Vai Pela Sombra O Que Sobra É..

Ele olhou para os lados e ninguém estava vendo, ele carregava um livro considerado "feminino"demais e tinha vergonha do que os amigos diriam se ele fosse visto na praça lendo ele. Sentou à beira de uma àrvore e começou a ler. O tempo estava do jeito que ele amava: mais vento do que sol, não que ele odiasse o astro, apenas apreciava a brisa tão esperada de setembro no rosto.
Começou a ler, era um livro otimista, completamente contrário à sua leitura habitual, ele sempre foi um menino que apreciava um bom livro de Nietzsche ou Schopenhauer, mas sua melhor amiga havia lhe emprestado o livro como um passatempo, então ele aceitou, àvido por palavras otimistas, mas orgulhoso demais para dizer isso para a amiga ou admitir pra si mesmo que ele estava desejando um pouco de luz no meio das trevas dele.
O livro falava sobre criaturas mágicas e lugares mágicos, sobre pessoas que ocasionalmente voltavam à vida apenas para ver uma última vez as pessoas que amavam, coisa que ele não acreditava, porque senão ele a sentiria perto dela novamente.
Sacudiu a cabeça e o pensamento que nela havia surgido, se prometeu que não pensaria nela, pelo menos não hoje, baixou os olhos e encarou o sol que brilhava como se tivesse triunfado na batalha com as nuvens, sorriu, se tinha algo mais poderoso que as nuvens era aquele brilho, baixou os olhos e ouviu um riso atrás dele.
— Quem está aí?
— Olha pra frente, querido. — uma voz doce sussurrou em seu ouvido.
— Lívia, mas você... — ele se virou e viu os cabelos negros dela jogados por cima do ombro, os olhos estavam brilhantes e as mãos estavam no seu rosto.
— Eu sei muito bem o que eu sou, meu anjo.
— Mas o que você tá fazendo aqui?
— Eu preciso de você, meu amor.
Ele estava perplexo, fechou os olhos e tornou a abri-los pensando que fosse uma miragem ou algo assim, mas quando ele os abriu ela ainda estava lá, só que agora de pé.
— Precisa de mim pra que, Lily?
Ela tocou seu peito, onde estava seu coração e fez uma careta.
— Nossa, Adriano, tanta coisa se passando no seu coração, meu anjinho.
— Da minha perspectiva, Lívia, você é o anjo aqui.
Ela gargalhou, ele agradeceu por estar sozinho na praça naquele dia, a risada dela invadiu o coração dele e foi como se tudo se iluminasse dentro dele.
— Não, não, querido, o meu anjo é você. — ela o beijou e ele sentiu os lábios formigarem de felicidade, ele queria mais do que aquilo, mas ela se afastou e se pôs de pé novamente, ele se levantou junto com ela. — E eu preciso dizer porque eu vim, anjinho, você precisa me ajudar.
— Como?
— Se ajudando, meu amor.
Adriano arregalou os olhos e virou a cabeça, ela chegou mais perto novamente e disse com uma voz trêmula:
— Eu vim pra te libertar, meu anjinho. Dessa dor, dessa angústia, desse pessimismo, desde que eu... Parti — ela estremeceu novamente — você está sempre assim, meu amor. Eu preciso te libertar, você pode ter felicidade novamente.
Ele olhou pra trás e ficou andando de um lado pro outro, quando se virou, seus olhos estavam marejados.
— E se eu não conseguir?
Ela sentiu que estivesse partindo no meio. É, ela pensou consigo mesma, eu ainda consigo sentir.
— Você tem que conseguir, amor. — a voz dela ficou rouca — Eu preciso de paz, eu preciso que você fique em paz com o rumo das coisas. — ela chegou perto dele e pegou em seu peito novamente — Seu coração ainda bate e eu preciso te dizer que ele não parou junto com o meu...
— Às vezes parece que é assim...
— Por favor, Adriano. — suplicou ela — Eu só posso ser feliz quando você superar isso.
Ele fez um esforço pra sorrir e disse:
— Tudo por você, meu anjo.
E ela desapareceu.
E ele de repente se sentiu vivo de novo, seu coração batia com vigor e ele decidiu correr atrás da felicidade e parar de esperar que ela o encontrasse.

Comentários

  1. MANO, esse trem ficou triste.
    Eu quem escrevi e chorei.

    PMS?

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  2. Ficou mesmo, mas acho que só vai sentir quem já perdeu alguém que amava muito, como é o nosso caso.


    Lindo lindo, Prima.

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