Meia-noite

Nós crescemos com essa ideia tola de que só o amor romântico pode nos suprir a necessidade de ser feliz. Vivemos tão preocupados em amar outra pessoa, que não lidamos com as nossas próprias fraquezas e nem percebemos em que pedaço paramos de nos mergulhar no outro e viramos esse apanhado de medos, incertezas, mágoas e inseguranças. 
Eu tenho medo de ficar só, eu não sei se quero estar nessa posição em que há tanto rancor entre nós que não há mais espaço pra andar de mãos dadas e conversar. A vida vai, nós amadurecemos e seguimos caminhos cada vez mais distantes. Cada um preso nos seus afazeres e daqui a pouco se passaram vários anos e nós vamos nos olhar e pensar nas faltas mais do que nos acertos. Eu tenho medo de me arrepender e tenho medo de que você olhe pra mim e só veja arrependimento. Eu tenho medo de ter criado um mundo em cima de você e me transformado por você numa pessoa que eu não sou pra buscar sermos felizes. Tudo que eu preciso é que você me entenda, só dessa vez. Cada vez que eu me lasquei, eu me tornei um pouco mais amarga e insegura. Não sei se devo confiar em você de novo. Eu quero, mas não consigo. Eu olho pra você e me lembro das coisas bonitas guardadas num armário. Eu lembro de como as coisas eram doces e quentes e de uma finitude que tornava tudo perfeito. No fundo eu sei que eu sou histérica, doida, dramática e irracional. Mas no fundo eu só quero ser amada, você não vê? Mesmo que eu seja uma mulher independente e aparente ser segura, no fundo eu só quero que você me ame até o fim dos meus dias. Que eu não me torne uma lembrança que se esvaia com o passar dos dias ou da dor. A morte me assusta. Você me assusta. Mas no final do dia, apesar de toda a mágoa, de todo o ressentimento, da insegurança, do tempo...
Eu só quero ser tudo que te agrada. Ainda.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

The boy who tied the knots.

Cuide Bem do Seu Amor

All apologies and smiles, yours truly, ugly valentine