me recuperar. Mas no instante seguinte bateu o desejo de novo, de ouvir sua voz e a calmaria que ela representava em minha vida. Parecia que eu sabia que ninguém conseguiria mexer comigo depois que você segurou, chacoalhou e desmontou o pouco de amor que sobrava em mim. Foi você quem me abandonou ali, num canto qualquer como se nunca tivéssemos sido nada, nem amigos, como se eu nunca tivesse te amado só pra mim, como se dali do outro lado do corredor você fosse a coisa mais indispensável na minha vida. Você e seu sorriso maligno que sempre me causara arrepios noturnos, sempre fazia eu me recolher em mim mesma pra disfarçar o quanto eu precisaria de você se eu ainda pudesse precisar de você, sabe? Eu não me esqueço dos seus beijos, da maneira como meus dedos deslizavam pelo seu cabelo, de andar de mãos dadas como um segredo sempre tão difícil de manter. Dos obstáculos que talvez eu tenha criado, de te sentir tão perto de mim que me faltava o ar.

Muitas lembranças...
O coração acelerado.
Melhor eu me afastar do telefone do que te ver entrar na minha vida como um maremoto, arrastanto tudo, devorando-me inteira como uma besta, desmontando todo o pouco que eu consegui recuperar.

4 comentários:

  1. Nossa, dá uns tapas nos meu átrios.
    Esfaqueia minha aorta.
    Cutuca meus ventrículos.
    Que vai doer menos que esse texto,
    Ficou lindo.

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  2. Amiiiga, quê isso?! Maravilhoso, amei, morri e desmaiei de tanta lindeza que meu pâncreas produziu enquanto eu lia.

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  3. O pâncreas produz lindeza
    O texto ficou lindeza
    A mah é uma lindeza
    A mah é um pâncreas?
    #mistérios

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  4. kkkkkk

    A Mah é uma linda de orquídea de campos elísios do horizonte hercular ♥

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