quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Amoromantismo

Tudo que eu sei é que pra mim não existe nada tão inevitavelmente angustiante quanto a espera. É excruciante. É um desalento. Esperar é ilhar-se em sonhos, na esperança do concreto.

E quando eu sinto sua falta, o que é sempre, meu coração manda pro cérebro a seguinte mensagem:
-- Espera, que teus sonhos se encaixam nos sonhos dele. E pra que você perceba a ironia que é que quanto mais vocês se esperem, mais tempo terão juntos, ainda que ele passe tão rápido - pelo prazer da companhia mútua - que nem seja perceptível o seu transcorrer.

Espera, mesmo que tudo sobre você seja urgente e que esperar seja impiedoso, pois em nenhum outro colo teu corpo desarma a tensão cotidiana, estando verdadeiramente em paz pelo tamanho pertencimento.

Espera, que não existe nada mais terno do que as gargalhadas fluidas, simultâneas e honestas. Do que a falta de ar ocasionada pelos incansáveis beijos, pelo desejo e pelo amor.

Espera, até o andar de mãos dadas virar o andar de mãos enrugadas.
O cérebro, sucinto, resumiu a fala do coração:

-- Espera, neguinha, que a saudade só te parte, por ele valer a pena.

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