sexta-feira, 26 de julho de 2013

Fumaça de frio e de cigarro.

Toda vez você vem e mexe com tudo que eu sou. Devora meu juízo, detona minha calma e sempre sai andando com a mesma rapidez que chega. Meu quarto já era frio por causa desse tempo. Brasília anda louca, nunca precisei tanto de um corpo pra me aquecer (e o seu sempre cumpriu esse papel com extrema adequação).
Não quero mais sentir esse frio, tampouco a sua falta. Não quero sentir um pedaço de mim se esvair diante da lembrança dos teus dedos entre meus cabelos ou do encontro suado de nossas dermes. Não quero sentir falta dos seus olhos. 
Mas sem você tudo é marasmo, a vida passa num borrão de tons pastéis, indeterminada, andeja. Não me sinto bem comigo mesma, não me sinto bem com você. Quero só a parte boa e bonita da paixão que é o desejo, todas as outras coisas exigem de mim uma cobrança que me é alheia. Não sei exigir de você um amor que não sei nem se mereço ter. Não quero fazer disso um vício, mas você sabe me dizer o que eu preciso pra te deixar entrar só mais uma vez. 
Você sabe como arrancar minha roupa e meus suspiros. Mas não confunda isso com amor, pra que eu não te confunda. Amor é rotina. É completude. É não sentir vazio, como eu poderia te explicar se você é dono das sentenças? 
Tá aí, amar é como fumar um cigarro, você sabe que faz mal mas não desiste pela sensação boa que te dá quando você tá nisso. Mesmo sendo uma coisa que prejudica tua vida, tua liberdade, que te escraviza. Ainda assim é suave, solta uma nuvem que tem uma característica tão própria que todos ao redor sentem. Até os que se sentem incomodados...  E eles se afastam. Não suportam a nuvem. Não suportam cigarro, não suportam amor alheio.
Você sabe o que me esconde, você sabe tudo o que me nega e me aparece em sonhos num faz de conta que a gente tem um final feliz. 
Não. 
Você não tem esse direito.
Pra mim as cartas estão na mesa. 
Não quero te amar, não devo, não posso e não sei se conseguiria. Vou seguir em frente com a minha vida. Cansei. A fumaça se perdeu no ar.
Olhando bem, acho que eu prefiro o marasmo do que essa eterna incompletude.

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